A festa do escritório estava animada. Estávamos sentados em volta de uma mesa grande, e o vinho era servido abundantemente. Eu, porém, estava satisfeita tomando um copo de água com gás. De repente, um dos chefes, sentado do outro lado da mesa, gritou: “Jill, como assim… você não bebe?” O silêncio pairou na sala e todos os olhos se voltaram para mim. Nos breves segundos que se seguiram, orei silenciosamente: “Deus, ajude-me! O que eu digo?”
Eu poderia dizer que não bebia devido às minhas profundas convicções religiosas como Cientista Cristã (das quais nenhum dos presentes tinha conhecimento), mas aquele não era o momento nem o lugar para esse tipo de conversa. Sem pensar muito, acabei respondendo: “É que a bebida simplesmente não me cai bem”. Eu nunca havia usado essa expressão nesse contexto. Por isso, a resposta me pareceu divinamente inspirada. Como era de se esperar, ela satisfez a curiosidade do chefe e encerrou o assunto. Todos voltaram a conversar.
Responder à pergunta sobre a razão pela qual eu não bebo nem sempre foi fácil para mim. Mas, quando penso nessa situação, que ocorreu há muitos anos, fico feliz pelo fato de Deus ter me fornecido a resposta certa para não prolongar o assunto. “A bebida simplesmente não me cai bem” foi a resposta perfeita, não somente porque encerrou o assunto de imediato, mas também porque era a mais pura verdade. Beber não tinha nada a ver comigo porque era algo que não estava alinhado com o que eu havia aprendido na Ciência Cristã a meu próprio respeito.
Quando eu era aluna da Escola Dominical da Ciência Cristã, aprendi que todos — inclusive eu — são filhos de Deus, criados à imagem e semelhança do Espírito divino. Essa imagem, ou reflexo, não é algo físico nem material; é espiritual, perfeito, completo, e possui tudo aquilo de que necessita. Essa ideia fazia sentido para mim. Entendi que beber ou usar qualquer tipo de droga seria incompatível com o fato de que o homem é completo e de que sua natureza é espiritual.
Minha determinação, porém, foi desafiada na faculdade, onde bebidas alcoólicas eram uma constante da vida no campus. Ficar sóbria enquanto via meus colegas e tantos outros ficarem bêbados ou se drogarem, fazia com que me sentisse isolada e diferente. Tentei beber em algumas ocasiões. No entanto, em todas essas vezes, eu sentia, no fundo do coração, que isso não se encaixava no senso que tinha de mim mesma. Eu também não gostava da sensação de perda de controle que ocorria, mesmo após tomar um único drinque. Por isso, parei de tentar beber, e nunca senti falta do álcool, nem do companheirismo.
Eu nunca havia dado grande importância ao assunto, até ser questionada naquela festa do escritório. Na época, eu era uma jovem no início da carreira, estava me dedicando mais ao estudo da Ciência Cristã e compreendendo que Deus é a fonte da satisfação sempre presente, abundante e permanente. A Bíblia nos dá um maravilhoso vislumbre da satisfação verdadeira e permanente, proveniente de Deus, neste versículo: “Fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dás de beber” (Salmos 36:8). Deus é a fonte dessa satisfação, por isso podemos nela nos fartar agora mesmo.
Cristo Jesus falou sobre a “água viva”, que ofereceu à mulher samaritana junto da fonte de Jacó (ver João 4). Pensando somente em termos materiais, a mulher duvidou que Jesus pudesse lhe dar a “água viva”, visto que ele não tinha sequer um balde para retirar a água do poço. Mas Jesus, que se referia ao suprimento espiritual, disse-lhe: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”.
Essa fonte já faz parte de nossa natureza. Não brota da terra, nem provém de uma torneira ou garrafa. Ela vem diretamente do Espírito, a fonte de nosso existir, e está sempre disponível para nos suprir. Quando reconhecemos esse fato — bebemos dessa fonte de inspiração — nossa verdadeira identidade como filhos de Deus se torna mais visível para nós, vivenciamos e sentimos uma satisfação mais profunda e duradoura em coisas espirituais.
Talvez você diga: “Eu entendo isso, mas será que, no contexto geral, realmente importa se eu beber só de vez em quando, ou até mesmo ‘beber com moderação’?” Eu concluí que importa, sim, principalmente se desejamos compreender mais sobre Deus e a Ciência Cristã, e orar com mais eficácia, não somente por nós mesmos, mas também pelos outros e pelo mundo.
Em resposta à pergunta: “Como posso progredir o mais rapidamente possível na compreensão da Ciência Cristã?”, Mary Baker Eddy diz, no livro-texto da Ciência Cristã: “Estuda a fundo a letra e embebe-te do espírito” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 495). Essa recomendação dá um novo significado ao verbo “embeber-se”! O empenho para nos embebermos do espírito do Cristo — para ter o espírito da Verdade e do Amor que Jesus expressou — é, em essência, o contrário de cedermos aos sentidos materiais em busca de satisfação. Não podemos conceder à matéria o poder de proporcionar prazer ao corpo se, ao mesmo tempo, nos apoiamos em Deus, o Espírito, a Mente divina sempre presente e todo-poderosa, para curar o corpo de suas dores e desconfortos. E o livro-texto da Ciência Cristã deixa claro que manter essas posições mentais opostas tornaria sem efeito nossas orações: “Apresentar argumentos a favor da evidência do pecado, da doença e da morte ou ceder às suas exigências, significa praticamente argumentar contra o controle da Mente sobre o corpo e negar o poder da Mente para curar” (p. 380).
A humanidade precisa muito ser curada e libertada da influência de todo tipo de substâncias viciantes, inclusive do álcool e das drogas. O falso atrativo dessas substâncias, mesmo quando consideradas benéficas, pareceria interpor uma barreira entre nós e Deus, por atribuir poder e influência à matéria, em vez de ao Espírito onipotente. Mas esse falso atrativo é eliminado por meio da atividade do Cristo sanador, que está “sempre presente na consciência humana” (ver Ciência e Saúde, p. xi). Nossas orações, imbuídas do espírito do Cristo, podem ajudar a eliminar esse jugo que pesa sobre a humanidade, por reconhecermos que as substâncias viciantes não condizem com a identidade espiritual de ninguém, porque somos filhos de Deus. Naturalmente, essas orações serão mais eficazes se nós mesmos não cedermos, ainda que de maneira moderada, a alguma das coisas das quais queremos ajudar a humanidade a se libertar.
Compreender espiritualmente quem somos e sempre fomos — a imagem e semelhança do Espírito, completos, perfeitos, satisfeitos e amados, governados plena e harmoniosamente pela Mente divina — traz progresso e cura. Essa compreensão flui com abundância do Espírito infinito, o Amor divino. Quando nos embebemos da água da fonte eterna de todo o bem (e, em verdade, não existe outra), constatamos que ela sempre nos cai muito bem. E essa compreensão apoia e eleva nossas orações em prol de todos.
