Uma mulher entrou aos prantos no escritório de um praticista da Ciência Cristã. Ele supôs que ela fosse prostituta e, mais tarde, constatou que esse era o caso, de fato. Enquanto ela se acalmava, ele aguardou em silêncio, orando para ser inspirado sobre a melhor maneira de ajudá-la. Quando ela finalmente conseguiu falar, suas primeiras palavras foram: “Sei que não deveria ter vindo ao escritório de um homem santo como o senhor”. Do fundo do coração, ele respondeu com firmeza: “Eu preciso do Cristo tanto quanto você. A única diferença entre nós dois é que eu sei disso”.
Reconhecer que nossa necessidade de salvação é igual à dos outros, como fez esse praticista, não significa que estejamos ocultando pecados que ninguém mais conhece. No entanto, à medida que nos empenhamos em viver de modo a expressar apenas qualidades divinas, é natural lembrarmos de questões em que ainda não alcançamos esse objetivo. Podemos também estar plenamente conscientes de fatores que nos impedem de expressar o bem que desejamos manifestar, talvez determinadas circunstâncias, a falta de algo, a sensação de que é muito difícil ser bom o tempo todo, ou, até mesmo, a simples inércia.
Por outro lado, precisamos compreender que, na realidade, cada um de nós é criado por Deus, o Espírito, com o propósito de expressá-Lo, portanto, a verdadeira natureza, a verdadeira existência de cada um é espiritual, não material. Podemos reconhecer não apenas que temos a capacidade de superar o mal, mas também que merecemos nos libertar dele, e que esses dons de Deus estão sempre presentes.Podemos também reconhecer que esse fato é igualmente verdadeiro para todos, seja quem for ou qual a situação.
Essa maneira de ver o próximo foi claramente exemplificada por Cristo Jesus durante toda sua notável carreira. Ele manifestou a Deus, o bem, em tudo o que disse e fez. Trabalhou incansavelmente pela salvação do homem, libertando pessoas da escravidão resultante do pecado, curando doentes e ressuscitando mortos. E não limitou sua obra às pessoas que a sociedade considerava merecedoras.
Na Bíblia, em inúmeras ocasiões, vemos que Jesus respondeu com compaixão a pessoas que a sociedade talvez considerasse indignas, ou que vissem a si mesmas como indignas (ver, por exemplo, Lucas 7:36–48). Ele sempre curava os que pediam para ser curados, quer a sociedade os considerasse dignos, ou não, segundo os critérios de merecimento vigentes. De fato, Jesus disse a respeito de si mesmo: “…não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Mateus 9:13). Isso significa que ninguém está fora do alcance do poder de cura do Cristo.
Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, define o Cristo como “A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 583). “Erro” é tudo o que é dessemelhante de Deus, Aquele totalmente bom. Por isso, o Cristo incorpóreo é o que nos redime de todo erro — do pecado, de traços negativos de caráter, do medo, da falta, da doença, de acidentes, de todo tipo de mal. A missão de Jesus foi nos mostrar o que é o Cristo e o que ele faz em prol de cada um de nós, não apenas em certa época, mas para todo o sempre. Deus está sempre presente, portanto, o Cristo, Sua manifestação divina, também está sempre presente. Ou seja, jamais podemos estar fora do alcance do toque do Cristo.
Talvez nos sintamos, de alguma forma, indignos de amor, de cura, de êxito; talvez sintamos que não pertencemos a determinado lugar ou grupo, ou que somos ignorados. O Cristo nos assegura que jamais fomos excluídos do amor de Deus. Cada um de nós é merecedor do toque do Cristo, e sentimos esse toque à medida que somos a ele receptivos. Nossa verdadeira identidade, tal como Deus a criou, expressa a Deus de maneira única, e isso faz com que cada um de nós seja necessário a Deus, necessário para a Sua plena expressão. Ninguém é descartável; cada um tem um valor infinito.
Foi com base nessas ideias que o praticista começou a dissipar o receio da mulher de ela não ser digna aos olhos de Deus, o Amor. Ele lhe assegurou que o Cristo estava ali mesmo para salvá-la da vida que ela desejava tão desesperadamente abandonar. Ao sair do escritório, ela decidiu usar as escadas, pois não se sentia à vontade naquele prédio comercial, vestida como estava. No último degrau, ela tropeçou e foi amparada por um homem que acabara de se aproximar da escada. Ele a olhou e disse: “Parece que você precisa de um emprego. Eu sou dono da lanchonete logo ali adiante, e uma das garçonetes acabou de pedir demissão. Você pode começar agora mesmo? Temos alguns uniformes extras na parte de trás da loja”.
Com gratidão, ela aceitou o emprego, deixou para trás, de maneira definitiva, seu modo de vida anterior; começou a estudar a Ciência Cristã e tornou-se membro da filial da Igreja de Cristo, Cientista, em sua cidade.
A salvação que Jesus estabeleceu para nós é uma salvação plena. Quando somos salvos, compreendemos que nenhum elemento de erro pode se apegar a nós. E cada um de nós deve, e irá, em algum momento, conhecer a si mesmo tal como Deus nos conhece: para sempre livres de qualquer pensamento ou experiência de doença, pecado ou morte. Quando aceitamos a salvação que o exemplo de Jesus oferece, e nos empenhamos em viver de modo a expressar o bem que é natural e eternamente nosso, os pecados do passado não podem impedir a cura de hoje. O poder do Amor tanto nos eleva acima do pecado quanto do sofrimento, e nos abre um caminho no qual podemos crescer e servir à nossa comunidade e ao mundo.
Lisa Rennie Sytsma
Redatora-Chefe
