A Bíblia diz o seguinte a respeito de Deus: “Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação” (Salmos 119:54) e declara ainda que “O Senhor é a minha força e o meu cântico, porque ele me salvou” (Salmos 118:14).
A inspiração que eu sinto ao ler Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy, é similar ao que vivencio ao ouvir uma bela obra musical — e é ainda melhor! Conheço outras pessoas que sentem o mesmo.
O livro Ciência e Saúde apresenta muito mais do que simplesmente um exercício de lógica metafísica. O senso espiritual que obtemos mediante essa leitura propicia cura e alegria. O livro inteiro é uma explicação do modo como essa cura se realiza. Mas, para mim, algumas vezes tem sido difícil compreender a Ciência divina que esse livro ensina. Uma forma de compreender esses ensinamentos me veio com a ideia de prestar atenção ao “cântico” desse livro.
Há alguns anos, depois de adoecer gravemente, tive de deixar meu emprego. Minha professora da Ciência Cristã havia me dado muito apoio por meio da oração, mas então veio a notícia de que ela havia falecido. Fiquei desolado e com medo. Comecei a orar, mas dei-me conta de que eu não conhecia a Deus muito bem. Então, peguei o livro Ciência e Saúde e comecei a lê-lo, direcionando minha atenção para o termo usado na Bíblia como sinônimo de Deus — o Espírito.
Eu lia dez páginas de cada vez, destacando o termo Espírito, e então voltava e relia cada frase ou parágrafo marcado, e me perguntava: “quem ou o que é Deus como o Espírito?” Após ter lido aproximadamente três quartos do livro, a matéria havia se tornado menos real para mim. Dissipou-se o medo, e eu estava completamente curado daquela doença. Eu ouvira o “cântico” — havia compreendido o senso espiritual do sinônimo Espírito — havia vislumbrado algo a respeito da verdadeira natureza de Deus, e de minha identidade inteiramente espiritual, como a expressão de Deus. Muito mais do que uma compreensão intelectual das palavras, aquele momento de inspiração elevou minha compreensão — senti-me como quando ouço uma bela melodia, conforme contei acima.
Os ensinamentos da Ciência Cristã apresentam alguns outros sinônimos de Deus, além do Espírito — tais como Mente, Alma, Princípio, Vida, Verdade e Amor. Para mim, cada um desses conceitos tem um cântico que lhe é próprio. Estudei o Amor no livro Ciência e Saúde, e compreendi o senso espiritual desse termo — o cântico por trás da palavra. Ao progredir nesse estudo do livro, lendo cada frase ou parágrafo referente ao Amor, de repente obtive uma magnífica compreensão a respeito do bem espiritual. É algo incomensurável. O bem que é superior a tudo o que eu já havia conhecido — o perfeito bem, Deus.
Ao estudar uma obra musical, inicialmente a pessoa vê apenas notas musicais em uma página. Conforme ela toca, pode parecer algo mecânico — bang, bang, bang ao pressionar cada tecla. Alguém pode até memorizar a composição, mas muitas vezes é apenas depois de praticar por algum tempo que se começa a ouvir toda a beleza da melodia, o significado por trás das notas. É então que a música se torna poesia, alça voo.
Da mesma forma, Ciência e Saúde pode, às vezes, dar a impressão de ser apenas uma série de palavras, mas, quando a pessoa compreende a verdade do que é dito ali, ela sente a sanadora influência desse livro. Nele lemos o seguinte: “Para desenvolver o pleno poder dessa Ciência, as desarmonias do senso corpóreo têm de ceder à harmonia do senso espiritual, assim como a ciência da música corrige os tons errados e dá suave harmonia ao som” (p. viii).
O Evangelho de Mateus relata que Jesus cantou um hino com os discípulos, depois da última ceia (ver 26:30). Ele sabia que seria traído naquela noite. Quando penso neles todos cantando juntos, me pergunto se aquele hino não propiciara algo mais do que apenas a elevação vinda da prece — que Jesus poderia ter feito sozinho — mas se aquele não fora também um momento de alegria por cantar junto com os outros.
Ao longo dos anos, li Ciência e Saúde de capa a capa sete vezes, cada vez focalizando especificamente um sinônimo de Deus e prestando atenção ao cântico que é peculiar a cada um deles.
Podemos dizer que a Sra. Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, podia curar daquele modo tão constante e rápido porque conhecia todos aqueles cânticos! Eles eram tão claros para ela que, quando orava por alguém, a pessoa inevitavelmente também ouvia o cântico, e era curada.
Tem um hino de que gosto muito, no Christian Science Hymnal: Hymns 430–603 [Hinário da Ciência Cristã: Hinos 430–603], o qual começa assim:
O meu viver é uma canção sem fim
Acima de toda lamentação terrenal;
Ouço ao longe doce hino
Saudando a criação.
Em meio ao tumulto e à luta
ouço o cântico ressoar;
No meu coração ele ecoa,
Como posso não cantar?
(Pauline T., Hino 533, trad. e adapt. © CSBD).
