Diferenças mínimas na contagem de pontos e centésimos de segundo muitas vezes fazem a diferença entre subir ao pódio para receber uma medalha, ou assistir à premiação sentado na plateia. Durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, realizados na Itália, foi inspirador ver como os atletas em busca de apresentações espetaculares superaram erros e faltas.
Atletas bem-sucedidos costumam aprender com os erros e depois os deixam para trás, evitando que eles prejudiquem os esforços subsequentes. O pentacampeão olímpico e grande tenista Roger Federer venceu quase 80% das 1.526 partidas individuais que disputou. No entanto, por mais notável que tenha sido seu desempenho, ele recentemente contou, em uma palestra, que ganhou apenas 54% dos pontos possíveis nessas partidas! Em outras palavras, 46% de seus esforços falharam.
Ele aprendeu a não se prender aos erros. Afirmou que isso “é realmente importante, porque nos deixa livres para nos dedicar inteiramente ao próximo passo e aos seguintes, com intensidade, clareza e foco”.
Mesmo que não sejamos atletas olímpicos, podemos dar o nosso melhor e não nos prender aos erros cometidos. Proceder assim pode ser mais do que um mero exercício mental; pode ser uma base poderosa apoiada na oração. As seguintes palavras do Apóstolo Paulo se alinham com esse propósito: “…uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13, 14).
A “soberana vocação de Deus” pode ser entendida como o desempenho das tarefas que cada um de nós é chamado a realizar como filho de Deus. Deus, que, como a Ciência Cristã ensina, é o Amor, a Mente e a Vida, nos criou para expressarmos Sua natureza plena de poder e de amor. Esse é o verdadeiro propósito de nossa existência. Cristo Jesus certamente compreendia isso, quando afirmou: “…Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17).
Deus não nos vê como pessoas imperfeitas tentando alcançar, algum dia, a perfeição humana; ao contrário, Deus sabe que já refletimos somente Sua natureza. Aos olhos de Deus, somos espirituais, perfeitos e, por isso, amados. E só devemos afirmar a nós mesmos o que Deus afirmaria a nosso respeito.
É provável que venhamos a cometer erros ao longo do caminho, à medida que descobrimos nossa perfeição espiritual e o amor, que nos foram outorgados por Deus. Se ficarmos obcecados com esses deslizes, talvez não estejamos prontos para nos dedicarmos plenamente ao progresso, com clareza e foco.
Na adolescência, cometi o erro de acreditar na afirmação de um treinador: ele disse ter expectativas muito baixas em relação a meu desempenho. Nos seis meses seguintes, carreguei esse prognóstico como uma pedra pendurada no pescoço. Meu desempenho nos jogos confirmou suas previsões, e acabei deixando de gostar de mim mesmo.
Eu sabia que não podia continuar nesse rumo, e certo dia um amigo me indicou uma declaração surpreendente no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras. A autora, Mary Baker Eddy, assegura aos leitores que “Deus expressa no homem a ideia infinita que perpetuamente se revela, se expande e se eleva cada vez mais, procedendo de uma base sem limites” (p. 258).
A pesada pedra caiu quando, a partir daquele momento, me comprometi a ver somente o que Deus estava expressando em mim. Aprendi com meus erros, mas também ansiava por enxergar melhor como, para a glória de Deus, eu havia sido criado para me elevar “cada vez mais, procedendo de uma base sem limites”. Em pouco tempo, meu desempenho superou minhas mais elevadas expectativas.
Cada um de nós existe para expressar o que Deus está fazendo e o que Deus é. A Mente divina, que é Deus, é absolutamente perfeita, e todos nós estamos incluídos na expressão que a Mente faz de Si mesma. Ciência e Saúde afirma: “A Mente onipotente e infinita fez tudo e inclui tudo. Essa Mente não comete enganos para depois corrigi-los” (p. 206).
No esporte e em outras áreas, é importante direcionar agora nossos pensamentos para áreas produtivas. Não devemos permitir que erros de ontem ocupem tempo demais do nosso presente. Por meio deles nos fortalecemos e passamos a nos amar mais. Nada pode tirar nossa capacidade de refletir a Deus “a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra …sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória…” (Colossenses 1:10, 11).
