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Para jovens

Bonita? Eu?

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 5 de fevereiro de 2019


Desde a segunda série debochavam de mim por eu ter sardas. Eu odiava a minha pele. Diziam que as sardas eram feias, e um garoto disse que sentia náuseas só em olhar para o meu rosto. Quando passei para a quinta série, o deboche mudou e ia desde apontarem para mim às gargalhadas, a críticas e mexericos. Eu tinha vergonha, porque não havia nem sequer uma amiga minha com tantas sardas, e eu nunca tinha visto uma celebridade ou uma pessoa influente que tivesse uma pele que fosse menos que imaculada, sem sardas.

Na sexta série descobri a maquiagem. Base e corretivo eram os meus produtos favoritos porque cobriam completamente as sardas. Minha mãe havia determinado que eu só poderia usar maquiagem quando chegasse ao segundo grau. Então, a cada manhã, depois que ela me deixava na escola eu corria para o banheiro, aplicava a base, e ficava pronta para o dia escolar. Quando tocava o sinal ao fim da última aula, eu removia a base e entrava no carro. Em breve passei a depender completamente da maquiagem para me sentir bonita, e quanto mais cobria a pele, melhor eu me sentia. 

Após alguns anos, quando minha mãe descobriu que eu estivera cobrindo as sardas, ela ficou de coração partido. E explicou-me que meu valor não estava fundamentado nas opiniões dos outros, e que eu deveria amar e dar valor à minha individualidade. Eu nunca tinha pensado que ser “diferente” pudesse ser uma coisa positiva, e fiquei surpresa. Ela me fez lembrar de algo que eu aprendera na Escola Dominical da Ciência Cristã: que minha identidade não é uma imagem física no espelho, mas em verdade era o perfeito reflexo espiritual de Deus, porque Deus criou cada um de nós à Sua imagem. Nada é feio, nojento ou desprezível a respeito de Deus, porque Deus é completamente bom. Assim, não poderia haver nada feio, nojento, ou desprezível em mim, porque sou a expressão de Deus. 

Para mim era difícil me ver como o reflexo perfeito, porque toda vez que olhava no espelho eu odiava o que via. Mas entendi que tinha de escolher no que iria acreditar. Ou minha identidade era só o que eu via superficialmente, e podia ser definida pelas opiniões dos outros, ou então era alicerçada em Deus e era completamente espiritual. Se minha existência era espiritual, então a beleza estava incluída em minha identidade, pois a beleza é uma qualidade de Deus. Essa beleza não estava no meu cabelo, nas minhas roupas nem na minha pele. Eu também compreendi que a beleza não era o resultado de eu me amoldar para ficar como meus colegas queriam que eu fosse. Algo falsificado decididamente não é uma maravilha. Minha beleza era e é minha individualidade dada por Deus, e significa minha capacidade de ser fiel em me reconhecer como Deus me fez.

Nas férias entre a oitava e a nona séries, orei metodicamente a respeito de beleza e identidade. Tornei-me mais consciente dos meus pensamentos. Por exemplo, se estivesse checando as redes sociais e visse várias modelos com a pele perfeitamente imaculada, como é que eu reagia? Ficava envolvida em pensamentos negativos, baseados no conceito de beleza como uma característica física? Ou ficava alerta aos pensamentos que me vinham, e aceitava apenas os que reforçassem meu entendimento e apreço pela minha verdadeira beleza, dada por Deus? 

Naquelas férias também me dei conta do quanto estava focando em mim mesma ao me deter tanto em rejeitar minhas sardas e tentar escondê-las. Então busquei deixar de focar a atenção em mim mesma e pensar mais em Deus e nas outras pessoas. Passei bastante tempo somente agradecendo pelo amor que existia em minha vida, pela minha mãe carinhosa, e pelas oportunidades que me haviam sido dadas, como por exemplo, poder frequentar boas escolas. Em breve esses pensamentos sobrepujaram o pensar centrado em mim mesma, que havia predominado por tanto tempo, e comecei a me sentir muito mais segura, em paz, e feliz.

Agora, quatro anos se passaram, e quase nunca uso maquiagem. Aceito minhas sardas, pois são um símbolo do modo como aprendi a amar minha individualidade e a me sentir bem, sem me amoldar às opiniões das outras pessoas. Descobri que o que é realmente importante é aprender mais sobre a minha identidade espiritual e ser mais honesta para com ela. Afinal, sendo eu a imagem de Deus, por que haveria de querer mudar isso? No primeiro ano de faculdade, fui às aulas sem maquiagem. Pelo menos uma pessoa de cada uma das minhas aulas elogiou minha pele, e fiz amigos com os quais eu podia assumidamente ser quem eu realmente sou.

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Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

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Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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