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Original para a Internet

A Vida que nunca se perde

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 2 de novembro de 2026


Fiquei muito triste ao saber do falecimento de uma grande amiga. A informação chegou logo após o falecimento de outros dois amigos próximos e de um parente muito querido, ocorrido um ano antes. O choque, a tristeza e a descrença deram lugar rapidamente à gratidão pela vida desses entes queridos. Fui invadida por um sentimento de profundo amor e apreço pelos muitos momentos que havíamos passado juntos e pelas conversas produtivas que havíamos tido. Isso me trouxe conforto e me ajudou ao ponderar sobre os desafios do mundo.

Uma série de perguntas me ocorrem quando penso nas pessoas que, no mundo todo, enfrentam tragédias: como posso orar a respeito da situação? É possível perder a Vida, Deus? Perder o bem? Poderia o homem, que é o filho amado de Deus, ser vulnerável, e estar à mercê de um poder maligno chamado doença, carência, guerra, e assim por diante? Por onde começamos, quando queremos ajudar?

Procurando respostas, costumo começar pela Bíblia. O Apóstolo Paulo oferece uma resposta muito confortadora em sua carta aos primeiros cristãos em Roma. Ele escreve: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? … Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:35, 37–39).

Nada pode, nunca pôde, nem jamais poderá, separar qualquer um de nós do amor de Deus ou da presença do Cristo — a mensagem de amor que Jesus transmitiu à humanidade, desdobrando e explicando nossa relação espiritual com o Criador. O Mestre revelou que a natureza de Deus é o Amor divino e a Vida divina — sempre presente, constituindo todo o bem — e demonstrou o fato de que cada um de nós faz parte da criação amada de Deus, e está permanentemente incluído nesse bem. 

O livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, explica: “O Cristo apresenta o homem indestrutível, a quem o Espírito cria, constitui e governa” (p. 316). O homem indestrutível, que é espiritual — a verdadeira identidade de cada um de nós — é para sempre íntegro e perfeito, totalmente separado da mortalidade e jamais limitado por ela. Nossa verdadeira natureza espiritual não é um conceito abstrato e indefinido, que tem pouca relação com o aqui e agora de nosso dia a dia. Na realidade, ela é fundamental para nossa identidade e para cada aspecto de nossa experiência.

Compreender a Deus como o Amor divino e a Vida divina, e nossa relação com Ele como a imagem e semelhança da Vida, é o ponto de partida fundamental, que nos capacita a enxergar para além da evidência dos sentidos físicos. Pelo fato de essa compreensão ser verdadeira para todos, ela também nos ajuda a encontrar e manter a calma e o foco ao ajudar os outros.

A parábola de Jesus sobre o joio e o trigo (ver Mateus 13:24–30) mostra que a vida espiritual não é tocada pela matéria. Nessa parábola, o trigo pode ser entendido como a representação da verdadeira vida espiritual do homem, que cresce e floresce aos cuidados de Deus, a Vida eterna. O joio, que representa o conceito mortal e material sobre o homem, não altera o trigo, apesar das evidências em contrário.

Em Ciência e Saúde, lemos: “O temporal e o irreal nunca tocam o eterno e o real. O mutável e o imperfeito nunca tocam o imutável e o perfeito. O desarmonioso e o autodestrutivo nunca tocam o harmonioso e o autoexistente. Essas qualidades opostas são o joio e o trigo que em realidade nunca se misturam, embora (à vista mortal) cresçam juntos até a colheita; então a Ciência separa o trigo do joio, pela compreensão de que Deus está sempre presente e de que o homem reflete a semelhança divina” (p. 300).

Olhando para além daquilo que os sentidos físicos nos dizem, podemos afirmar que a vida não é tocada pela mortalidade. Relatos de doença e morte, embora profundamente tristes, não são a última palavra a respeito da existência do homem. Quando o sol se põe, dizemos que a noite caiu e o dia findou. Mas vemos o pôr do sol apenas da perspectiva da terra. Se pudéssemos olhar o cenário a partir do sol, constataríamos que o sol jamais se põe. Veríamos somente a luz brilhante e invariável dos raios solares. Os amigos que desaparecem de nossa experiência continuam a brilhar — a viver, amar e expressar continuamente a Vida eterna. A afirmação de que cada “…fase sucessiva de experiência desdobra novas perspectivas do bem e do amor divino” (Ciência e Saúde, p. 66) é verdadeira para eles, e para nós também. 

Eu constato que esses fatos espirituais me trazem segurança e conforto no dia a dia. À medida que continuo a me aprofundar nas orações por nossos irmãos no mundo todo, agradeço por eles, individualmente, ciente de que estão envolvidos para sempre no Amor divino, Deus, em quem “…vivemos, e nos movemos, e existimos…” (Atos 17:28).

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