Referindo-se à questão de quanto tempo poderá levar até o pecado ser destruído, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, escreveu: “Isso poderá levar milhões de ciclos, mas ninguém sabe quando será” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 160).
Mas será que alguém realmente quer continuar preso à carne por “milhões de ciclos”?
Ao revelar o caminho rumo ao céu, assunto que fez parte de seu ministério, Cristo Jesus disse: “…quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 16:25). Céu é definido no livro-texto da Ciência Cristã como: “Harmonia; o reino do Espírito; o governo do Princípio divino; espiritualidade; felicidade suprema; a atmosfera da Alma” (Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 587).
Quando renunciamos à falsa noção de ego, a qual obscurece o céu, a consciência do céu se revela. Felizmente não há limite de velocidade na estrada para o céu! Todos podem acelerar o passo para encontrá-lo.
Entramos na “faixa expressa” na estrada para o céu, quando seguimos os ensinamentos de Cristo Jesus. Isso requer que deixemos de lado o falso conceito que temos a nosso respeito, se quisermos encontrar e sentir a alegria do céu que está em nós. Precisamos compreender que a mente humana não vai simplesmente desistir e desaparecer por conta própria. Como Jesus, nós também devemos confrontar diretamente a mente humana e seus traços de personalidade. E, à medida que o Amor divino começa a substituir pensamentos e motivações vindas do pecado, constatamos que estamos imersos no oceano infinito do Amor divino, onde se revela paz sem fim, bem-aventurança eterna, a harmonia e o verdadeiro lar.
Por isso, não seria bom fazer a si mesmo a pergunta: é o céu meu objetivo supremo? Ou existem objetivos paralelos que, inevitavelmente, acrescentam “ciclos” à minha jornada?
Embora a Bíblia não forneça dados sobre quantas pessoas Jesus curou, imagino que tenham sido milhares, durante seu breve ministério de três anos. Para curar, com a frequência e a rapidez com que ele fez, era necessário elevar continuamente o pensamento para uni-lo à consciência de Deus e do céu, da harmonia, onde a saúde de fato habita.
Praticar a cura espiritual por meio da Ciência Cristã tem me proporcionado um vislumbre do céu. Na Ciência, a cura por meio da Mente divina destrói o erro mental que se manifesta como pecado ou doença, removendo, assim, os obstáculos em nossa jornada rumo ao céu. Pensemos nisto: se com mais frequência substituirmos o que consideramos ser a realidade do pecado e da doença, pela consciência do Espírito, mais rapidamente assimilaremos o caráter e a natureza do céu, até que o vejamos como a realidade presente que ele é.
Em Ciência e Saúde, lemos que a interpretação espiritual desta frase da Oração do Senhor: “Faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu…” é: “Faz-nos saber que — como no céu, assim também na terra — Deus é onipotente, supremo” (p. 17).
Visto que Deus é onipotente e supremo, apenas a Mente divina pode fazer-nos “saber” exatamente como entrar no céu. E como acontece isso? Mais uma vez, vemos como Jesus, por meio da inspiração e da compreensão dessa Mente, foi capaz de conhecer os pensamentos de Deus, e indicou que o sacrifício do ego era o caminho: “…Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24). Mas o que significa negar a si mesmo, e como fazemos isso? Jesus o explicou em termos muito simples e humildes: “Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou” (João 5:30).
Há alguns anos, eu e minha esposa, que exercia a profissão de médica, saímos de férias. O primeiro dia incluiu uma longa caminhada, por isso fomos dormir cedo. No meio da noite, minha esposa me despertou abruptamente de um sono profundo. Ela parecia aterrorizada. “Não tomei minha medicação hoje pela manhã”, disse ela, com a voz trêmula de medo. Anos antes, ela havia recebido o diagnóstico de uma variante da hepatite C que implicava risco de morte. Agora, anos depois, ela havia concordado em participar de um estudo clínico para testar os efeitos de um novo medicamento contra a doença, e seus médicos a haviam alertado que, sem essa medicação diária, os efeitos da enfermidade seriam perigosos e, até mesmo, fatais.
Minha reação imediata foi: “Vou ligar para o hospital”, mas ela respondeu com absoluta certeza: “Não. Por favor, ore por mim”.
Inicialmente fiquei atônito, pois minha esposa nunca havia dito nada além de opiniões negativas sobre religião e sobre a oração em particular, embora sempre tivéssemos conseguido evitar esses assuntos. É claro que concordei, e fechei os olhos para orar.
No início, pude sentir seu medo extremo e, ao mesmo tempo, uma intensa pressão para eu curá-la. Recorri, então, diretamente a Deus em busca de ajuda. Em poucos instantes eu estava em paz. Não estava recorrendo a meus próprios pensamentos. A necessidade naquele momento extremo era abandonar meus pensamentos, de acordo com as instruções de Jesus, substituindo a noção de uma mente separada de Deus, pela maneira como Ele vê Sua imagem e semelhança, e fazer isso o mais rápido possível.
O que aconteceu logo depois foi verdadeiramente notável. Como se alguém tivesse acionado um interruptor, minha mente ficou repentinamente em silêncio. Eu não conseguia ouvir a mim mesmo nem formular algum pensamento por conta própria. Eu estava em absoluta sintonia com a Mente divina, livre das limitações de qualquer suposta mente humana. Sei disso porque recebia um fluxo de pensamentos puros e espirituais. Nenhuma palavra foi dita. Em vez disso, esses pensamentos espirituais assemelhavam-se mais a um senso espontâneo ou a uma “certeza interior”, e eu os compreendia plenamente no exato instante em que me ocorriam. Por exemplo, eu soube com absoluta certeza, por meio da Mente divina, que a vida é perfeita, imaculada e orquestrada por uma única fonte inteligente, uma fonte que era o Amor tangível e onipresente. Eu sabia isso não porque acreditava nisso, mas porque sentia e compreendia que assim era.
Não havia o senso de estar conectado a um corpo. Nada nesse estado mental elevado lembrava um mundo tridimensional. A noção mortal de ego e dos sentidos materiais havia desaparecido, os sentidos não tinham propósito algum ali. O que predominava era o senso de estar imerso em um oceano cálido do puro e infinito Amor.
A luz emanava de toda parte ao mesmo tempo, não de um único ponto. A atmosfera irradiava um senso de ordem serena e natural. Não havia noção de tempo. Nessa dimensão gloriosa, claramente situada acima e além da ilusão da chamada vida material, senti-me envolto na atmosfera rarefeita do Amor puro e suave, permeado de paz e de uma felicidade efervescente. Nessa atmosfera celestial, parecia que meu propósito era simplesmente constatar o Amor deleitando-se em si mesmo e em sua manifestação.
Achei interessante (ao refletir sobre isso mais tarde) que não pensei em minha esposa ou em sua condição física. Em vez disso, o único propósito da Mente divina era que eu imediatamente me deixasse envolver por Sua presença. Essa ação eliminou qualquer pensamento de doença. Senti-me totalmente envolvido no absoluto e puro Amor.
Em termos de tempo, eu diria que toda a experiência durou no máximo uns dois minutos. Em um instante, eu estava novamente sentado na cama.
O medo havia desaparecido dos olhos da minha esposa. “Não sei o que aconteceu”, disse ela, com um ar de surpresa e confusão. “Toda a dor no fígado sumiu. Creio que estou completamente bem.”
E foi o que aconteceu. Continuamos nossa viagem conforme o planejado, e minha esposa permaneceu livre de qualquer dor ou doença. Depois das férias, durante um exame de rotina, dois dos médicos do estudo clínico, ao constatarem que a doença havia desaparecido, fizeram novos exames no fígado, pensando que talvez os resultados iniciais estivessem incorretos. Por fim, reconheceram que não havia mais sinais do vírus da hepatite C, e ela nunca mais teve esse problema.
Se o céu, a harmonia, não for nossa meta principal, como podemos recorrer, de todo o coração, ao Deus dos céus em oração? Porventura, nosso trabalho de cura não seria realizado de maneira mais rápida e eficaz se deixássemos de lado o senso mortal de nós mesmos, e nos voltássemos a Deus, onde é revelada a consciência da saúde e do céu?
Todos nós, sem exceção, iremos vivenciar a consciência do céu, assim como Jesus a vivenciou. Então, por que não acelerar o passo? Transformemos momentos de entrega a Deus em minutos, minutos em horas e horas em dias e meses. Imersos na natureza do céu, os males da mortalidade não têm nenhuma alternativa senão se dissolver. E, então, nosso lar eterno começará a aparecer em nós.
