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Original para a Internet

A simplicidade e profundidade do Amor

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 14 de junho de 2019


A declaração do nosso livro-texto: “ ‘Que… nos amemos uns aos outros’ (1 João 3:23) é o conselho mais simples e mais profundo do escritor inspirado” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras,de Mary Baker Eddy, p. 572), deixa claro que amar verdadeiramente deve ser uma grande realização e requer uma profundidade de conhecimento que vai muito além do que estamos acostumados a crer. Vemos também que o Amor em si é profundo e simples ― profundo em abrangência, pois abrange toda a criação, mas também é simples, visto que é sempre o mesmo e somente o mesmo, ou seja, é o puro Espírito, a Verdade, isento de todas as falsidades ou complexidades da crença mortal.

Se quisermos amar, cabe a nós obter um conhecimento preciso do que é o Amor. O que desejamos expressar, devemos primeiro compreender, e é na medida da nossa compreensão do Amor que somos capazes de manifestá-lo. Quando compreendemos o Amor na plenitude de seu significado espiritual, começamos a reconhecer quão pouco desse amor já foi demonstrado por qualquer um de nós. A grandeza e a nobreza de caráter, necessárias para se amar verdadeiramente, transcendem todos os padrões humanos e emanam do próprio Amor divino.

Para alcançarmos um senso científico do Amor, devemos deixar que ele mesmo se defina para nós, pois só o próprio Amor pode definir plenamente a si mesmo. O Amor é a Mente, a Alma; por isso os sentidos materiais não o podem interpretar nem o entender. O Amor é aquilo que impulsiona e caracteriza todas as atividades da Mente.

Em seus escritos, a Sra. Eddy associa o Amor ao Princípio, usando os dois termos como sinônimos. Portanto, para compreender o Amor, devemos compreender que ele possui os atributos do Princípio. Nada pode ser corretamente considerado amoroso, se não estiver de acordo com o Princípio divino, nem pode qualquer manifestação não amorosa ser cientificamente considerada legítima. O Princípio é a origem e a aplicação da lei; portanto, a verdadeira lei se origina no Amor e opera como amor. O Amor, sendo o Princípio, é divinamente certo, incapaz de qualquer erro de pensamento ou de ação. Os erros humanos, então, se devem à falta da plena compreensão e expressão do Amor.

Nós amamos na proporção da nossa fidelidade ao Princípio; não podemos obedecer ao Princípio e, ao mesmo tempo, deixar de ser bondosos. O Amor é sempre terno, compassivo e gentil. Não acusa, mas também não é conivente; contudo, quando lhe obedecemos, o Amor neutraliza o erro e seus efeitos ― elimina a penalidade juntamente com o erro que a acarretava. É a vontade divina em operação; portanto, a bondade amorosa caracteriza toda a verdadeira motivação.

Embora não exista amor sem o calor e a alegria do verdadeiro afeto, ele é muito maior do que o simples sentimento pessoal. O Amor não pode ter senso de competição nem o desejo de monopolizar, também não pode prescindir do Princípio. O Amor é a Alma, mas ele não é animado por motivos humanos. Ele é mais do que uma boa intenção, é mais daquilo que, às vezes, é chamado de simpatia, pois essas disposições de ânimo podem ser meramente fruto do temperamento e carecem da confiabilidade do verdadeiro afeto. O Princípio terno e cheio da graça divina não é expresso como amor apenas em uma determinada ocasião e não em outra, nem se manifesta como amor para com uma única pessoa e não para com todos; ele permanece Amor e age como amor sob todas as circunstâncias.

O Amor é agregador e dissolve as barreiras construídas pela crença em muitas mentes. Ele mostra que aquilo que é do interesse de uma pessoa é do interesse de todos, e que a pessoa não pode ser abençoada, sem que uma bênção universal decorra dessa bênção individual. Alguém governado pelo Amor divino nunca está na defensiva, e nunca coloca o outro na defensiva, porque o Amor se desdobra sempre a partir do Um. A dualidade tem a semente da dissensão, ao passo que o pensamento que está mais próximo do desprendimento e da firmeza do Princípio age como amor espontâneo e efusivo, como reflexo do divino e infinito Um.

A metafísica científica e o amor real são uma e a mesma coisa. Para ser científica, a ação tem de ser impelida pelo amor e só é verdadeiramente amorosa quando é científica. Deixar de criticar, e persistir na recusa em ficar desanimado, ter uma inabalável paciência sanadora com nossos próprios erros ou com os erros dos outros, com a lentidão do nosso progresso ou do progresso dos outros, tudo isso é sempre científico. Manter tal paciência exige uma firme autodisciplina que só o amor pode gerar. Nada dessemelhante do amor é digno de ser chamado pensamento. Aquilo que alega ser pensamento e, no entanto, não é bondoso, não é absolutamente um pensamento real, porque não tem origem na Mente e carece da dignidade, da atividade e do poder do pensamento real.

A revelação, na Ciência Cristã, de que o Amor é uno com a Vida, lança uma luz imensa sobre ele. O fato de que o Amor é a Vida remove completamente a limitação de que ele seja um mero estado de ânimo ou um sentimento pessoal, e mostra que o Amor é um estado de autoexistência que se autoexpressa. O Amor que é a Vida não precisa de nada além de si mesmo para ser e continuar a ser o Amor; ele não requer nenhum incentivo externo para fazê-lo agir ou continuar a agir amorosamente; nem nada pode desviá-lo de se expressar ininterruptamente, de acordo com sua própria natureza. Ele não se preocupa em ser amado, mas sim em amar. Às vezes, ouvimos dizer: “Eu sinto amor, mas não consigo expressá-lo”. Isso é um erro. Não há amor que não seja ativo. O Amor não pode deixar de ser expresso nem permanecer sem ser expresso; o fato de que ele é tudo e é perfeito constitui seu dinamismo e desdobramento.

“Será que a existência sem amigos pessoais te pareceria um vazio? Virá então o momento em que estarás solitário e privado de afetos.” Essas palavras de Ciência e Saúde(p. 266) têm suscitado um pavor desnecessário em muitos leitores, pois a garantia de segurança vem logo a seguir, na mesma frase: “...mas o que parece ser um vácuo já está preenchido pelo Amor divino”. Será constatado que o vácuo aparente é apenas uma aparência ― não existe vácuo na realidade. O medo provém da compreensão insuficiente a respeito do Amor divino, que não seria o Amor se se expressasse de algum modo que não pudesse ser compreendido pelo ser humano como sendo amor. Esse parágrafo, portanto, é uma afirmação reconfortante da eterna presença do Amor permanente.

O Amor nos faz felizes ― não meramente o amor dos outros por nós, mas o amor que temos em nosso coração. A fim de manter essa felicidade, devemos nos agarrar à consciência ativa da perfeição. Admitir a imperfeição interrompe o livre fluxo do amor, pois não podemos amar a imperfeição de forma coerente e constante. Um conhecimento científico da perfeição é requisito para a continuidade do amor. Além disso, nosso próprio amor ativo se constitui em proteção para si mesmo, porque significa unidade com Deus, com a Mente divina, com a Vida e, nessa habitação junto a Ele, estamos em perfeita segurança. O erro desaparece naturalmente no fervor do Amor divino mantido e expresso com persistência.

Levando-se em conta que a nossa experiência humana é determinada, em grande parte, pelo que pensamos, o amor ativo em nosso próprio pensamento abre o caminho para que esse mesmo amor seja dirigido a nós de maneira cada vez mais satisfatória, pois esse pensamento se constitui em constante rejeição do argumento de que alguém tenha, ou possa ter na realidade, uma consciência dessemelhante do Amor divino. Portanto, de certo modo, quase se poderia dizer que nós fornecemos o amor com que somos amados, pois tudo é subjetivo. Demonstramos o Princípio divino e, assim, temos a evidência da atuação desse Princípio.

O Amor divino é substância. Não há nenhuma entidade objetiva separada do Amor. Por isso, o remédio para a carência é amar mais. O Amor cada vez mais manifesto em nosso próprio pensamento é a mola propulsora de suprimento progressivo.

Amar é ser semelhante a Deus. Expressar o Amor divino é vivenciar o real existir. A verdadeira identidade do homem é exemplificada como amor. Nós somos verdadeiramente nós mesmos, imunes ao sofrimento, quando nossa consciência é amor, quando estamos conscientes da perfeição. À medida que expressamos mais o fato de que o Amor abrange tudo, nós nos tornamos cada vez mais conscientes do suprimento que satisfaz, e também vivenciamos menos desarmonia e menos doenças, pois nada angustiante pode ocupar um lugar no reflexo ativo do Amor. Foi esse amor que permitiu a Jesus curar de forma infalível e satisfazer a todo tipo de necessidades humanas. A verdadeira identidade do homem é então o Amor divino em evidência, ativo como lei.

Aprender a amar significa esforçar-se para viver consistentemente como o reflexo da divindade que abrange tudo; é um caminho de transcendente aventura espiritual. Consiste em ter a Mente mais e mais em evidência e, portanto, é um processo inspirativo, intuitivo e leva à convicção e à prova de que o Amor é supremo, pelo fato de ser tudo. Por conseguinte, o amor real é isento de medo. Se acontece de nos esforçarmos fielmente para sermos mais amorosos, mas ficamos desanimados por não conseguirmos progredir muito, devemos deixar o mero esforço humano e lembrar-nos dos ensinamentos de Jesus: “Eu nada posso fazer de mim mesmo” (João 5:30) e “O Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (João 14:10); e perceber, com igual humildade: “Eu de mim mesmo ― com a crença de um existir finito ― não posso amar como gostaria, mas o Pai, o Amor divino, é Tudo e expressa em mim a natureza infinita do Amor que satisfaz”. Esse reconhecimento prático do Amor como sendo a Vida, quando sinceramente compreendido, nos tornará inevitavelmente um ser humano que manifesta mais bondade e amor.

No Amor não existe nenhuma possibilidade de exclusão. O desejo de excluir alguém envolve a exclusão de si mesmo do infinito. O Amor é a lei divina do relacionamento. A relação do homem com o seu próximo e com todas as criaturas é uma relação de amor. Esse fato divino, aceito e vivido, traz à vivência humana comunicação e companheirismo satisfatórios. No entanto, devido à alegação de que exista um relacionamento humano, às vezes, alguém acredita que amar é dever do outro, e assim, até certo ponto, ele se priva do amor que lhe seria dado com liberalidade, se não fosse esse amor exigido em base falsa; ou talvez esse alguém acredite que o amor que lhe é demonstrado deve ser exclusivo para ele e diminui em tamanho, se for compartilhado com outros ― o que não é diferente de se preferir uma lanterna de bolso em vez da luz e do calor do sol.

Enfatizando o valor prático da infinitude do Amor, a Sra. Eddy diz: “O médico a quem falta compaixão por seu semelhante não tem suficiente afeto humano, e temos autoridade apostólica para declarar: ‘Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê’. Sem esse afeto espiritual, falta-lhe a fé na Mente divina e ele não tem aquele reconhecimento do Amor infinito, o único que outorga o poder de cura” (Ciência e Saúde, p. 366). Esse reconhecimento que cura depende de nossa própria consciência estar imbuída de amor e expressar amor; sim, depende de não conter nada dessemelhante do amor. A manifestação do Amor divino é imune às sugestões mesméricas do senso material. Levando-se em conta que o Amor é infinito, não há nada fora dele, diferente dele ou inimigo dele. Precisamos aprender a individualizar o Amor infinito, se quisermos que o impulso sanador do poder infinito se manifeste como nosso pensamento, e dessa maneira inclua e governe nossos relacionamentos e atividades.

É difícil alguém alcançar a maturidade, sem ter passado por alguma desilusão, alguma aspiração frustrada ou algum descontentamento consigo mesmo; grande parte daquilo que é considerado doença é apenas a exteriorização de tais sentimentos. É preciso o reflexo do amor materno de Deus para tirar alguém do desânimo e da autoacusação, para restabelecer sua coragem, redimir e restaurar sua esperança ― colocando-a sobre aquela base espiritual que traz plena compreensão ― e curá-lo. Refletindo o Amor, deixamos de manter no erro a nós mesmos, ou ao outro. O Amor não tem nenhuma mácula de mortalidade e, quando plenamente demonstrado, é a identidade imortal posta em evidência. Portanto, nunca é demais dedicar-nos a pensar os pensamentos do Amor, deixando que o Amor anime tudo o que fazemos. Como tudo o mais, o amor precisa ser cada vez mais expresso e exercitado, para que cresça e fique mais robusto. Temos de amar agora da melhor maneira que pudermos, a fim de aprender a amar melhor. Nosso pensamento tem de permanecer continuamente no Amor divino para melhorar nossa prática da cura e para termos mais domínio em todos os aspectos de nossa vida. Nenhuma cura no mundo pode acontecer sem isso.

Nós sabemos muito pouco sobre o amor, até que o demonstremos e o vivamos. Tudo o que é dessemelhante do amor deve ser banido, a fim de provar a disponibilidade onipresente do Cristo sanador e redentor. Quando aprendemos plenamente a amar, o erro finalmente desaparece do nosso pensamento e do nosso ambiente, e a crença em dualidade será tragada pelo reflexo da infinitude da Mente, que conhece e inclui tudo. Então aparecerá a imortalidade. Foi a expressão do Amor divino por parte de Jesus que o elevou até ao Cristo, até à demonstração do Amor como a Vida, por meio da qual o assim chamado humano cedeu ao divino, eterno e preexistente.

Amar uns aos outros pode parecer algo simples mas, ao colocá-lo em prática, vemos que temos de mergulhar a fundo na nossa verdadeira identidade. Isso exige uma completa redenção do humano e culmina na demonstração da vida eterna.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

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Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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