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Original para a Internet

PARA JOVENS

Mover o monte do desânimo

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 10 de agosto de 2026


Eis uma curiosidade: a Terra está girando em torno de seu próprio eixo à velocidade de 1.670 km/h, medida na Linha do Equador. Isso é bastante rápido, mas não tanto quanto a velocidade de 107.000 km/h com a qual se move ao redor do Sol! Nós não temos a sensação de estar em movimento, mas estamos.

Quando eu me senti mentalmente presa em um lugar sombrio, tomada pela ansiedade e não vendo saída, nem como seguir adiante, lembrar desses fatos sobre o movimento da Terra me ajudou. Vou contar como.

Eu era já adulta quando precisei passar algum tempo com um dos meus pais devido a um problema familiar. O que começou como uma situação temporária transformou-se em diversos anos longe de minha própria casa. Eu também não consegui dar continuidade à minha carreira como atriz de teatro. Tinha a impressão de que minha vida ficaria em suspenso para sempre.

Além disso, eu estava achando difícil orar, algo que tinha o hábito de fazer com muita frequência. No entanto, durante um momento de escuridão, em que me senti presa e distante de Deus, esses fatos que mencionei me vieram à mente e me lembraram de que há muito mais coisas acontecendo do que aquilo que conseguimos ver. O que realmente está acontecendo nem sempre se limita ao que estou pensando, enxergando ou sentindo.

Raciocinei: “Ok, minha impressão é a de que estou estagnada, presa em uma rotina e não estou progredindo, e isso é insuportável. Fisicamente, porém, neste exato momento, eu estou de fato me movendo em alta velocidade, impulsionada por uma força invisível maior do que eu, embora imperceptível aos sentidos. Eu não sinto esse movimento, e não sou responsável por ele acontecer. Posso não ter conduzido a pesquisa original, nem elaborado os cálculos que demonstram esses fatos. Outras pessoas realizaram esse trabalho por mim, e eu tenho fé em que suas afirmações são verdadeiras. Não estou imóvel fisicamente; estou em movimento”.

Essa linha de raciocínio me trouxe algum conforto. No entanto, o mais importante foi ter permitido que um raio de luz penetrasse na escuridão. Meu pensamento seguinte foi: “Eu tenho fé”.

Percebi que era disso que eu estava sentindo falta: fé. Não uma fé cega, mas a fé fundamentada em Deus e Seu papel em minha vida. Isso foi importante, pois, devido aos anos de estudo da Bíblia, eu sabia que esse reconhecimento, mesmo em pequeno grau, é um divisor de águas.

Lembrei-me das poderosas palavras e exemplo de Cristo Jesus, ao prometer a seus discípulos: “Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível” (Mateus 17:20). Esse sim é movimento!

Perguntei a mim mesma se minha fé em Deus era como um grão de mostarda, a menor das sementes. Sim, eu acabara de admitir que sim.

Havia um monte que eu esperava mover? Sim — um monte, não no sentido literal, mas um bloqueio mental pesado, opressivo; uma montanha de desespero junto com a sensação de estar encurralada em uma situação sobre a qual eu não tinha controle. Seria meu grãozinho de fé capaz de mover esse monte? De acordo com Jesus, sim.

Eu sabia que podia confiar em Deus, a quem não vejo com os sentidos físicos, mas sei que Ele é um poder sempre presente. Meu argumento anterior, com base na física, veio de novo ao meu pensamento, mas dessa vez raciocinei partindo do ponto de vista espiritual: “Minha percepção é de que estou estagnada, presa em uma rotina sem progresso, e isso é insuportável. Mas, de acordo com o que Jesus e seus discípulos provaram a respeito de Deus, posso afirmar que estou totalmente livre, movendo-me para além dos montes do desespero, impulsionada por Deus, que é o único poder. Posso não sentir isso acontecendo, nem sou responsável por isso acontecer. Sou conduzida, sem qualquer esforço, pelo desdobramento contínuo da orientação de Deus, quer eu perceba e acredite nisso, quer não. Eu não sou a primeira a demonstrar esse fato espiritual; muitos fizeram isso antes de mim, principalmente Jesus, e eu tenho (um grão de mostarda de) fé em que seus ensinamentos são verdadeiros. Eu não estou estagnada; estou em movimento”.

Senti alívio e paz ao saber que Deus, que é totalmente bom, estava governando minha experiência. As circunstâncias não haviam mudado, mas meus pensamentos, sim. Eu sabia que tudo ficaria bem — na verdade, tudo estava bem. O desânimo havia sumido.

Hoje, escrevo este texto em minha própria casa, onde estou feliz, novamente junto ao meu marido.

Além disso, há pouco tempo recebi uma ligação inesperada. Depois de muitos anos afastada, tive o convite de uma companhia de teatro para fazer um papel importante em uma peça de Shakespeare.

Quase no fim da peça, o personagem declara a um monarca em depressão: “É necessário que despertes tua fé”. Na história, montes de infelicidade e anos de sofrimento se dissolvem para o rei.

Quer seja em uma peça de teatro, ou nas adversidades da vida, um grão de mostarda de fé em Deus é capaz de fazer, e de fato faz, toda a diferença.

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