O conceito de amar nosso próximo parece tão simples, mas, às vezes, não é bem assim.
Há alguns meses, eu estava na arena de equitação, treinando um cavalo e preparando-o para uma aula importante que haveria em seguida. Naquele momento, um vizinho passou em alta velocidade pela estrada em um quadriciclo que parecia ser o mais barulhento que se possa imaginar. Se ele tivesse feito isso uma única vez já seria bem ruim, mas ele andou cerca de 800 metros, deu meia-volta e retornou, repetindo a manobra muitas e muitas vezes. Meu cavalo se distraiu e ficou assustado. A princípio, eu também me senti assim, mas então me lembrei da parábola do bom samaritano (ver Lucas 10:25–37), a qual Jesus contou.
Naquela manhã, eu estivera orando e estudando o que Jesus ensina a respeito de amar o nosso próximo. Percebi, então, que estava na hora de eu colocar em prática esses poderosos ensinamentos. Imediatamente, meu ressentimento em relação ao vizinho se abrandou, e humildemente orei para perdoá-lo e para amá-lo como Deus o ama, por ser ele Sua imagem e reflexo. Logo ele foi embora, e meu cavalo e eu pudemos cavalgar de maneira tranquila e produtiva. Fiquei grata por essa oportunidade de amar o meu próximo.
Contudo, alguns dias depois, esse vizinho repetiu seu ruidoso trajeto de idas e vindas na estrada. Desta vez, gritei e pedi que ele parasse.
Então, ele veio até nosso portão, e eu rapidamente prendi o cavalo, preparando-me para o que pensei seria uma discussão acalorada e um sermão sobre os direitos dos proprietários. Quando me aproximei, o homem e meu marido estavam conversando tranquilamente. Ele disse que estava procurando seu cachorro que havia sumido, e ninguém falou nada sobre minha explosão. Meu marido e eu percebemos que esse vizinho era um rapaz gentil e trabalhador. Posteriormente, soube que o cachorro havia voltado para casa, e nunca mais vimos ou ouvimos o quadriciclo.
Sou muito grata por essa singela experiência de amar o próximo. Mas, e quando parece que estamos sofrendo continuamente por culpa de outros? Visto que Deus é o Amor, infinito, Seus filhos podem confiar no fato de que “…o Amor se reflete em amor…” (Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 17).
Em certo momento de minha carreira, eu me encontrei em um emprego no qual o ambiente mental poderia ser atualmente definido como “tóxico”. Antes do primeiro dia de trabalho, eu fora informada a respeito de táticas preocupantes adotadas por alguns funcionários. O comportamento deles não era ilegal, mas faltava muito pouco para isso. A situação exigiu de mim oração diária, bem como um amor isento de ego.
Na realidade, eu sabia que meu propósito naquela equipe era expressar, em relação a todos, um amor mais semelhante ao de Cristo — deixar o Cristo, a verdadeira ideia de Deus, elevar meu pensamento para que eu pudesse ver aqueles colegas como eles realmente eram, ou seja, filhos de Deus, espirituais e bons. Muitos versículos bíblicos e mensagens contidas nos escritos da Sra. Eddy foram de grande apoio, durante o tempo em que exerci aquela função. Por exemplo, desde o início, ao lidar com a animosidade, eu orava com este versículo bíblico: “Quando o inimigo vier como torrente impetuosa, o Espírito do Senhor erguerá um estandarte contra ele” (Isaías 59:19, conforme a Bíblia em inglês, versão King James).
Eu precisava muito de sabedoria e discernimento, e também precisava estar mentalmente alerta. Muitas vezes, depois do trabalho, eu dava longas caminhadas entre as árvores para, em silêncio, ouvir as mensagens angelicais de Deus. E diariamente eu recebia a nutrição proporcionada pela terna e sanadora inspiração de Deus e por Sua orientação. Eu lembrava que, quando nosso coração e nosso pensamento estão cheios de amor, compreendemos que não temos inimigos. Eu também sabia que “…Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 João 1:5).
Por mais desafiadora que, por vezes, a situação parecesse, eu me empenhava sinceramente em reconhecer que todos estavam envolvidos pelo Amor divino, e fui testemunha de muitos exemplos maravilhosos do efeito positivo dessa oração, no trabalho que eu conseguia fazer. Eu nunca antes havia sentido tanta necessidade de amar como Jesus nos ensinou. Com base em seu exemplo, aprendemos a ver todos, mesmo aqueles que parecem ser nossos inimigos, como Deus os vê — aprendemos a amar, a orar e a perdoar, e a nunca reagir com raiva ou tentar nos vingar.
Sou muito grata pelo crescimento em graça que tive durante esse período. Depois de algum tempo, ofereceram-me um trabalho em uma função similar em outro lugar. Nesse novo local, todos eram gentis e me apoiaram, e lá passei alguns anos muito agradáveis. Também fiquei feliz ao saber que o ambiente aparentemente tóxico de meu emprego anterior havia sido substituído por uma atmosfera bem melhor de pensamento e conduta.
Por essas lições que nos ensinam a amar nosso próximo com a simplicidade de uma criança e com profunda humildade, sou sinceramente grata.
