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Original para a Internet

Diante da violência, construa tendo o amor como modelo

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 25 de junho de 2019


Quando você é agredido, você agride de volta? Por milhares de anos isso representou um problema. Há mais de 3.000 anos, na época de Moisés, duas soluções foram alcançadas. Uma delas era atacar de volta, mas sem usar mais força do que a força que o agressor havia usado — “olho por olho”. Em uma época em que a vingança era imensamente desproporcional, essa foi uma medida de grande progresso. A outra é, ainda hoje, algo tão radicalmente inovador como o foi naquela época. Essa recomendação se encontra em Levítico 19:18: “...amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Essa segunda solução baseia-se em uma imagem totalmente diferente da ação-reação: é apenas ação — a de amar. Baseia-se na premissa de que o amor realmente expressa grande poder. Para o apóstolo João, no Novo Testamento da Bíblia, o Amor era literalmente o nome do Todo-poderoso (ver 1 João 4:8). 

O Amor de que estamos falando aqui não só é incrivelmente poderoso, ele é o único poder legítimo, como afirma a Descobridora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy. Em Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896 ela fala do amor: “Que palavra! Ela inspira em mim um sentimento de reverente admiração. Quantos são os mundos que ela abrange e sobre os quais exerce soberania! aquilo que não deriva de coisa alguma, o incomparável, o Tudo infinito que é o bem, o único Deus, é o Amor” (pp. 249–250).

Chegar a compreender o quanto o Amor divino é poderoso pode neutralizar reações e trazer cura. Tive a oportunidade de passar por essa experiência certo dia quando estava distribuindo material de leitura em um estacionamento em uma zona dominada por gangs em nossa cidade. Um jovem me pediu algo e, quando me abaixei para pegar o que ele pedira, ele pegou minha carteira do bolso de trás. Eu senti, e me virei. Ele me deu um soco no rosto. Um grupo de outros homens começou a ficar do lado dele.

Mais cedo, naquele mesmo dia, eu tinha me lembrado do meu versículo favorito na Bíblia: “Habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre” (Salmos 23:6). Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, a Sra. Eddy explica que esse versículo quer dizer habitar na consciência do Amor divino (ver p. 578).

O que me veio ao pensamento foi que eu precisava mudar a imagem que eu tinha desses membros de gangs — vê-los como filhos do Amor divino, as expressões espirituais do bem de Deus — e estar consciente do poder e da presença do amor de Deus. Eu também sabia, ao me deparar com a violência naquele estacionamento, que eu precisava perdoar, pois essa é parte essencial de amar. Para mim, perdoar é deixar de lado minha crítica a respeito dos outros, para escutar a orientação divina e sentir o Amor sempre presente. Ninguém pode estar fora do amor de Deus.

Ao refletir sobre tudo isso, pude ver para além da aparência de homem durão, egocêntrico e indiferente; pude vislumbrar a natureza do Amor como a própria e única verdadeira natureza desses homens. Nesse ponto, foi fácil perdoá-los, sentir o amor puro e espiritual por eles como meus irmãos em Deus. Ao tirar meu ego do caminho, pude mentalmente reconhecer o amor de Deus por Seus filhos.

Então, o líder deu um passo à frente e, apesar de alguns reclamarem, ele me devolveu a carteira e pediu desculpas.

Vamos encarar os fatos: vivemos em um mundo em que a violência às vezes parece inevitável. Não é difícil ser levado ao modelo ação-reação. Mas o Amor divino está sempre em ação. Esse Amor é o Pai divino de todos. Com certeza o efeito desse pai infinitamente amoroso não poderia ser algo que não fosse isento de ego, bom, misericordioso, justo e assim por diante. Esse Amor é a essência de cada um de nós, apesar das aparências externas.

Cada um de nós pode contribuir para curar a violência, começando pela nossa própria consciência, deixando que nossa relação com Deus, o Amor divino — em vez de ódio ou vingança — nos inspire. E podemos esforçar-nos por amar a Deus com toda a nossa alma, toda a nossa mente, toda a nossa força (ver Lucas 10:27). Podemos, então, perceber e amar toda a natureza espiritual em cada um dos filhos de Deus.

Isso não quer dizer fazer com que os outros mudem, mas sim indica que o Amor divino transforma a todos nós de dentro para fora. Quando construímos a partir desse fundamento, aprendemos a amar, a valorizar a verdadeira natureza de todos, à medida que nossa própria natureza é transformada nesse processo. Começamos a ver que o ódio e a vingança não são aconselháveis nem inevitáveis. Eles não podem destruir o Amor, porque o Amor infinito é o único poder real.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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