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Original para a Internet

A expectativa do Natal, o ano todo

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 23 de dezembro de 2018


O brilho cálido das luzes multicoloridas de Natal, nas casas e nos bairros, sempre me transmite a alegre expectativa do bem que está por vir.

A expectativa do Natal pode significar coisas diferentes para cada um. Enquanto algumas pessoas apreciam as decorações festivas e as tradições relacionadas à família e à fé, outras podem ver o Natal como uma época do ano extremamente atribulada e estressante. Algumas talvez antevejam uma decepção para quando a celebração chegar ao fim, ao passo que outras podem estar se sentindo solitárias ou passando por relacionamentos tensos, e simplesmente desejam que esse período de festas passe rapidamente. A lista é grande.

Em todos os casos, uma compreensão mais espiritual a respeito do Natal pode iluminar o que poderíamos considerar os altos e baixos das festas de fim de ano. Uma expectativa do bem, na qual podemos envolver outras pessoas, pode tornar-se a parte central em nossa vida, seja na época do Natal, seja durante o ano todo.

Lembro-me desta passagem de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy: “O advento de Jesus de Nazaré marcou o primeiro século da era cristã, mas o Cristo não tem começo de anos nem fim de dias” (p. 333).

Sim, o Natal celebra o nascimento de Jesus. Contudo, mais do que esse evento especial, o Natal é a celebração do Cristo — a mensagem do amor de Deus para a humanidade — e o Cristo “não tem começo de anos nem fim de dias”. Isso significa que o bem não começa nem termina com um feriado, nem pode ficar limitado a um dia ou a uma época do ano. Pelo contrário, o bem pode ser vivenciado durante todo o ano, até mesmo diariamente e em cada momento.

Ter a expectativa do bem não pode ser confundido com a atitude de meramente incrementar nossas esperanças ou aguardar passivamente alguma satisfação distante que talvez se realize, talvez não. Em realidade, a expectativa espiritual se baseia na compreensão de que o Espírito divino, Deus, é a fonte de todo o bem. E como parte da criação de Deus, nós não podemos ser excluídos da fonte do bem, Deus; não podemos nunca estar separados dEle. Em vez de deixar o bem ao acaso, podemos confiar em sua constância e permanência em nossa vida e até mesmo no mundo.

Isso pode parecer pouco realista, dados os muitos exemplos de ódio, desolação e dor que vemos. Como podemos confiar na consistência e na abundância do bem, quando parece que estamos rodeados de tanta coisa que é o oposto do bem?

Apresento aqui uma maneira pela qual tenho pensado sobre o fluxo constante do bem de Deus. Durante os invernos frios onde moro, a maioria dos lagos congela e a neve e o gelo cobrem a paisagem por vários meses. Entretanto, os córregos continuam fluindo por baixo do gelo, mesmo nos dias mais frios. Os arredores congelados não interrompem o movimento constante e progressivo dos córregos.

Da mesma forma, o bem, que emana da fonte espiritual, Deus, está sempre ativo. A mortalidade, ou seja, a crença de que a matéria seja não só real, mas também suprema, não tem poder para se misturar com a realidade da supremacia de Deus, do Espírito e, portanto, não tem poder para interromper o fluxo constante do bem.

Pode ser preciso ter persistência para vermos e confiarmos nesse bem, e isso, é claro, precisa que nossa expectativa seja muito ativa, nunca passiva. Considere, por exemplo, a atividade e a persistência daqueles que seguiram a estrela que os levou ao bebê Jesus. Ciência e Saúde declara: “O pastor vigilante avista os primeiros tênues raios da aurora, antes de surgir o pleno resplendor do novo dia... Os Magos foram levados a ver e a seguir essa estrela-d’alva da Ciência divina, que ilumina o caminho da harmonia eterna” (p. vii).

Para mim, esses “primeiros tênues raios da aurora” significam um ponto de partida — despertando um vislumbre de confiança em Deus. Se cada dia nós nos esforçarmos para confiar e compreender a Deus um pouco mais do que no dia anterior, então, estaremos a cada dia colocando menos confiança na matéria. Como os pastores e os magos, estaremos crescendo progressivamente na confiança espiritual. Como a estrela os guiou para descobrirem o Cristo criança, a ideia pura de Deus guia o pensamento para “o pleno resplendor do novo dia”, para percebermos completamente o poder do Espírito, Deus, que tudo envolve.

Houve um ano em que, logo após o período de Natal, assumi a função de Leitora na minha filial da Igreja de Cristo, Cientista. Mas os dias de inverno após o feriado pareciam sombrios e deprimentes, e eu me sentia pouco motivada a cada manhã, e sentia dificuldade para encontrar inspiração espiritual.

Entretanto, esse cargo de Leitora, novo para mim, exigia um estudo atento e aprofundado da Lição Bíblica semanal da Ciência Cristã, muito mais do que eu já estava habituada a fazer e, quando comecei a dedicar um período de tempo diário à Bíblia e a Ciência e Saúde, logo descobri um novo sentimento de esperança e de expectativa espiritual que eu não havia percebido ser possível.

Ao me envolver totalmente com as ideias de cura daqueles dois livros — muito além das palavras neles contidas — encontrei ideias que se tornaram uma “estrela-d’alva” para mim, iluminando meu caminho em direção a uma compreensão mais profunda de Deus e Sua criação, e fortalecendo minha prática da Ciência Cristã. O senso de depressão começou a se dissolver, substituído pela abundância, não apenas de inspiração espiritual, mas também de exemplos concretos de cura em minha vida, de alegria em ajudar os outros por meio da oração e de mais percepção do bem no mundo.

Confiar na constância do bem não significa ignorar problemas, nem ficar insensível às pessoas que estão sofrendo, mas sim, significa ter uma participação ativa em ajudar a trazer a cura. Por exemplo, quando ouvimos notícias de devastação, pode parecer mais fácil reagir com raiva ou medo, e até mesmo pensar que mais mal está por acontecer. Mas esse tipo de atitude colocaria nossa confiança no mal, em vez de em Deus, o bem, e não promoveria a cura.

Se, em vez disso, respondermos com amor e com confiança na supremacia de Deus, estaremos reconhecendo o poder e a permanência do bem; e isso ajuda a trazer à nossa vivência mais manifestações do bem. Não estamos criando o bem, estamos simplesmente fazendo com que ele brilhe, por meio dos nossos pensamentos, palavras e ações. Assim como os magos humildemente prostraram-se e adoraram o Messias, nós podemos ceder ao bem sempre constante de Deus e ao poder sanador do Cristo, na proporção em que somos levados a novas maneiras de curar e abençoar.

Além da celebração do nascimento de Jesus, o Natal representa o eterno aparecimento do Cristo, a ideia de Deus que fala à consciência humana. E nessa consciência pura, encontramos a doce promessa do bem “nascendo” todos os dias.

A Sra. Eddy escreve em seu livro Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896: “O novo nascimento não é obra de um momento. Começa com momentos e continua com os anos; momentos de entrega a Deus, de confiança como a dos pequeninos e de jubilosa aceitação do bem; momentos de renúncia ao ego, consagração de si mesmo, esperança celestial e amor espiritual” (p. 15).

Embora eu estivesse gostando da minha nova função de Leitora na igreja, minha alegria era devida principalmente ao “novo nascimento” que se processava no pensamento e que eu passei a esperar a cada dia. Não importava se não acontecesse tudo de uma vez. Eu sabia que toda vez que eu deixasse minhas esperanças e medos pessoais, e confiasse humildemente em Deus, um pouco mais da ideia-Cristo estaria amanhecendo em meu pensamento e brilharia cada vez mais, à medida que eu seguisse em frente.

Embora o Natal aconteça no final do ano, ele pode realmente significar um começo muito importante — o começo do nosso empenho em receber, compreender e demonstrar mais completamente o Cristo a cada dia. As tradições e as celebrações de que gostamos podem ficar mais sagradas, e o estresse e a tensão com os quais lutamos durante as festas podem dar espaço a uma maior calma e alegria. De toda maneira, uma compreensão mais universal e atemporal do Natal trará nova inspiração, cura e progresso.

Foi a confiança em Deus que me fez seguir em frente, uma quarta-feira à noite, há alguns meses, quando me senti mal a caminho da nossa reunião de testemunhos na igreja. Comecei a pensar que deveria dar a volta e ir para casa, direto para cama. Mas então, lembrei-me daquilo que estava aprendendo. Sabia que, como eu não podia estar separada de Deus, o bem, minha saúde não poderia ser interrompida e eu poderia ter a expectativa da cura, não importava onde eu estivesse — em casa, na igreja, ou em qualquer lugar do percurso.  

Segui para a igreja e tive a cura total de todos os sintomas do mal-estar, antes mesmo de entrar no local. E fiquei imensamente grata por fazer parte de uma afetuosa troca de ideias espirituais com outras pessoas, naquela noite.

Na proporção em que nossa compreensão de Deus se aprofunda, nossa receptividade ao Cristo se amplia. A expectativa do bem se torna natural e parte integral de nossa vida, promovendo mais bem para o mundo, seja na época do Natal, seja no ano todo.

Ainda sinto uma alegre expectativa na época de Natal, quando vejo as árvores resplandecentes de luzes. Mas, mais do que isso, sou grata pelo brilho da ideia do Cristo, amanhecendo com a nova inspiração de cada dia e irradiando sua luz sanadora por todo o mundo. É nesse brilho que cada um de nós pode confiar, com total expectativa da “boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lucas 2:10).

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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