Quando nossa experiência de vida inclui uma ou mais formas de abuso, chegar à cura completa dos efeitos desse abuso pode ser um desafio. Quando uma praticista da Ciência Cristã começou a me ajudar por meio da oração, nós conversamos sobre o grande amor de meu Pai-Mãe Deus por mim e sobre minha capacidade de perdoar e seguir em frente. Na época, essa me pareceu ser uma tarefa impossível, contudo, indicou-me a direção certa. Por fim, dediquei-me diligentemente a encarar o perdão do ponto de vista espiritual. Isso me libertou das sequelas do abuso mental e físico, e pude seguir em frente sem rememorar o passado.
No entanto, precisei progredir mais. Quando meu passado veio à baila durante uma conversa com uma amiga, percebi que, durante anos, eu havia me permitido aceitar somente relações de amizade. Estava fechada a um relacionamento mais profundo, de tal maneira que estava genuinamente confusa quanto à possibilidade de um namoro. Percebi que o fato de me isolar havia impedido a cura completa em relação à crença de que eu sofrera um abuso, portanto, eu precisava me libertar disso. Tentei orar sozinha, mas não consegui, então, no dia seguinte, telefonei para outra praticista em busca de ajuda.
Ela me pediu que refletisse sobre este versículo da Bíblia: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26). Ela explicou que Jesus não estava pedindo que rejeitássemos aqueles a quem amamos. Ele estava nos pedindo para rejeitar a crença de que sejamos mortais, e aceitar o fato de que somos totalmente espirituais, filhos de Deus, o Espírito. Isso permite que nos libertemos da crença de que sejamos mortais, e nos capacita a perdoar a nós mesmos por termos acreditado em uma natureza mortal. Eu nunca havia considerado esse tipo de perdão.
Depois de conversar com a praticista, comecei a abrir mão da crença de que em meu passado houvera um período em que eu havia vivenciado algo dessemelhante de Deus, o bem, um período em que eu estivera separada do amoroso Pai-Mãe. Reconheci que, se Deus não havia passado por algo, então eu, como Sua imagem e semelhança, também não poderia ter vivido essa experiência. A história humana não é uma realidade espiritual. Somente a existência eterna no reino do Espírito é verdadeira.
Ao compreender isso, percebi que a crença de abuso não podia ficar presa a mim. Não sou um ímã para que a história física grude em mim! Eu sou e sempre fui somente espiritual, porque o Espírito é a causa única e o único Criador. Por meio da oração, pude ver a realidade de minha união com Deus. Recusei-me a continuar pensando que o irreal era real ou que, em algum momento, eu tivesse estado separada de Deus.
Duas palavras que me vieram ao pensamento durante o estudo foram: debilidade e integridade. De acordo com várias definições que encontrei online, debilidade implica fraqueza física ou mental, ao passo que integridade é o estado de ser inteiro, sem divisões. Percebi que minha vida procedia de Deus e estava integralmente em Deus, o Espírito, a Verdade e o Amor. Não havia debilidade em Deus e em Seu reino, onde “vivemos, e nos movemos, e existimos” (ver Atos 17:28). Fui criada por Deus, e nada pode ser modificado, acrescentado ou removido daquilo que Deus criou. Por ser a criação de Deus, eu expresso integridade espiritual e minha verdadeira identidade não pode ser corrompida pela crença em uma vida mortal. Compreendi que estou agora, e sempre estive, na presença de Deus. Não existe a menor possibilidade de eu estar em qualquer outro lugar.
Em minhas orações, no passado, a declaração de Jesus sobre seu jugo ser suave e seu fardo leve (ver Mateus 11:28–30) haviam me ajudado. Vi que minha vida havia sido muito mais fácil do que a dele, e isso me ajudou a parar de achar que eu tivera um passado difícil. Mas agora estava vendo um novo e mais elevado significado espiritual nesse versículo, percebendo por que o jugo do Cristo era suave: Jesus sabia de sua união com Deus, sabia que era um com o Pai celestial. Em vez de ser um fardo, isso libertava Jesus da crença na existência mortal. Ele era totalmente obediente a Deus.
Percebi que, da mesma maneira, eu não poderia estar atrelada a uma história material, fosse ela perturbadora ou não. O jugo de Cristo Jesus também poderia ser o meu jugo. Eu realmente era a filha de Deus, perfeita, amada, completa e sadia. Perceber minha união com Deus me libertou da crença em uma história pessoal mortal. Vi que eu não tinha outra vida, a não ser a minha vida em Deus.
Essa mudança mental trouxe uma paz mais profunda e uma liberdade que eu nunca havia vivenciado. Desde aquele momento, minha atmosfera mental tem estado cada vez mais leve. A alegria que sinto está fundamentada na espiritualidade. Hoje, quando penso no passado, não há mais dor nem angústia. Sou muito grata por finalmente desfrutar não somente das amizades, mas também por estar aberta a um relacionamento mais profundo, o que me deixa admirada!
Tenho profunda gratidão por essa cura. O Amor me libertou. Sei que essa alegria e liberdade duradouras fazem parte de cada um de nós, como filhos amados de Deus.
Nome Omitido
