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Original para a Internet

Derrube a “quarta parede” da incredulidade

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 22 de agosto de 2019


No mundo do teatro, “derrubar a quarta parede” é remover a ilusão de separação entre o público e os atores no palco. Este geralmente tem três paredes sólidas e uma “quarta parede” invisível entre os atores e o público. Embora essa “parede” pareça separar os dois grupos, é claro que não há nenhuma barreira real que os mantenha separados. Essa suposta barreira é imaterial, sem substância, e pode ser ultrapassada a qualquer momento.

Comecei a pensar a esse respeito recentemente, enquanto ponderava sobre o que, às vezes, parece nos separar de ver logo a cura que desejamos obter como resultado de termos orado. “O que poderia ser essa aparente barreira que parece existir entre nós e a demonstração da Ciência do Cristo, ou seja, a demonstração das leis de Deus, praticada por Cristo Jesus? Seria esse suposto impedimento para demonstrar a cura algo fácil de atravessar, tal como a ilusória ‘quarta parede’ de um teatro?” perguntei-me. Não seria esse medo, de que a cura não seja possível, semelhante ao nosso hábito de presumir que não haja interação entre os atores e o público ?

Embora vencer toda resistência à cura cristã que possamos enfrentar seja algo que cada pessoa pode fazer recorrendo à ajuda de Deus, acho que um fator que pode ser levado em conta é a incredulidade predominante na sociedade atual, que pode sutilmente se infiltrar em nosso pensamento. Mas a boa notícia é que essa parede mental pode ser derrubada, à medida que compreendemos que nada pode realmente atrapalhar o Cristo ― a Verdade que cura. Portanto, em substância, a aparente parede é inexistente.

Em um artigo intitulado “Unbelief and Faith” (Incredulidade e Fé), publicado na edição de julho de 1910 do Journal, William P. McKenzie faz uma distinção entre incredulidade e descrença. Poderíamos dizer que a descrença é a total desconfiança e rejeição de um conceito. Na descrença, pode-se argumentar que a premissa fundamental de uma ideia é falha. Mas a incredulidade é mais sutil. Como o Sr. McKenzie o coloca: “A incredulidade, que aparece como um entrave no caminho do progresso espiritual, não é tanto uma descrença na verdade que foi apresentada, mas sim consiste em ocupar a mente com crenças que são contrárias à verdade. Uma vez que a mente está assim pré-ocupada, ela não tem nenhum espaço para acolher a verdade”.

Então, a questão é: Ao que é que somos mais receptivos: à verdade de Deus, que cura, ou a coisas que nos desviam dessa verdade? A verdade que cura é a compreensão de que Deus, o Espírito é Tudo, e nada pode ser acrescentado ao Tudo; existe somente Deus e a expressão do ser de Deus ― isto é, a criação espiritual, que inclui o homem espiritual, a verdadeira identidade de homens, mulheres e crianças. "O ponto de partida da Ciência divina é que Deus, o Espírito, é Tudo-em-tudo, e que não existe outro poder nem outra Mente ― que Deus é o Amor e, por isso, Ele é o Princípio divino.", explica Mary Baker Eddy em Ciência e Saúde com Chave para as Escrituras (p. 275). Orientados por esse fato, estamos aptos a demonstrar o poder de curar, e que Cristo Jesus esperava de seus seguidores.

No entanto, constatei que podemos orar e estudar diligentemente para aprender mais sobre a Verdade divina, podemos nos empenhar por viver uma vida semelhante à do Cristo e esforçar-nos para colocar a Ciência do Cristo, a Ciência Cristã, em prática, enquanto que, ao mesmo tempo, nem por isso admitimos 100% em nosso íntimo que só Deus, o Espírito, é Tudo. Tudo. E que nada dessemelhante de Deus, o bem, é verdadeiramente real. Nada. Admitir que o Espírito é Tudo significa reconhecer que a matéria não é a substância da criação ou da existência; que ela não pode realmente nos prejudicar nem nos curar. Mas inconscientemente, pode parecer que estamos presos em uma teia de incredulidade, ocupados com ideias dessemelhantes do Espírito divino, condicionados pela constante invasão do materialismo transmitido pelo secularismo que predomina em nossos dias.

Em Ciência e Saúde lemos:“A causa que promove toda doença e lhe dá um ponto de apoio é o medo, a ignorância ou o pecado” (p. 411). Para mim, o principal medo subjacente, que se apresenta como desarmonia e doença, é uma profunda ansiedade que reconhece que Deus, o Espírito, é muito, o maior, mas talvez não seja o Tudo ― que talvez haja de alguma forma um grão de verdade naquilo que os sentidos materiais estão nos dizendo sobre haver outra presença ou poder além de Deus.

Mas podemos nos proteger desse embuste, reconhecer e erradicar qualquer sinal de incredulidade, rompendo assim a quarta parede sem substância que nos diz que existe algo nos separando de uma demonstração mais elevada da Verdade divina. Para fazer isso, é necessário reconhecermos e compreendermos em certo grau o fato absoluto, incontestável, completo, integral de que Deus, o Espírito, é tudo, e a presença constante e eterna do Cristo, o mensageiro do bem de Deus para todos. Como o Apóstolo Paulo disse sobre o Cristo: “Ele é a nossa paz, o qual... derrubou a parede de separação que estava no meio entre nós” (Efésios 2:14, conforme a Bíblia na versão King James).

O livro de Isaías registra que Deus fala diretamente a nós: “Eu sou o Senhor, e não há outro...” (45:5). A Bíblia não só reafirma esse fato espiritual, mas dele fornece provas repetidas vezes, por meio das maravilhas registradas tanto no Antigo como no Novo Testamento ― as mais notáveis das quais são as curas realizadas por Cristo Jesus. Jesus nunca recomendou o uso de remédios nem recuou diante de uma doença física inquietante. Jesus não teria conseguido vencer de forma constante o pecado, a doença e até a morte, se ele ficasse imaginando se alguma outra força, ou poder, que não fosse Deus, o bem, estivesse realmente presente e em ação.

Seguindo pelo caminho que Jesus nos indicou, Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, teve a sagrada revelação de que Deus, o Espírito, é Tudo, por isso não existe nenhuma substância nem doença além da Mente divina e de sua criação. A mente mortal ― uma suposta mentalidade que não é de Deus ― pode parecer uma força que opera contra o bem infinito e onipresente. Mas a Sra. Eddy viu que essa charada era uma mentira, viu que era uma falsificação da única Mente verdadeira. Ela compreendeu que não podemos confiar nos sentidos materiais como portadores da verdade, e que confiar neles é uma tentação que busca distanciar-nos da compreensão e da demonstração da verdadeira natureza da realidade, do Espírito. Para nos ajudar a defender nosso pensamento e para fazer com que avancemos em nossa compreensão e em nossa prática da Ciência Cristã, ela nos aconselha: “Insiste com veemência no fato grandioso que se aplica a todas as situações, o de que Deus, o Espírito, é tudo, e que não existe outro além dEle” (Ciência e Saúde,p. 421).

Em um mundo saturado de pensamentos e ações materialistas, pode ser difícil, mas não impossível, reconhecer que Deus, o Espírito, a Mente, é real. Quando precisamos fortalecer nossa fé no Espírito como o Tudo, podemos nos voltar para a Ciência divina a fim de obter uma base firme. Afinal, a Ciência divina é uma Ciência, portanto, ela inclui provas. As provas de cura por meio da Ciência Cristã têm sido documentadas há mais de 125 anos. “A Ciência, a Ciência divina, apresenta as grandiosas e eternas verdades de Deus e do homem como sendo a Mente divina e a ideia dessa Mente”, escreve a Sra. Eddy em seu livro Não e Sim (p. 27).

Constatei que, quando me esforço para entender melhor essas “eternas verdades”, sou mais capaz de manter a linha de demarcação contra as sugestões de que exista uma criação que não seja a de Deus, o Espírito. E quando faço isso, sou mais bem sucedida em meus esforços para curar.

Certa vez, quando uma pessoa me pediu tratamento pela oração para um problema físico difícil de que estava sofrendo, respondi: “Fico feliz em ajudar”, como normalmente fazia quando alguém me solicitava. Mas admito que, nesse caso, por um momento, uma “quarta parede” de medo e incredulidade tentou aparecer. E se eu não conseguisse que essa cura se realizasse?

Lembrei-me de Deus como sendo o Tudo e levei em consideração que Deus, a Verdade ― e não eu ― era o que curava. Isso ajudou a fazer com que a “parede” parecesse menos sólida. Então, recorri ao Espírito divino, orando por inspiração e confiança, das quais eu precisava muito a fim de ter certeza de que aquela pessoa, aquela preciosa ideia do Amor divino, estava completamente sã, bem e em segurança.

Fui inspirada a ler esta passagem em Ciência e Saúde:“O medo nunca fez parar o existir e sua ação. O sangue, o coração, os pulmões, o cérebro, etc., nada têm a ver com a Vida, Deus. Toda função do homem real é governada pela Mente divina. ... Tudo o que realmente existe é a Mente divina e sua ideia, e se constata que, nessa Mente, o inteiro existir é harmonioso e eterno. O caminho reto e estreito consiste em ver e reconhecer esse fato, em ceder a esse poder, e seguir as diretrizes da verdade” (p. 151).

Esse trecho me assegurou que o medo não tinha autoridade sobre o paciente, sobre mim, sobre ninguém. O medo não podia ser o mestre de cerimônias. Tudo sobre o nosso verdadeiro existir é governado pela Mente divina, Deus, e, portanto, nosso existir é ordenado, harmonioso, contínuo, forte e livre. Meu trabalho era me entregar mentalmente a esse fato espiritual, reconhecer com cada fibra do meu ser que esta é a única realidade e que Deus, e a manifestação de Sua bondade, é tudo o que realmente existe, realmente tudo.

Algumas vezes, eu li relatos de cura publicados nesta revista, que descreviam como o autor, ao orar, sentiu um profundo jorrar de convicção interior a respeito de uma determinada verdade espiritual que estava afirmando. Como resultado, a cura fora realizada. À medida que eu orava com as verdades que mencionei anteriormente, bem como com outras, senti essa profunda confirmação espiritual a respeito de Deus como o Tudo. Mais tarde, o paciente relatou que tudo estava bem; que tudo estava completamente normal.

Nenhuma aparente “quarta parede” pode verdadeiramente nos separar do amor sempre ativo de Deus, que se expressa em harmonia e na cura pelo Cristo. Como o Apóstolo Paulo o coloca: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38, 39).

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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