As eleições são momentos de fazer escolhas. Sim, sempre que uma eleição é realizada decidimos sobre diferentes assuntos e entre partidos políticos e seus candidatos. Mas também fazemos uma escolha mais profunda sobre o que acreditamos ser o poder que governa.
Qual é o poder supremo que governa a mim, minha família, meus amigos, meu país e, até mesmo, o mundo? Personalidades humanas ou Deus? É a mente mortal ou a Mente divina? Onde deposito minha fé?
Toda polarização ou conflito que surja nas eleições é o resultado da crença de que o poder pertença a pessoas com qualidades boas e más, e não a Deus. Ficamos irritados porque temos a certeza de que existem candidatos cujas posições e atividades políticas nos prejudicarão. Se personalidades têm o poder de governar, nós temos motivos para temer.
A Bíblia, no entanto, nos indica um fato diferente: “…o poder pertence a Deus…” (Salmos 62:11). Aceitar que Deus, o bem, é todo-poderoso e governa a existência humana nos liberta do medo e da angústia. A Bíblia também declara: “…eu sou o Senhor, e não há outro” (Isaías 45:6). Isso nos mostra que o inimigo não é uma pessoa. O inimigo é a crença errônea de que exista um poder, uma mente ou uma presença diferente de Deus.
A ignorância e o medo são superados por meio do Cristo, a verdadeira ideia de Deus. Quando Pilatos perguntou a Cristo Jesus, antes da crucificação: “…Donde és tu?…”, ele não respondeu. Então, Pilatos perguntou se Jesus sabia que, como governador romano, ele tinha poder para matá-lo ou libertá-lo. Jesus respondeu: “…Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada…” (João 19:11).
Jesus não teve medo; ele sabia que o poder pertencia a Deus, e não a Pilatos.
Para Jesus, Deus não era apenas uma grande força em um mundo repleto de forças menores; Deus, o Espírito, era Tudo, o único poder. Por isso, ele sabia que não existia nenhuma verdadeira força ou mente maligna capaz de impedi-lo de seguir a vontade de Deus e cumprir sua missão. Ele sairia vitorioso, não importava como a situação se apresentasse naquele momento. E, na ressurreição, ele foi, de fato, vitorioso.
O Primeiro e o Segundo Mandamentos (ver Êxodo 20:3, 4) podem nos ajudar a proteger nosso pensamento e impedir que nos resignemos diante de qualquer alegação do mal, assim como Jesus protegeu o próprio pensamento. O Primeiro Mandamento nos ensina a não ter outros deuses diante de Deus. Não devemos ter, nem adorar, nenhum outro poder, nenhuma outra presença, nenhuma outra força ou mente. Com base nisso, temos a convicção de que Deus é nosso Rei, e Cristo, nosso Salvador, e de que nada mais, nem mesmo políticos ou partidos políticos, tem o poder de salvar ou destruir.
O Segundo Mandamento chama nossa atenção para o fato de que as tentações de acreditar em outro poder não passam de imagens, crenças mortais em um bem, ou um mal, de natureza material. Essas imagens são esculpidas no pensamento e negam a supremacia de Deus. “Não farás para ti imagem de escultura…”, diz o Segundo Mandamento.
Os noticiários, as redes sociais e a televisão transmitem muitas imagens de poder ou impotência material. Esculpimos um ídolo a partir do que lemos ou ouvimos, quando simplesmente aceitamos crenças errôneas, em vez de permitir que o Cristo eleve nosso pensamento, em vez de nos recusarmos a honrar qualquer poder que não seja Deus, o bem. Por outro lado, à medida que amamos e adoramos a Deus, deixamos de ter medo do mal. Quando o medo desaparece, somos capazes de tomar decisões inteligentes nas eleições. Escolhemos aquilo que representa o mais elevado conceito do bem dentro das circunstâncias.
Se nosso candidato perder e outro vencer, temos a oportunidade de continuar a fazer escolhas sábias. Mary Baker Eddy escreveu: “Entre as forças mentais centrípetas e centrífugas das gravitações materiais e espirituais, ou somos sugados pelo materialismo e o pecado, ou então nos desprendemos deles e escolhemos nosso rumo e seus resultados. Qual será, então, a nossa escolha: o pecaminoso, material e perecível, ou aquilo que é espiritual, que proporciona alegria e é eterno?” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 19). Podemos escolher aquilo que é espiritual e seguir em frente, assim como Jesus fez, com plena fé em Deus, que está incessantemente cumprindo Seu propósito.
Quando escolhemos honrar a supremacia do Espírito, é natural manter nossa visão elevada, e confiar na realidade e na influência do poder de Deus, não importa quem ganhe a eleição. Podemos saber que a orientação e a direção de Deus, o Amor, que é o perfeito bem, estão presentes com os que forem eleitos, bem como com todos os que integram o governo, e podemos orar para que sejam receptivos a essa sabedoria e compreensão. Podemos seguir em frente, reconhecendo que “…do Senhor é o reino, é ele quem governa as nações” (Salmos 22:28).
