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Original para a Internet

Lições de submissão ao Amor divino

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 21 de junho de 2019


Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy enfatiza quão importante é, para a prática da cura pela Ciência Cristã, conhecer, sentir, vivenciar e refletir a Deus, o Amor, como Amor. Ela diz: “ ‘Deus é Amor.’ Mais do que isso não podemos pedir, mais alto não podemos olhar, mais longe não podemos ir” (p. 6), e “A parte vital, o coração e a alma da Ciência Cristã, é o Amor. Sem o Amor, a letra nada mais é do que o corpo morto da Ciência ― sem pulso, frio, inanimado” (p. 113).

Quanto mais nos permitimos sentir e expressar o Amor divino, mais vivenciamos, em nosso dia a dia, as infinitas bênçãos e o poder de cura do Amor. Contudo, aceitar o amor de Deus e todo o bem que o Amor divino está nos proporcionando nem sempre parece fácil. Um dos motivos talvez seja não nos sentirmos merecedores das bênçãos de Deus.

Às vezes, o sentimento de baixa autoestima é uma forma de amor egocêntrico ou de amor ao ego. O egoísmo não é simplesmente colocar nossos próprios interesses acima dos interesses dos outros. Pensamentos apegados ao ego, o amor ao ego, provêm do fato de que identificamos a nós mesmos como uma pessoalidade material e imperfeita, em vez de vermos que somos o reflexo espiritual e perfeito de Deus ― a identidade verdadeira e eterna de todos nós. Deus conhece a todos nós como ideias fidedignas, perfeitas e boas. Para vivermos realmente como o reflexo de Deus, da Vida, da Verdade e do Amor divinos, precisamos deixar de nos identificar como pessoa mortal, imperfeita, e temos de ceder ao poder transformador do Amor divino.

O pastor da Igreja de Cristo, Cientista ― a Bíblia em conjunto com Ciência e Saúde ― explica que a identidade irreal, material, não pode ser melhorada, ela tem de ser descartada, tem de deixar de ocupar lugar em nossa consciência, a fim de que possamos assumir e demonstrar nossa identidade espiritual verdadeira, que não precisa de aprimoramento. É a identidade material inverídica que é indigna da presença e das bênçãos do Amor divino. Mas a nossa verdadeira identidade é inseparável desse Amor. Portanto, aceitar um conceito material de homem, em vez de aceitar a verdadeira identidade que Deus conhece, pode levar a um senso de baixa autoestima ― até mesmo à autocondenação ― como também à sensação de sermos incapazes de ceder ao Amor divino e de expressar amor pelas outras pessoas.

Podemos aprender lições importantes de como ceder ao Amor divino, na história bíblica da visita de Jesus à casa de Marta e Maria (ver Lucas 10:38–42). Maria se sentou aos pés de Cristo Jesus “a ouvir-lhe os ensinamentos”, enquanto Marta “agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços”. Quando Marta se queixou de que Maria não a estava ajudando, Jesus respondeu: “Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.

Essa história é um lembrete importante para não deixarmos que as tarefas humanas diárias nos impeçam de reservar um tempo para a oração tranquila e a comunhão com Deus ― para sentir Seu amor por nós. Mas, como em todos os relatos bíblicos, é bom ir ainda mais a fundo, até à Palavra inspirada, a fim de compreendermos melhor a orientação espiritual que o relato oferece.

Não sinto mais a necessidade de superar minhas imperfeições mortais, antes de aceitar o amor todo-abrangente de Deus. 

Em realidade, essa história é sobre o Cristo, a verdadeira ideia de Deus, que está sempre presente para ser aceito na consciência individual e para revelar nossa verdadeira natureza como a reflexão, o reflexo eterno e glorioso, do Amor divino. Não sabemos o que Marta e Maria estavam realmente pensando na ocasião, mas a figura de Marta, preocupada com o trabalho de servir as pessoas, me faz lembrar de como eu às vezes me sentia, quando orava e buscava a inspiração do Cristo. Eu sentia o peso de acreditar que tinha de fazer todo o trabalho para melhorar uma identidade imperfeita, antes de ser digna de ficar tranquila e deixar que o Amor divino, por meio do Cristo, me revelasse minha verdadeira identidade como o reflexo de Deus. O que eu realmente precisava fazer era ceder humildemente ao Amor divino, como fez Maria.

Ciência e Saúde expressa isso desta maneira: “Visto que, na Ciência, o homem real está ligado ao seu Criador, os mortais só precisam voltar-se em direção oposta ao pecado e desprender-se do ego mortal para encontrar o Cristo, o homem real e sua relação com Deus, e para reconhecer a filiação divina” (p. 316). Maria se voltou em direção oposta ao senso material a respeito de si mesma e volveu-se para o Cristo, a Verdade, que estava lhe falando sobre a identidade dela como a própria filha do Amor. Ela não sentiu nenhuma necessidade de primeiro superar suas falsas imperfeições mortais, antes de poder sentir o abraço infinito de seu Pai-Mãe Amor. Em realidade, a cura das imperfeições mortais só pode ser alcançada por meio dessa humilde submissão ao Amor. O Cristo lhe assegurou que a relação dela com Deus “não lhe ser[ia] tirada” ― porque ela nunca poderia ser separada do Amor divino.

O poder de desprender-se do ego e submeter-se ao Amor divino, como Maria fez, ficou demonstrado para mim em uma cura que ocorreu há uns dois anos. Eu estivera dedicando um tempo livre, surgido de maneira inesperada, a estudar a Ciência Cristã e estava muito contente com o crescimento espiritual decorrente desse estudo. Mas um dia comecei a sentir uma dor muito agressiva no tórax. Parecia que, quanto mais eu orava com as verdades que estava aprendendo, mais fortes ficavam as dores.

O momento crucial se deu quando compreendi que o erro, a crença errônea que precisava ser tratada, não era uma incapacidade de compreender a letra da Ciência Cristã, mas uma relutância em aceitar seu espírito de Amor. Eu não me sentia boa o bastante para merecer todas as bênçãos sobre as quais eu estava aprendendo com o estudo da Ciência Cristã. Por isso, nos dias seguintes, esforcei-me para me tornar mais semelhante a Maria, curvando-me diante do Cristo, a Verdade, e permitindo que o amor infinito de Deus preenchesse minha consciência.

Refletindo sobre a referência que consta em Ciência e Saúde, com relação à “doutrina da Ciência Cristã”, que declara em parte: “O Amor divino não pode ser privado de sua manifestação, ou objeto” (p. 304), eu senti a presença palpável do Amor divino todo-abrangente. Isso me levou a aceitar o glorioso fato espiritual de que eu existo porque, e somente porque, Deus existe e está sempre Se expressando em mim ― e em todos nós. Assim como os raios do sol não podem fazer nada para ganhar mais luz do sol, eu não podia fazer nada para ganhar mais amor de Deus.

Quando o senso material sobre mim mesma foi substituído pelo senso espiritual ― quando cedi ao Amor divino ― os sintomas físicos desapareceram em sua nulidade. Alguns meses mais tarde, tive sintomas físicos semelhantes aos anteriores, mas também foram rápida e completamente curados, e eu estou livre há mais de um ano. O mais importante é que não sinto mais a necessidade de superar minhas imperfeições mortais antesde aceitar o amor todo-abrangente de Deus e a bênção do poder de cura do Cristo. Agora, tal como Maria, eu deixo que o Pai-Mãe Deus me ame como Ele me conhece e esse amor é acompanhado pela doce certeza do meu verdadeiro valor. E é maravilhoso saber que esse é só o início, eu apenas comecei a compreender a paz, a alegria, o poder e o bem ilimitados que certamente me serão revelados, à medida que eu me submeter, cada vez mais, ao Amor divino.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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