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Original para a Internet

O que significa pensar, nesta era da IA?

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 14 de setembro de 2026


A faculdade de pensar é exclusiva dos seres humanos? Ou dos seres vivos? É possível as máquinas pensarem? E se pensam, podem elas nos ajudar a pensar mais claramente a respeito de Deus?

Essas são algumas das questões que surgiram com o advento da inteligência artificial e do aprendizado das máquinas. Ao refletirmos sobre isso à luz da Ciência Cristã, podemos obter uma compreensão mais clara de Deus como a Mente divina, o pensador supremo. Também podemos compreender melhor a nós mesmos como pensadores e sanadores.

Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, deu uma profunda definição de Deus como a fonte de todo o verdadeiro pensamento, tanto que incluiu a Mente com M maiúsculo, como um sinônimo de Deus. Deus está sempre presente, portanto é infinito. Logo, a Mente deve ser infinita, sempre presente, sempre exata e sempre nova. Como afirma um salmo: “São muitas, Senhor, Deus meu, as maravilhas que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar” (Salmos 40:5).

Em contrapartida, as ferramentas da inteligência artificial são máquinas finitas. Elas processam informações, manejando um conjunto finito de símbolos, com um conjunto finito de regras. Os símbolos são geralmente números ou conjuntos de números. As regras se baseiam nas ideias da lógica, embora possam assumir a forma da aritmética, da busca e classificação, e outros processos. Alguns sistemas de inteligência artificial incluem componentes com nomes instigantes, como “neurônios artificiais”. Todos operam com uma entrada de dados e produzem uma saída de dados, um processo que poderíamos chamar de “raciocínio mecânico”.

Em geral, usamos a razão para resolver problemas finitos. No entanto, quando recorremos à razão para nos achegarmos a Deus, estamos em busca de algo que nos leve além das referências finitas e limitadas do nosso mundo, e nos proporcione um vislumbre do infinito. Raciocinamos em oração, quando partimos da ideia de que “Deus é todo o bem” e a essa premissa acrescentamos que “Deus está sempre presente”, e concluímos assim que o bem está sempre conosco. No entanto, para que essa oração nos aproxime de um Deus infinito, precisamos estar dispostos a aceitar que o bem que Deus nos concede pode ser algo que ainda não tenhamos visto.

No livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, a Sra. Eddy nos ajuda a compreender o papel do raciocínio na oração. Ela reconhece o valor do raciocínio e observa que este pode corrigir conceitos equivocados em nosso pensamento. Ela ressalta que é necessário algo mais do que o raciocínio para aproximar nossos pensamentos a Deus a ponto de sermos curados. A frase completa afirma: “A razão, bem dirigida, ajuda a corrigir os erros do senso corpóreo; mas o pecado, a doença e a morte parecerão reais (assim como parecem reais as experiências dos sonhos, quando dormimos) até que a Ciência da harmonia eterna do homem rompa aquelas ilusões com a realidade do existir científico…” (p. 494).

O método científico envolve o processo de testar ideias e procurar comprovar que elas expressam a verdade. Quando colocamos em prática esse processo, procuramos romper as limitações e os conceitos errôneos que nos impedem de compreender a verdade. Se aplicamos “a Ciência da harmonia eterna do homem” para nos ajudar a identificar e sentir a presença de Deus, estamos utilizando o processo científico que comprova ser verdadeira a harmonia e a saúde do homem. Em alguns casos, é possível que encontremos essa verdade por meio do raciocínio, mas também podemos encontrá-la por outros meios que nos aproximam de Deus, a Mente todo-poderosa e onipresente.

Por exemplo, podemos nos achegar a Deus acalmando o medo, repreendendo o erro com autoridade divina, reconhecendo que nosso próximo está plenamente envolto no amor de Deus, ou então sendo obedientes à orientação divina. Esta revista já publicou inúmeros testemunhos de cura que foram alcançadas sem o uso estrito da lógica. Quando nos achegamos a Deus, aquilo que não é semelhante a Ele perde seu poder sobre nós.

Talvez, devido à minha formação em matemática e em ciências da computação, sempre achei mais fácil pensar a respeito de Deus do que ouvir a Deus. No entanto, minhas melhores curas ocorreram quando calei meu pensamento e fiquei na escuta do caminho que Deus me indicava. Essas curas incluem as que trataram diretamente de problemas no raciocínio da tecnologia da computação.

Por exemplo, um programa de software, que eu havia desenvolvido para a empresa de um amigo, parou de funcionar. Eu temia ter de mergulhar no código do programa, pois eu o havia criado anos antes e não lembrava dos detalhes de seu funcionamento. Sem ter a menor ideia de onde poderia estar o problema, voltei-me a Deus e escutei em silêncio, aguardando a orientação divina. Eu não estava raciocinando sobre o software, nem mesmo sobre mim. Eu estava em busca da verdade sobre minha união com Deus.

Em atitude de escuta, em oração, me firmei na ideia de que Deus era a única Mente e de que essa Mente não poderia me levar a cometer um erro. Nessa quietude, ocorreu-me que o problema talvez não estivesse em meu programa, mas sim em uma falha no software do banco de dados que eu estava utilizando. Esse breve momento de inspiração me acalmou e me deu confiança no trabalho que eu havia feito. Tive a ideia de fazer um rápido teste para verificar o banco de dados. O teste logo indicou que o banco de dados não estava funcionando corretamente e revelou uma maneira de evitar o problema. A solução era tão simples que eu pude explicar as mudanças necessárias em um simples telefonema para meu amigo (ver David C. Driver, “What’s God got to do with computers?” [O que Deus tem a ver com computadores?], Christian Science Sentinel, 30 de agosto de 1999).

À medida que minha compreensão da Ciência Cristã se aprofundava, passei a reconhecer que praticar e ouvir “a Ciência da harmonia eterna do homem” requer apenas o simples ato de admitir, em nosso pensamento, uma verdade: a realidade que já está presente, porque somos um com a Mente divina. Isso pode ser feito com mais rapidez, profundidade e eficácia do que o raciocínio mecânico executado pela inteligência artificial.

Recentemente, comprovei que, com essa abordagem mental, me foi possível solucionar rapidamente uma negociação conflituosa. Eu integrava uma equipe que trabalhava na criação de um programa de treinamento técnico para uma universidade localizada em outro país. As duas partes envolvidas na negociação haviam apresentado exigências difíceis de serem atendidas, e os líderes de ambas as partes estavam irritados com a falta de progresso. Os dirigentes da universidade achavam que nosso grupo estava cobrando um valor excessivo por nossos serviços, enquanto os líderes de nossa equipe eram da opinião de que a universidade não reconhecia o custo real do programa e não levava em consideração o que nós já havíamos investido. Como eu já havia dado minha contribuição às discussões, fiquei em silêncio e procurei ouvir a orientação da Mente, reconhecendo que a Mente estava presente com cada um, naquela mesa.

Fizemos uma pausa ao meio-dia, pois o corpo docente da universidade havia solicitado que eu fizesse uma palestra para os alunos. O principal negociador da universidade me conduziu a um grande auditório e me apresentou aos alunos. Ainda irritado com as nossas negociações, ele atacou verbalmente nossa equipe em geral e a mim especificamente. Disse que eu era um indivíduo egoísta, à frente de uma organização opressora, determinada a explorar a universidade. Afirmou que ninguém deveria levar minha palestra a sério, até que a universidade conseguisse o que desejava.

Fiquei surpreso com esses comentários, mas não havia tempo para formular uma resposta adequada. Os alunos estavam inquietos. Alguns pareciam dispostos a se retirar. Ao chegar ao pódio, eu tive o impulso de pegar meu celular e perguntar aos alunos: “Posso tirar uma foto de vocês?” Eu não tinha uma razão lógica para fazer isso, mas meu simples pedido quebrou a tensão no ambiente. Os alunos sorriram e se acomodaram para a palestra. Isso também rompeu o impasse nas negociações. Os líderes de meu grupo sorriram diante do meu pedido. Os dirigentes da universidade se acalmaram ao ver a reação dos alunos. Quando retomamos as conversas, na parte da tarde, rapidamente encontramos uma solução que satisfez a todos.

As ferramentas da lógica e do raciocínio são importantes para nossos esforços de compreender a Deus e demonstrar nossa relação com a Mente divina. Essa relação não é ilógica nem irracional. Mas tampouco pode ser limitada por símbolos finitos e pelo raciocínio mecânico, por mais vasto e complexo que esse raciocínio possa ser. No final do século XIX a Sra. Eddy disse a seus seguidores: “No futuro, a educação será a instrução, na Ciência espiritual, em oposição às ciências materiais, simbólicas, que são falsificações” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 61). Que visão extraordinária de futuro isso representa!

A inteligência artificial utiliza o raciocínio simbólico material. Esse tipo de raciocínio não é a Ciência espiritual que rompe a ilusão do pecado, da doença e da morte, mesmo quando repetido bilhões de vezes. A Ciência espiritual envolve ouvir a Deus e compreender que os pensamentos de Deus são também nossos. É isso o que significa pensar.

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