Você já sentiu que gostaria de orar a respeito de um problema da sua comunidade, ou mesmo do mundo, mas concluiu que não saberia como? Ou talvez você tenha achado que sua oração não faria qualquer diferença. Bom, eu também costumava pensar assim, mas há alguns anos tive uma linda experiência de cura que me ensinou o quanto a oração na Ciência Cristã pode ser eficaz.
Quando meu filho estava no ensino fundamental, o casaco dele foi furtado na escola. Desde o começo, eu estava determinada a não me resignar a esse acontecimento. O furto não está de acordo com a lei divina do bem, por isso eu sabia que não tinha de aceitar a noção de que a perda era inevitável. Eu sabia que essa percepção errônea podia ser corrigida.
Naquela época, minha família precisava ser bastante prudente com o uso do nosso dinheiro, mas não era isso o que me preocupava. O que me aborrecia era a decepção que eu estava tentada a sentir em relação à nossa comunidade. Será que eu não podia confiar nela? Deveria eu ficar em estado de alerta para não ser enganada?
Eu não desejava viver assim. Queria amar minha comunidade, então decidi dar alguns passos em resposta àquele incidente. Conversei com o diretor da escola e lhe sugeri algumas medidas a serem tomadas, para evitar os furtos que vinham acontecendo no ambiente escolar, mas ele não se interessou. Falei com a professora do meu filho, mas ela se sentia impotente. Fui até mesmo à polícia. E lá, me disseram: “Você mora em uma comunidade terrível; até os policiais estão se demitindo. Não há nada que possamos fazer por você”.
Eis aí um exemplo de como o pensamento humano, mesmo bem-intencionado, enxerga os problemas a partir de uma perspectiva limitada, o que pode ser desanimador.
A essa altura eu estava com vontade de chorar, mas, ao sair da delegacia, veio-me um pensamento maravilhoso: “Não há nada que vá me forçar a odiar minha comunidade”. Acho que todas as pessoas pelas quais passei na rua, naquele dia, sorriram para mim. Aquelas lágrimas de desânimo, de desistir de procurar uma solução humana, trouxeram à luz a presença de Deus ali comigo e, iluminado por essa presença divina, o amor inerente à minha comunidade se revelou para mim. Isso me preparou para tomar atitudes efetivas em demonstração do poder de Deus.
Duas ou três semanas depois, percebi a necessidade de volver-me a Deus de todo o coração, para estar totalmente em paz a respeito desse problema. O Apóstolo Paulo diz: “…as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo…” (2 Coríntios 10:4–5).
Decidi estudar mais a fundo as citações da Bíblia e de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy, incluídas na Lição Bíblica daquela semana, constante do Livrete Trimestral da Ciência Cristã. Procurei ideias espirituais que me trouxessem paz. Ao final do estudo, eu tinha uma única pergunta: “Como poderia aquela criança” — eu supunha ter sido uma criança a pegar o casaco — “ser alcançada pela minha oração?”
Não que eu achasse que ela não merecia o amor de Deus; longe disso. Eu queria que ela sentisse a bênção do amor de Deus, por intermédio da minha oração. Mas pensei que talvez essa criança nem acreditasse em Deus, e muito provavelmente não soubesse nada a respeito da Ciência Cristã. Então a pergunta implícita em minha pergunta era: “Como posso orar com eficácia pela minha comunidade?”
Bom, Deus respondeu àquela oração de amor isento de ego.
A Lição Bíblica continha referências aos quatro rios descritos em Gênesis 2, e comentários de Ciência e Saúde que transmitem o senso espiritual a respeito do seu significado. Isso me levou a pensar nos leitos pedregosos dos rios que se entrelaçam no sul do meu país, a Nova Zelândia. Esses rios fluem dos Alpes do Sul e atravessam as Planícies de Canterbury, até o Oceano Pacífico. Durante as cheias, as águas cobrem seus leitos por completo, até as margens, mas o normal é seguirem pelos canais formados naturalmente nesses leitos.
Imaginei um leito de rio, seco devido ao calor do verão, enchendo-se de água da chuva ou do degelo da neve das montanhas. Ao visualizar a água descendo pelo leito seco do rio, notei que ela ia molhando cada pedra, cada cascalho em seu caminho — todos eles. Para mim, essa imagem se assemelhou à luz do Cristo em nossa consciência, tocando e iluminando todos sobre quem repousam nossos pensamentos, inclusive os integrantes de nossa comunidade. Com essa percepção, senti-me totalmente em paz.
Isso aconteceu ao meio-dia, e não pensei mais sobre o casaco do meu filho, a tarde inteira. Eu simplesmente estava em paz. Quando as crianças voltaram da escola, ouvi meu filho correr pela casa, gritando: “Mãe, peguei meu casaco de volta! Peguei meu casaco de volta!” Um amigo o encontrara dobrado e enfiado em uma fresta no banheiro, ao final do intervalo de almoço — menos de uma hora depois de eu ter compreendido que o Cristo toca a cada um que procuramos abençoar. Eu amo a rapidez dessa cura!
Quando essa experiência ocorreu, eu estava procurando emprego e, em um mês, encontrei trabalho na câmara municipal. O salário era bom, no entanto o de que eu mais gostei foi o fato de estar trabalhando para a minha comunidade. Passei 20 anos, felizes, trabalhando lá.
Nós não temos de simplesmente tolerar os problemas em nossa comunidade. Quando algo nos perturba, podemos orar a respeito da questão — não apenas ignorá-la, ou ter a esperança de que desapareça. Podemos nos volver a Deus e às verdades da Bíblia e de Ciência e Saúde, até sentirmos que tivemos uma revelação e fomos inspirados. Então, podemos raciocinar com essa inspiração até a luz do Cristo, a Verdade, dissipar a escuridão dos limitados conceitos mortais. Conforme a Sra. Eddy escreve: “Os bons pensamentos são uma armadura impenetrável; assim revestidos, estais completamente resguardados contra os ataques do erro de qualquer espécie. E não só vós estais em segurança, mas dessa forma são beneficiados todos aqueles sobre os quais repousam vossos pensamentos” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 210).
Todos temos o senso espiritual — a habilidade de sentir a presença de Deus, de responder ao comando dEle e ajudar nossa comunidade a encontrar redenção e cura.
