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Original para a Internet

Deus não tem netos

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 3 de maio de 2021


Recentemente, passei algumas horas tomando conta do meu netinho, e nos divertimos muito. Primeiro, eu lhe dei a mamadeira, depois cantei para ele e carreguei-o nos braços, enquanto ele tirava uma soneca. Depois, brincamos no chão com seus brinquedos. Ele estava muito feliz — e eu também. Mas quando a mãe dele chegou e apareceu na porta, ele ficou eufórico. Engatinhou até ela o mais rápido que pôde, e quando ela o pegou e o levantou nos braços, ele olhou para mim com um enorme sorriso e não parava mais de rir. Ele age da mesma maneira quando seu pai volta para casa depois do trabalho. Os pais do meu neto gostam muito dele e ficam muito felizes ao vê-lo, assim como ele fica feliz de vê-los. 

Quando reflito sobre esse fato, compreendo claramente que é natural também nos sentirmos assim sobre a questão de nossa relação com nosso divino Pai-Mãe, Deus. Levo em conta o fato de que nosso relacionamento com Deus não é como o de um neto para com o avô, ou seja, um parentesco de segundo grau, mas sim é muito chegado, entre um filho e um pai amoroso. Deus ama e se rejubila com cada um de nós como Seu próprio filho. Na Bíblia, o profeta Jeremias entendeu isso e escreveu: “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).

Será que realmente nos damos conta do quanto Deus ama a cada um de nós? Esse amor não é esporádico nem temporário. O amor de Deus — o Amor que é Deus — está conosco o tempo todo, e nos nutre, nos orienta, nos protege e nos guia. Davi, o pastor, compreendeu isso, pois lemos suas palavras: “O Senhor é o meu pastor…”, e em seguida descreve em detalhes o quanto Deus cuida de Sua criação (ver Salmo 23).

No entanto, foi Jesus quem fez referências mais definidas a respeito da ternura que esse Pai divino nutre por seus filhos, quando chamou a Deus de Aba, um termo muito afetuoso que significa “pai”. Quem não desejaria ter um relacionamento assim íntimo e carinhoso com Deus, o Amor divino? Jesus sabia que é assim que todos nós nos relacionamos com Deus, pois a oração que ele nos ensinou começa com as palavras “Pai nosso”. Agora mesmo nós temos essa intimidade com o Pastor todo sábio e todo amoroso. Todos nós, em toda parte, temos esse cálido e carinhoso relacionamento com Deus e podemos aceitar tudo o que isso significa.

Talvez algumas pessoas nunca tenham tido uma boa relação com seus pais humanos. Mas, independentemente da nossa família humana, nossa relação com Deus está intacta e é forte, gratificante e fortalecedora, porque nós coexistimos com nosso divino Pai-Mãe Deus. Nosso relacionamento com Ele é de união, um com Deus. Ele não nos cria por meio de outras pessoas, nem fomos adotados por Ele ou colocados sob Seus cuidados. Deus nos criou, e nunca nos deixou. Nós sempre existimos em Seu amor. Não há nada em nosso passado que possa separar a Deus do amor que Ele tem por nós. 

A compreensão a respeito da nossa identidade espiritual — de nosso verdadeiro existir como filhos de Deus — é encontrada na Bíblia. O apóstolo Paulo escreveu para os cristãos em Roma: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo…” (Romanos 8:16, 17). Deus, não dois progenitores humanos, nos criou a cada um de nós como filhos, Sua geração espiritual, e nós herdamos todas as boas qualidades que constituem a Deidade, tais como afeto, beleza, bondade, inteligência, discernimento, alegria, felicidade, senso espiritual, pureza, perfeição. Levando-se em conta que Deus é inteiramente bom, e não inclui nenhum traço do mal, dEle nunca herdamos nenhuma característica do mal, nem qualquer susceptibilidade à doença, à tentação, ou ao vício. Somente Deus determina nossa composição “genética”, que é espiritual, não biológica.

Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, passou a vida toda estudando a Bíblia e praticando o bem que a Bíblia ensina. Em seu livro, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, ela define a Deus, usando sete sinônimos que constam na Bíblia: Princípio, Mente, Alma, Espírito, Vida, Verdade e Amor. E ela define, em parte, a verdadeira identidade espiritual do homem (que significa todos, tanto o homem quanto a mulher), com estas palavras: “O homem é espiritual e perfeito; e por ser espiritual e perfeito, tem de ser compreendido dessa maneira na Ciência Cristã. O homem é ideia, a imagem, do Amor; ele não é físico. Ele é a ideia de Deus, ideia composta que inclui todas as ideias corretas; o termo genérico para tudo o que reflete a imagem e a semelhança de Deus; a consciente identidade do existir, como mostra a Ciência, na qual o homem é a reflexão, o reflexo, de Deus, ou seja, da Mente, e portanto é eterno; …” (p. 475).

A Mente divina é a fonte da nossa inteligência, compreensão e estabilidade. A Vida divina é a fonte da nossa agilidade e capacidade. A Alma infinita nos fez harmoniosos, belos e pacíficos. Herdamos do Espírito a coragem, a força e a convicção. A Verdade nos dá integridade e honestidade. O Princípio divino nos mantém equilibrados e sob a ordem divina. E o amor, a compaixão e a simpatia que sentimos pelos outros provêm diretamente do Amor divino. Herdamos de Deus essas qualidades maravilhosas, e muitas outras mais. A lista é praticamente infinita, porque a bondade de Deus é infinita. Tudo isso não é o que esperamos receber um dia; é a verdade agora. Só precisamos aceitar essa identidade espiritual como a verdade a nosso respeito, e viver a partir dessa base.

Paulo também diz aos Romanos: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38, 39). Isso abrange tudo! 

Nunca estamos separados de Deus, nunca estamos afastados ou nos afastamos dEle. Cada um de nós coexiste com Ele como Seu próprio filho. Nada — nenhuma circunstância, situação, ambiente, ou passado — pode nos separar do amor e do cuidado íntimo de Deus por nós. Não há nenhuma razão para acreditar que você esteja fora do seu Pai-Mãe Deus, nem sequer por um momento. Agora pergunto, quem não desejaria esse relacionamento? Nunca somos demasiado velhos e nunca demasiado jovens para usufruirmos desse nosso eterno parentesco com Deus.

Tudo isso foi muito útil para mim quando atingi uma determinada idade — a idade em que minha avó, meu pai e meu irmão faleceram. À medida que eu me aproximava desse número de anos, comecei a me perguntar se havia algo na composição de nossa família que nos predispusesse a falecer prematuramente. Eu realmente orei para saber que, como ideia espiritual, como filho de Deus, eu tinha um parentesco mais chegado com Ele do que com a minha própria família humana. Eu realmente analisei quem eu pensava ser e comparei o resultado dessa análise com quem Deus sabia que eu era. Então, ficou muito claro para mim que eu sou filho de Deus, e não de um pai e de uma mãe humanos (por mais amorosos que estes sejam).

Passei a conhecer a Deus ainda melhor, graças a esses sete sinônimos de Deus, e a valorizá-los como a minha verdadeira família, meus genitores. Obviamente, eu não faleci quando atingi aquela idade. Aliás, ultrapassei aquela marca já há muitos anos. Essa compreensão a respeito da filiação divina também me tornou um pai melhor, pois sei que o verdadeiro Pai e Mãe dos meus filhos (e agora do meu neto) é Deus.

E que família somos todos nós — uma família mundial! Uma família de filhos, todos sob os cuidados e a orientação de um Pai-Mãe divino e amoroso. Ninguém está uma geração (ou mais de uma geração) afastada de Deus, mas todos são Seus, os filhos queridos de Deus, agora e para sempre.

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“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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