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Original para a Internet

Amor: "Que palavra!"

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 16 de abril de 2019


No seu livro Miscellaneous Writings[Escritos Diversos] 18831896, em um artigo intitulado “Amor”, Mary Baker Eddy diz: “Que palavra! Ela inspira em mim um sentimento de reverente admiração. Quantos os mundos que ela abrange e sobre os quais exerce soberania! Aquilo que não deriva de coisa alguma, o incomparável, o 

Tudo infinito do bem, o único Deus, é o Amor” (pp. 249, 250).

Para o senso humano, o Amor é um milagre. Para si mesmo, o Amor é essencialmente natural. Ele é divino. É perfeito, completo em si mesmo, eterno, invariável, incapaz de desarmonia, frustração, inconstância ou instabilidade.

O Amor é incorpóreo, livre de fisicalidade e senso pessoal. Ele é supremo, pois é sem igual como o Uno e Único em sua glória e majestade. É infinito, sem limites, sem medida, não confinado. O Amor revela a natureza e a essência de Deus; daí seu poder, sua presença, sua capacidade intuitiva. O Amor não deriva de nada, a não ser de si mesmo; envolve seu objeto dentro de si mesmo como sua própria evidência imediata, pois o Amor é aquilo que tudo inclui, que tudo abrange. É incomparável porque não tem igual, nem competidor, nem rival — “o único Deus, é o Amor”. Daí a pureza do Amor, a força do Amor, a alegria do Amor. O Amor não depende de nada, a não ser de si mesmo, não sabe de nada, senão de si mesmo, não acredita em nada, senão em si mesmo, não é nada além de si mesmo. Ele ama porque é o Amor. Não existe nenhum lado de fora para o Amor, nenhuma fronteira. O Amor não tem gostos e desgostos. Não tem favoritos; é apenas Um e Uno.

“Aquilo que não deriva de coisa alguma, o incomparável, o Tudo infinito do bem, o únicoDeus, é o Amor.” Assim, o ódio, o medo, o deleite excessivo em emoções, a sensualidade, a luxúria e a rivalidade, o apego ao ego, a crueldade e o egotismo daquilo que erroneamente se chama amor são os hipotéticos opostos do Amor, tão pleno de pureza, desapego ao ego e constância. 

No mesmo artigo, definindo o amor que reflete o divino, a Sra. Eddy nos fala das exigências que ela faz ao amor, dos sacrifícios e das grandes realizações que têm de ser o resultado do amor; porque o amor não é mera abstração, mas é o bem provido de atividade e poder. Não há bem passivo nem amor estagnado. O Amor é a Vida; é ação, vitalidade, poder, algo para ser sentido e vivido, não meramente falado.

Agora, o que dizer desses sacrifícios? O que somos chamados a depositar no altar? De uma maneira superficial, podemos achar que depositar tudo sobre o altar significa trazer nossos medos e falsas ambições, nossos amores e ódios, nossas acalentadas esperanças e desejos humanos, e colocá-los sobre o altar da Ciência para serem queimados e eliminados; mas o sacrifício que a Ciência exige é mais profundo.

O sacrifício oferecido pelos israelitas era um cordeiro sem defeito. Eles não traziam todas as ovelhas velhas decrépitas e doentes para delas se desfazerem no altar, enquanto guardavam para si as mais novas, belas e promissoras. Não! Nada inferior ao cordeiro perfeito poderia ser colocado sobre o altar. E assim, quando o ministério do Mestre libertou seus discípulos dos rituais judaicos, ele mesmo se tornou para eles o Cordeiro de Deus. Sua renúncia absoluta a ter um ego separado de Deus estabeleceu sua pureza e inocência. Sua demonstração inigualável da Vida foi o sacrifício. Esse sacrifício não foi sua submissão à morte, mas seu triunfo sobre a morte, que tirou os pecados do mundo porque refutou toda alegação de vida na matéria. A unificação de Jesus, sua demonstração do único Ego, demonstração que todos nós temos de cumprir, foi essa a prova que ele deu de sua declaração (João 10:30): “Eu e o Pai somos um”. Esse sacrifício foi sua suprema prova do Amor.

A Ciência Cristã demonstra que o Amor é o Princípio divino e universal. O tema do Antigo Testamento é a justiça e a equidade de Deus, intercaladas com versículos, tais como: “…Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3). No entanto, no Antigo Testamento, Deus era um Deus que castigava. O Novo Testamento, repleto da vida do Mestre, revela que Deus é o Amor. E o apóstolo Tiago descreve a Deus como Aquele em quem não pode existir variação ou sombra de mudança, portanto, como o Princípio.

Quão desesperadamente o mundo precisa compreender que o Amor é o Princípio. Não se conquista a igualdade tendo como ponto de partida a crença em muitas raças, e depois tentando amalgamá-las, fundi-las. O Amor não começa com muitos para depois torná-los um; o Amor começa com Um, que é Uno e Único, e se expressa em um todo harmonioso, uma autoexpressão infinita e indivisível. Nesse Um que é o Único não há nem superioridade nem inferioridade; pois o Amor reflete sua própria perfeição e excelência em uma variedade infinita de formas, contornos e cores. Assim é que só a Ciência Cristã, demonstrando que o Amor é o Princípio, contém a resposta para os problemas do mundo.

No raciocínio materialista, tudo é dividido em partes, e o esforço humano tenta unir essas partes em um todo harmonioso. O homem é dividido em bilhões de homens, fragmentos que presumem ter sua própria importância em si mesmos; os homens são divididos em raças, as raças em nações; e todos eles — fragmentos, raças e nações — estão em guerra uns com os outros, lutando pelo interesse próprio e pela sobrevivência do mais apto.

Na Ciência, tudo é um. O ponto de partida é Deus e Deus é Um e Único. Assim, Deus expressa Sua própria qualidade de ser Um só Deus, manifesta Sua própria perfeição, constitui Sua própria individualidade infinita e identifica-Se em incontáveis formas de beleza e bondade. A identidade é a multiplicidade da forma pela qual o único Ego ou individualidade infinita se identifica. Ali onde é o Espírito que dá forma a tudo, não há nenhuma deformidade. Ali onde o Princípio reina, não há nenhuma inferioridade.

Todos os problemas humanos, que afetam as pessoas individualmente, as raças e as nações, só podem ser resolvidos tendo-se por base a Deus como o ponto de partida. Esses problemas têm de ser metafisicamente resolvidos. Não há nenhuma solução física para eles. Compreendendo isso, o Cientista Cristão reconhece a importância de fazer diariamente o trabalho metafísico em espírito de oração pelo mundo. Ele sabe que não existe algo como um Cientista Cristão insignificante, porque a própria Ciência Cristã é de suma importância. Ser um verdadeiro Cientista Cristão é a maior missão sobre a terra. Significa abandonar a confiança na matéria, vigiando cada um de nossos pensamentos e estabelecendo assim nossa integridade espiritual, nossa inocência, para que nós também possamos ser o sacrifício no altar do Amor. Isso significa plantar nossa vida no Amor que é o Espírito.

A Ciência só pode ser compreendida a partir da base de um Ego único — não um Ego rodeado de bilhões de pequenos egos que o refletem, mas um único Ego, refletindo-se em incontáveis formas espirituais, e permanecendo para sempre um único Ego. O conceito humano de família é uma unidade composta de muitos egos — o pai é um ego, a mãe é um ego, cada filho é um ego separado — ao passo que a Ciência declara um único Ego revelado como Pai, Mãe, Filho.

Essa compreensão rompe o sonho mortal da sensação material e da vida na matéria e eleva ao Espírito nosso senso de beleza terrena. Isso nos capacita a contemplar o universo da criação do Amor. Em sua Message to The Mother Church 1902 [Mensagem À Igreja Mãe para 1902], a Sra. Eddy diz: “A palavra latina omni,que significa todo,usada como prefixo para as palavras potência, presença e ciência,significa todo o poder, toda a presença, toda a ciência. Usai essas palavras para definir a Deus, e nada mais restará para ser conhecido, exceto o Amor, sem começo e sem fim, que é precisamente o eterno Eu sou, e o Tudo, além do que nada mais existe” (Message to The Mother Church 1902, p. 7).

A eterna presença do Amor! Não importa o que pareça estar acontecendo, nunca podemos nos afastar dele ― o Amor, o Eu sou, a presença atuante, o poder irresistível, o infinito tudo do existir! Onde quer que o Amor esteja, o Cristo está, porque o Cristo é a manifestação do Amor, que vem à humanidade, trazendo cura em suas asas. Além disso, o Cristo é a evidência imediata do Amor, derramando a magnitude de sua própria inesgotabilidade; o Amor, abençoando com infinita ternura; o Amor, constituindo o próprio tudo do existir. Jesus demonstrou o Cristo. Ele foi o conceito corpóreo humano mais elevado do Cristo, desse homem perfeito ou da ideia divina do Amor. Sua origem era o Amor; sua Vida era o Amor; seu próprio existir era o Amor.

Em Miscellaneous Writings, a Sra. Eddy escreve (p. 212): “A lei do Amor diz: ‘Não se faça a minha vontade, e sim a tua’, e a Ciência Cristã prova que a vontade humana se desvanece na divina; e o Amor, o Cristo imaculado, é o que concede a graça”. A vontade humana alega ser criadora, e todo mortal é o seu produto. A Ciência silencia a vontade humana. Quando “a vontade humana se desvanece na divina; e o Amor, o Cristo imaculado é o que concede a graça”, não há vácuo, nem esperança vã, nada prometido que não seja cumprido. A ideia de Deus não se origina na vontade humana; não passa por nenhum processo de concepção, nascimento, maturidade, decadência. De eternidade a eternidade, a ideia do Amor, o homem, existe plenamente desenvolvido, seguro e completo na Mente do Amor, pois o homem é a plena expressão de Deus.

Jesus, que nos mostrou o Caminho, nunca deixou de reivindicar sua verdadeira identidade. Ele não era o filho da vontade humana; ele reconheceu sua identidade como ideia divina, assim como nós também devemos fazer. Ele se referiu ao seu status espiritual, dizendo (João 3:13): “…ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem, [que está no céu]”. É por isso que a vontade humana não podia moldar seu destino. De novo ele disse (João 8:14): “…sei donde vim e para onde vou”. Jesus provou que o homem é imortal e permanece para sempre no céu. Ele provou em todas as situações que a glória do Cristo está presente e é demonstrável.

Jesus sabia que o Ego é a Mente. Quando ele disse: “Eu e meu Pai somos um”, ele não estava falando de dois, eu e meu Pai, como seria o caso em um senso humano. Não estaria ele apontando para o fato de que o Ego é o Pai, o Espírito, ou seja, o Princípio divino e sua ideia, é o Ego imortal e ilimitado ou individualidade infinita, para sempre se refletindo e identificando-se a si mesmo? Ele provou que, em toda a criação de Deus, a individualidade é inevitavelmente preservada, assim como a Mente é preservada. Não se pode perder nem uma nem a outra.

Jesus foi tão radical em sua obediência ao Princípio, tão radical em sua maneira de apoiar-se só em Deus, que sua vida, de tal modo plena de Amor, para a mente carnal parecia ódio. Sua repreensão para com o mal era intransigente. Como Cientistas Cristãos, temos de seguir seu exemplo. Mas a repreensão científica ao erro não é uma pessoa, condenando outras pessoas. É a ação do Cristo, a operação impessoal do Princípio divino, o Amor, que destrói o erro. A maneira espontânea com que Jesus refletia o amor fazia com que suas curas fossem sem esforço e instantâneas. Somente a espiritualidade, que tem sua essência no Amor, pode pôr o erro a descoberto e vencer os males da matéria.

O Amor não conhece tempo. As flores do Amor nunca desaparecem. Elas vivem e florescem na glória da eternidade, onde o tempo não existe. As machucaduras causadas pela negligência e as cicatrizes causadas pelo ódio desaparecem sob o toque do Amor. No Amor todo o existir é perene e imortal. O Amor não vê nada além de sua própria beleza, frescor e santidade.

Tudo o que se apresenta como mortal está compreendido na delusão do tempo, e a morte é sua crença culminante; ainda assim, o Revelador no Apocalipse previu o dia em que o tempo já não existiria (ver Apocalipse 10:5, 6). A mente mortal diz que somos todos objetos do tempo: nascemos em um determinado momento; morremos em um determinado momento; e nossa vida, dia após dia, ano após ano, é regulada, não pelo Princípio, mas pelo tempo. Toda a história está restrita às células do tempo. De acordo com a crença humana, a cura leva tempo; a experiência e a sabedoria levam tempo; o progresso leva tempo. Mas o que é o tempo? Não seria a concepção finita da mente mortal sobre o que é a eternidade? Quando Jesus disse (João 4:35): “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até a ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa”, ele estava se referindo ao imediatismo do Amor. Seu senso supremo a respeito do Amor demonstrou a Vida eterna.

Não é de admirar que nossa Líder diga que “Aquilo que não deriva de coisa alguma, o incomparável, o Tudo infinito do bem, o únicoDeus, é o Amor”.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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