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Original para a Internet

A estabilidade da Vida

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 20 de julho de 2026


O que fazer quando a vida parece desmoronar, quando o que antes parecia estável e seguro agora parece ter perdido seus alicerces?

Seja um relacionamento, uma carreira ou um senso de direção que parecia definido, há momentos em que isso parece repentinamente incerto. Grandes mudanças parecem abalar nosso senso de estabilidade. O impulso natural talvez seja o de avaliar os danos, reconstruir, e tentar restaurar o que se perdeu.

A Bíblia, no entanto, aponta para algo mais profundo, para além do que parece estar acontecendo na superfície, e nos convida a avaliar se, de fato, foi perdido algo verdadeiro.

A Lição Bíblica desta semana, constante do Livrete Trimestral da Ciência Cristã, sobre o tema A Vida, inclui a história de Neemias, que enfrentou um grande desafio. Os muros de Jerusalém estavam em ruínas — derrubados, expostos e vulneráveis. À primeira vista, a situação parecia muito difícil. Oposição, desânimo e dúvidas rondavam o esforço de reconstrução. Contudo, Neemias não partiu da ideia de que alguma situação pudesse ser difícil demais para Deus.

Em vez disso, ele se manteve firme em seu propósito, atento à orientação de Deus a cada passo. Ao ser tentado a abandonar a obra, ele resistiu: “…Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer…” (Neemias 6:3). Sua resposta revela mais do que determinação, revela que sua obra era mais do que a reconstrução de muros. Sugere a recusa a permitir que o medo, a interrupção ou a situação material definissem aquilo que era espiritualmente verdadeiro. Sua firmeza pareceu refletir o reconhecimento de que o propósito e o fundamento de Deus nunca haviam sido, de fato, destruídos.

Mary Baker Eddy escreveu: “O senso errôneo de vida, substância e mente encobre as possibilidades divinas e oculta a demonstração científica” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, pp 325–326). O senso material argumenta que a vida pode ser instável, sujeita a desprezo, ou perdida. No entanto, se a Vida é Deus — plena e espiritual — o que parece danificado ou instável não é uma condição da Vida, mas uma percepção equivocada a respeito da existência.

Houve momentos em que minha vida pareceu sofrer abalos profundos. Há alguns anos, depois de haver, por vários anos, ensinado e dirigido a arte teatral, aceitei um novo emprego, mudei-me para outro estado e entrei em uma etapa da vida completamente diferente. Embora algumas das mudanças me agradassem, senti muita falta da criatividade, da alegria e do senso de propósito que o teatro me proporcionara por tanto tempo. Por vezes, parecia que uma parte importante da minha vida havia ficado para trás.

Durante esse período, com frequência ponderei sobre a história de Neemias, que a cada passo se apoiou na orientação de Deus. Pouco a pouco, comecei a perceber que minha vida não estava alicerçada em circunstâncias exteriores, eventos ou lugares conhecidos, mas em Deus, a Vida em si. O que parecia haver mudado não poderia alterar o que era espiritualmente verdadeiro. A vida, governada por Deus, jamais fora abalada.

Em Ciência e Saúde lemos: “Deus expressa no homem a ideia infinita que perpetuamente se revela, se expande e se eleva cada vez mais, procedendo de uma base sem limites” (p. 258). Comecei a vislumbrar a Vida não como algo confinado a um determinado desempenho humano ou a uma forma de expressão, mas sim como um desdobramento espiritual contínuo, governado por Deus. A aparência exterior de minha vida havia mudado, mas a Vida em si, não. 

À medida que minha percepção sobre a vida mudava, minha experiência continuou a se desdobrar de maneiras inesperadas. Por meio de novas amizades surgiu uma gratificante oportunidade de trabalho; também apareceram projetos de escrita criativa, e novas formas de expressar e compartilhar o bem que Deus estava me revelando. Esses aspectos da minha vida foram restaurados, como Neemias reconstruiu o que parecia perdido. 

Como Neemias, podemos nos recusar a ceder ao medo ou à limitação. A firmeza espiritual revela que, pelo fato de a Vida ser Deus, ela não pode ser fragmentada, desvalorizada ou perdida. Deus, a Vida, permanece como nosso fundamento espiritual, independentemente das mudanças humanas. Por isso, nosso trabalho não consiste em restaurar um senso conturbado de vida, mas sim, em reconhecer que a Vida é perfeita e permanece intocada e ininterrupta. 

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