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Original para a Internet

Fazer nossa parte para reduzir a negatividade na política

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 26 de setembro de 2019


Parece que estamos vivendo uma época de muito veneno no que diz respeito aos discursos políticos, ao redor do mundo. Desde as intermináveis discussões no Reino Unido, entre aqueles que defendem sair da União Europeia e os que querem a permanência, até as opiniões profundamente divididas sobre quem é o legítimo presidente da Venezuela, e a polarização entre os dois partidos nos Estados Unidos, quanto ao progresso do país

Parece muitas vezes que sentir ou enfrentar a raiva é o preço que temos de pagar para continuarmos informados e participantes. Então, poderíamos nos perguntar: “Como fazer para não ficar com raiva e, ao mesmo tempo, continuar a se interessar pelas questões importantes?”

Um ponto de partida, para mim, é me questionar como estou vendo aqueles que se mantêm firmes nas ideias das quais discordo. Com relação a isso, faz-nos refletir um comentário feito pela anterior embaixadora americana nas Nações Unidas, quando deixou o cargo. Durante um jantar de caridade na cidade de Nova York, Nikki Haley disse: “Em nossa vida política tóxica, ouvi pessoas dos dois partidos descreverem seus oponentes como inimigos ou como pessoas más… Temos sérias diferenças políticas aqui em nosso país. Mas nossos oponentes não são representantes do mal, são simplesmente nossos oponentes” (CNN.com, “Nikki Haley: ‘Our opponents are not evil, they’re just our opponents’ ”, 19 de outubro de 2018). 

Vamos aprofundar um pouco mais essa linha de raciocínio. Existe uma percepção espiritual fundamental a respeito dos outros que torna impossível vermos qualquer pessoa, inclusive qualquerpolítico, como um inimigo real. Essa percepção espiritual é de que quaisquer qualidades negativas que possamos associar a eles não são inalteráveis nem fazem parte do que eles realmente são. É um fato espiritual que todo indivíduo, quer o conheçamos pessoalmente ou por meio da imprensa, é na verdade espiritual e criado por Deus, a fonte de todo o bem. Somos todos criados para expressar a natureza divina — como o reflexo espiritual do próprio Deus.

Visto que o homem, como o reflexo espiritual de Deus, é o que existe realmente, tudo o que não representa essa identidade, mesmo nas pessoas de quem somos tentados a ter medo ou sentir raiva, não é o que elas realmente são, como filhos e filhas de Deus. Da mesma forma, qualquer opinião que tenhamos a respeito de nós mesmos como propensos a nos sentir provocados, irritados ou até mesmo sentir ódio de outra pessoa, tampouco é uma percepção correta daquilo que realmente somos.

Isso não significa que devamos ignorar, tolerar ou nos resignar ao comportamento errado. Significa que nos levantamos em desafio ao medo de estarmos sujeitos a situações que fogem do nosso controle. Esse medo é o sutil sussurro daquilo que poderia ser considerado o agente mais enganador de todos: a mentalidade que vê a vida e a mente como materiais e inevitavelmente propensas tanto ao mal quanto ao bem.

A Bíblia chama essa mentalidade de mente carnal, e a sugestão de que o mal seja mais poderoso do que o bem tem de ser desacreditada, porque as Escrituras declaram que “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom...” (Gênesis 1:31). Em vez de aceitar a visão falsa da mente carnal, podemos orar para ver a presença e o poder contínuos do bem que Deus sempre mantém. Fazendo isso, começamos a discernir que o mal não tem realmente o poder que talvez pareça ter.

Percebi isso ao lidar com alguém cujas ações me angustiavam de tal forma, que ver a pessoa como criação de Deus — feito para glorificar o bem da Deidade — parecia difícil demais. Mas persisti, orando com base em uma observação fundamental sobre Cristo Jesus, nos ensinamentos da Ciência Cristã. Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras,Mary Baker Eddy escreve: “Jesus reconhecia na Ciência o homem perfeito, que lhe era visível ali mesmo onde os mortais veem o homem mortal e pecador” (pp. 476–477).

Com sua extraordinária atuação, ao curar tanto a doença quanto o pecado nos outros, Jesus deu provas do bem que pode ser realizado por mantermos o verdadeiro conceito a respeito de nossos semelhantes como expressões de Deus. Enquanto eu me empenhava humildemente para fazer isso, o medo e o ressentimento que eu sentia, pelo homem que havia me prejudicado, finalmente perderam força e a situação logo foi resolvida.

Será que essa não é uma atitude que podemos tomar também no campo da política? Em vez de nos deixarmos envolver por uma atmosfera mental tóxica de ódio por algum político, cujas palavras e ações nos tentam a reagir no mesmo nível, podemos ajudar a curá-la. Podemos aquietar-nos e orar, e nessa oração podemos identificar aquilo que parece indicar uma pessoa menos do que espiritual e podemos deixar de aceitar essa convicção falsa e material. Fazer isso não significa tolerar situações difíceis. Optar por uma perspectiva mais espiritual neutraliza o medo, despertando nosso pensamento para reconhecer o bem que já existe — e sentir a confiança de que o bem sempre existirá. Isso ajuda a manter o equilíbrio e a tranquilidade mental para orar com inspiração e apoiar o desdobramento das ideias que atendem às necessidades humanas. Além disso, favorece a coragem necessária para tomar, na prática, a atitude que formos inspirados a tomar.

Quer apoiemos o candidato vencedor ou o perdedor, em qualquer eleição (não importa em que parte do mundo estejamos, e não importa quais sejam as questões em jogo), podemos persistir em nosso compromisso de manter a visão espiritual a respeito de todos. Dessa maneira, cada palavra e cada ação nossa serão lançadas para o lado da lei divina do bem e permanecerão como um voto contra o aumento da divisão, do ódio e do medo.

Tony Lobl
Redator-Adjunto

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Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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