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Original para a Internet

PARA JOVENS

O que eu aprendi sobre intimidade sem compromisso

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 28 de setembro de 2026


Eu estava curiosa sobre o conceito de ter “encontros íntimos casuais”, pois era o que todos os meus amigos estavam fazendo. Na época, eu achava que ter um relacionamento assim, ocasional, exigia um grau de autoconfiança e controle sobre o risco que eu admirava, e queria experimentar. Então, comecei a eventualmente ter relações sexuais com um amigo. Parecia “seguro”, pois eu não tinha nenhum envolvimento romântico com ele e, desde o início, deixamos claro que seria algo ocasional.

No começo, eu me sentia confiante e achei que essa experiência me dava um senso de autonomia. Estava empolgada por receber atenção e apreço dessa forma, e achava que tinha a situação sob controle. No entanto, lá no fundo, eu sentia que o bem substancial e duradouro não viria da intimidade física casual.

Parte do que me fazia sentir no controle da situação era o fato de eu não ter um afeto muito profundo por esse amigo. Mas eu não havia levado em consideração como esse relacionamento poderia estar afetando a ele. Meu amigo disse que não gostava de como se sentia em nossos encontros porque, aparentemente, eu não tinha o nível de interesse e cuidado que ele desejava receber. Eu quis ser gentil, então minha resposta foi demonstrar mais atenção e interesse por ele.

Mas daí comecei a gostar dele. Percebi que aquilo que mais me agradava em nossos encontros eram a conexão e o cuidado mútuos, e que eu podia cultivar ambas as coisas sem a intimidade física. Essa constatação me fez repensar nosso relacionamento. Expliquei isso a ele, e ele entendeu, então decidimos parar de nos encontrar. 

Depois de alguns meses, meu sentimento por ele não havia passado, e isso me deixava triste e com a sensação de estar completamente fora de controle. Desenvolvi uma ansiedade intensa, que me causava crises sempre que o via ou interagia com ele, algo que eu precisava fazer regularmente na universidade. Tinha consciência de que minha reação era exagerada, e eu ficava brava comigo mesma por não lidar melhor com esse relacionamento.

Meus amigos não conseguiram me ajudar muito, e eu não queria conversar sobre a situação com meus pais, pois achava que eles ficariam desapontados com meu comportamento. Sem saber ao certo como seguir adiante, comecei a me voltar a Deus, em oração sincera.

Eu sabia, devido ao estudo da Ciência Cristã, que podia considerar a Deus como um amigo. Sabia que podia contar com Seu apoio e ouvi-Lo, em busca de ideias que resultariam em crescimento espiritual e cura. Comecei a orar com toda a sinceridade. Em minhas orações, esforçava-me para silenciar meus pensamentos e ouvir só a Deus, procurando sentir Sua presença amorosa, na qual eu perdia qualquer senso de condenação e sentia a confirmação de que o bem faz parte de minha natureza, por eu ser filha de Deus.

Percebi que, em vez de aceitar que a minha história pessoal definisse o que eu penso a meu respeito, eu podia confiar em Deus para me dizer qual é a minha identidade como Sua semelhança. A verdade é que o bem me pertence porque Deus me criou, e isso significa que, constante e perfeitamente, eu expresso o bem que é Deus. Esse foi um passo importante para a minha capacidade de perdoar os outros e julgar menos, pois entendi na prática o que significa termos, todos nós, uma identidade espiritual perfeita, independente da história pessoal. 

Passei a sentir a presença de Deus como se sente a presença de um amigo. Quando começava a entrar em uma espiral de ansiedade, eu conseguia, com confiança, dizer não a tais pensamentos graças ao que estava aprendendo sobre minha identidade como a expressão de Deus, o Espírito — inteiramente espiritual e totalmente boa. Compreendi que, mesmo quando me sentia fora de controle, a verdade era que Deus me criou para ser calma, confiante e sem medo. Eu sabia que, por ser o perfeito Amor, Deus jamais castiga alguém. O amor de Deus nunca vacila, e podemos sempre nos voltar para esse amor, mesmo quando sentimos que não tomamos boas decisões. Em pouco tempo, a ansiedade diminuiu e as crises se tornaram menos frequentes. Na medida em que minha relação com Deus ia se fortalecendo, percebi que meu desejo verdadeiro era amar as pessoas de um modo atencioso, o que não incluiria relações sexuais casuais. Depois disso, a ansiedade desapareceu completamente, e eu compreendi que tenho domínio sobre quaisquer pensamentos dessemelhantes de Deus.

Ao relembrar essa época, percebo que desenvolver uma relação mais profunda com Deus foi decisivo, tanto para essa cura como para meu progresso em geral. Passei a vivenciar um novo senso de alegria que permeava meus dias, mesmo ao realizar pequenas atividades, como as lições de casa, a limpeza e os trabalhos manuais. Encontrei um novo senso de valor, e isso me permitiu interagir com os outros de modo mais amável, sem me deixar afetar tanto pelas críticas, e passei a me preocupar menos com a aparência do meu corpo. Eu até me aproximei mais de meus pais, pois decidi compartilhar com eles o que estava aprendendo, e fiquei muito grata pela clareza espiritual e pelo conforto que eles me ofereceram.

Além da experiência de eu sentir a Deus como um apoio, minha relação cada vez mais profunda com Ele me ajudou a resguardar meus pensamentos e a tomar decisões mais divinamente orientadas. Esta promessa em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy, me pareceu muito significativa: “Se trabalhares e orares com motivos puros, teu Pai abrirá o caminho” (p. 326).

Constatei que aquilo que é verdadeiramente satisfatório nos relacionamentos é sentir uma proximidade sincera com alguém e ter a coragem de demonstrar interesse pelos outros. Agora, busco relacionamentos em que minha individualidade espiritual seja valorizada e os outros consigam perceber e confiar em minha bondade e meu valor espiritual — e nos quais eu possa fazer o mesmo por eles.

Compreender tudo isso me fez pensar sobre o que Ciência e Saúde diz a respeito da coragem animal em contraposição à coragem moral. Coragem animal é o tipo de impulso que, inicialmente, fez parecer atraente a ideia de “encontros íntimos casuais”, pois era algo arriscado que eu pensava estar tendo a coragem de experimentar. Coragem animal tem a ver com instinto e ego; coragem moral envolve a compreensão de como amar a humanidade de modo mais adequado e tomar decisões visando a motivos melhores, inclusive sacrificando a vontade do ego. 

A Sra. Eddy escreveu em Ciência e Saúde que Jesus repreendia “…a ira e a coragem animal” (p. 48). Aprendi que a coragem moral parte de uma consciência mais profunda do amor de Deus, e do desejo de expressar esse amor que reforma e eleva todos os que o vivenciam. O amor que flui de Deus inclui o desejo natural de entender os outros, de expressar cuidado e lealdade por eles, e de vê-los como expressão de Deus, também. O verdadeiro domínio sobre os riscos está na mansidão que expressa amor, sem a necessidade de que esse amor seja aceito ou correspondido.

O bem imenso que resultou de ter me voltado a Deus nessa experiência, agora permite que eu encare os problemas como oportunidades de conhecer melhor a Deus e a mim mesma. E sou testemunha de que o crescimento espiritual tanto é transformador quanto satisfaz completamente.

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