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Original para a Internet

O perdão é libertação espiritual

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 12 de janeiro de 2026


Recentemente, uma querida amiga, que estava enfrentando um problema, confidenciou-me que temia não ser digna de cura. Apesar de eu saber que a crença de ser indigna era infundada, e tendo assegurado a ela seu valor inato, essa conversa me fez pensar em uma situação pessoal. Dei-me conta de que eu vinha nutrindo pensamentos semelhantes, relacionados a uma desavença de longa data com um membro da família.

Por muitos anos, eu acreditara que me manter afastada bastaria para diminuir o impacto de nossas divergências, mas, quando pensava no relacionamento com aquele parente, eu sempre acabava me sentindo enredada em um ciclo de autocondenação, amargura e autocompaixão. Ocorreu-me, então, que talvez eu estivesse me sentindo indigna — não apenas do amor daquele parente, mas também indigna do amor de Deus.

Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, costumava recorrer à Bíblia em busca de orientação, e eu imediatamente decidi fazer o mesmo — com a expectativa de obter uma perspectiva mais elevada e sanadora sobre ser digna e sobre o amor.

Os Evangelhos relatam que Jesus curou um paralítico (ver, por exemplo, Mateus 9:2–7). Eu já conhecia essa história, mas, dessa vez, o fato de Jesus ter perdoado os pecados daquele homem, antes de curá-lo fisicamente, chamou muito minha atenção. Por que ele dera prioridade ao perdão, nessa cura? Concluí que a maneira como Jesus procedeu revela uma profunda verdade: o perdão e a cura estão entrelaçados de um modo que nos transforma no nível mais íntimo. São indicadores da proximidade da graça divina.

Um dos aspectos mais significativos do ministério de Jesus era sua capacidade de fazer com que os indivíduos se sentissem dignos do amor de Deus. Ao assegurar-lhes que seus pecados estavam perdoados, Jesus destruía a autocondenação e o sentimento de não serem dignos, os quais impediam a cura. Sabendo que os escribas, eruditos da lei hebraica, questionavam mentalmente sua autoridade para perdoar pecados, Jesus perguntou: “…Por que cogitais o mal no vosso coração? Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?” (Mateus 9:4–5). 

Ao pensar naquele meu parente, concluí que o perdão é uma forma poderosa de libertação espiritual. Quando nosso pensamento fica focado na culpa, no ressentimento ou na autocondenação, deixamos de vivenciar liberdade e saúde genuínas. A Ciência Cristã ensina que o pecado não é uma mancha permanente, mas, sim, uma percepção errônea a respeito de nós mesmos, e essa percepção é corrigida quando reconhecemos nossa verdadeira natureza semelhante a Deus, e isso nos capacita a abandonar o pecado. E, quando percebemos que o amor de Deus é imparcial e está sempre presente, nós nos libertamos de qualquer apego à culpa ou ao ressentimento, abrindo, assim, a porta para a cura.

Perdoar os outros também é parte integrante dessa jornada. Uma frase na Oração do Senhor, a qual Jesus nos ensinou, diz: “…perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores…” (Mateus 6:12). Esse perdão recíproco nos lembra que, ao abandonarmos o ressentimento para com os outros, nos libertamos e abrimos o caminho para a paz e o bem-estar. A Sra. Eddy escreve: “As palavras de nosso querido Salvador ao partir, exalando amor por seus inimigos, enchem meu coração: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. Meus livros curam os doentes e agradeço a Deus, porque nos últimos 40 anos retribuí o mal com o bem, e porque posso recorrer a Ele como minha testemunha da veracidade dessa declaração.

“Aquilo que amamos determina o que somos” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 270).

Eu precisava não apenas libertar aquele parente dos meus pensamentos pouco amorosos a respeito de sua conduta, mas também abandonar os pensamentos pouco amorosos que eu tinha a meu próprio respeito. “O meio de se extrair o erro da mente mortal consiste em inundá-la com a verdade mediante torrentes de Amor”, diz a Sra. Eddy em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras (p. 201). Quando inundamos nosso pensamento com a verdade, conseguimos ver cada pessoa — inclusive nós mesmos — em sua verdadeira natureza, espiritual e pura. A misericórdia e a pureza de pensamento não podem coexistir com um julgamento severo ou com a culpa. Em vez disso, elas nos lembram que, independentemente do erro cometido, a reforma pode ser obtida por todos.

O perdão reflete nosso reconhecimento do valor e do potencial dados por Deus a cada indivíduo. O perdão não deve ser um ato pontual, mas uma prática contínua. Nem sempre é fácil. Mas, quando reconhecemos que o perdão é a expressão do amor de Deus, percebemos que ele não é um sacrifício pessoal, mas uma dádiva divina para nosso coração — e para o coração dos outros também. Essa dádiva é muito mais do que uma libertação emocional — é a percepção espiritual de que não podemos ser afetados por mágoas ou erros do passado. Manter essa verdade no pensamento permite que demonstremos o amor sanador corporificado em Jesus. 

Comecei a perceber que os ensinamentos de Jesus nos convidam a encarar o perdão não como uma desculpa para más ações, mas como uma revelação da verdadeira identidade, tanto nossa quanto dos outros, de que somos filhos de Deus. Quando Jesus curou o paralítico, ele afirmou a identidade puramente espiritual daquele homem como criação de Deus, para sempre sadia, e isso restaurou sua saúde física. Também mostrou que a cura envolve o reconhecimento de nossa relação inquebrantável com Deus. Visto através das lentes desse fato espiritual, o ministério de cura de Jesus apresenta um modelo de perdão que é prático, até mesmo transformador.

Quando aprofundamos nossa compreensão a respeito da Ciência Cristã, aprendemos que o Amor divino, Deus, nos dá toda a força necessária para perdoarmos a nós mesmos e aos outros, sem limitações. Abraçar essa verdade permite que vivenciemos nossa verdadeira identidade.

Compreendi também que perdoar não é uma atitude de passividade. Ao contrário, é um processo ativo, que exige que elevemos continuamente nosso pensamento para reconhecer a totalidade do Amor divino. Cada vez que perdoamos, estamos não apenas refletindo o amor de Deus, mas também fortalecendo nossa compreensão de que Deus é tudo.

Lemos em Ciência e Saúde que: “O Amor é imparcial e universal na sua adaptação e nas suas dádivas” (p. 13), lembrando-nos que o perdão é uma expressão natural da própria natureza do Amor divino, não algo conquistado por meio de esforço humano; é o amor de Deus se manifestando em nosso coração, removendo suavemente tudo o que seja dessemelhante dEle.

Pense nisso: cada traço de culpa, ressentimento e medo se dissolve quando compreendemos que nós já somos amados, que já somos sadios. Foi isso o que começou a se revelar para mim. À medida que passei a enxergar a mim mesma e aquele parente somente nessa verdadeira luz do bem, senti uma mudança no meu pensamento — libertei-me de um fardo que havia carregado durante anos. Embora nosso relacionamento não esteja totalmente restabelecido, eu não guardo mais ressentimento. Sinto uma paz profunda — um amor genuíno por esse membro da família. Atualmente eu estou receptiva, e tenho a expectativa de amor recíproco, em plena confiança de que Deus nos governa — a ambos.

Essa mudança trouxe uma tranquila clareza de pensamento, quando abandonei conscientemente a culpa e permiti que o Amor guiasse. Naquele momento, percebi que este é o cerne da Ciência Cristã: compreender que já fomos perdoados e estamos envolvidos pelo amor de Deus. Como você se sentiria se soubesse que está totalmente curado, agora e para sempre? Tal certeza não é apenas reconfortante — ela nos transforma profundamente, e nos permite vivenciar a paz e a saúde duradouras que, de fato, já nos pertencem.

Ao seguirmos o exemplo de perdão dado por Jesus, cultivamos um coração pronto para receber essa cura e levar essa graça a outros. Dessa forma, constatamos que o perdão não é apenas um ato nobre, mas é o reflexo do Amor divino que indica nossa verdadeira identidade espiritual. Quando abraçamos esse caminho, vivenciamos a saúde que Jesus demonstrou para todos os que ele curou. E vemos o poder sanador do Amor em nossa própria vida.

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