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Original para a Internet

Tem de haver algo mais!

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 19 de agosto de 2019


Imagine um quarto vazio e sem janelas. Cada canto e cada centímetro das paredes e do piso estão completamente no escuro. E uma pessoa vive nesse quarto; na verdade, alguém que jamais viveu em outro lugar.

Bem no meio do quarto está a única exceção a essa falta de mobiliário: uma mesa pequena, ladeada por duas cadeiras. Em cima da mesa está um tabuleiro de xadrez. Ocupando os quadrados que compõem o tabuleiro estão as lindas peças do jogo de xadrez, encantadoramente banhadas por um pequeno facho de luz. As peças do xadrez e o tabuleiro são as únicas coisas que estão sob a luz, e são as únicas coisas para as quais o morador do quarto olha.

Agora imagine que, mais ou menos uma vez por semana, outra pessoa entra no quarto por uma porta escondida e se senta à mesa. O morador do quarto joga xadrez com essa outra pessoa desde pequeno. Você pode imaginar, com o passar dos anos, o quão importante o jogo de xadrez se tornou para o residente do quarto! Sendo a única coisa que ele conhece e vê, o equilíbrio de seu mundo depende do que acontece naquele pequeno tabuleiro. O que acontece ao cavalo, à rainha ou ao peão, sem dúvida, representa absolutamente tudo para ele.

Suponha que um dia, durante uma partida de xadrez, o oponente sussurre do outro lado da mesa: “Amigo, tenho algo para lhe dizer. A existência é muito mais do que este jogo de xadrez. Fora deste quarto existe um mundo luminoso, variado, enorme e complexo”.

“Hum ... às vezes eu bem que desconfiava,” comenta o morador do quarto, “que tinha de haver algo mais, de alguma maneira. Mas quando olho em volta, com meus próprios olhos, é obvio que somente o que acontece neste tabuleiro de xadrez faz sentido. De modo algum existe algo mais importante, mais vital e mais crucial para nós dois do que a estratégia que comanda o que acontece nesse tabuleiro de quadrados pretos e brancos”.

Evidentemente, no momento em que o morador do quarto é levado para fora de sua sombria habitação, para a luz do dia, tudo se torna quase magicamente diferente e maravilhoso para ele. E, depois de apenas umas poucas horas do lado de fora, explorando a imensidão do mundo, tudo que acontecera ao longo dos anos naquele tabuleiro de xadrez se torna comparativamente menos importante.

Você já teve algumas pequenas intuições de que a existência consiste em mais do que simplesmente o que você vê todos os dias, aonde você vai, o que você faz? Já suspeitou que deve haver muito mais do que apenas aquilo que seus olhos estão apresentando a você? 

Muitas vezes, eu já tive esses sentimentos e pequenas intuições. Para mim, um ponto de vista mais amplo e mais claro a respeito da existência inclui aspectos espirituais profundos do nosso existir, os quais são tangíveis, agora mesmo.  

Assim como aconteceu com o residente do quarto, que vivia focado no jogo de xadrez, quando ouviu o sussurro do amigo falando de um mundo maior e mais luminoso, nós ouvimos o sussurro de Deus, da Verdade divina, em nossos pensamentos e em nosso coração, e isso tem um efeito maravilhosamente revelador. Ele nos apresenta ao mundo verdadeiro: o único maravilhoso e infinito mundo do Espírito, do Amor e da bondade, da luminosa espiritualidade e incrível inteligência divina.

Sim, tal qual aquelas peças do jogo de xadrez sob o pequeno facho de luz, o universo físico pode momentaneamente parecer, para nós, ser o tudo e a única coisa que existe, tornando difícil até mesmo imaginar algo além desse universo. Mas, felizmente, existe mais, muito mais, e esse mais está presente! Como disse Jesus: “está próximo o reino dos céus” (ver Mateus 10:7). A teologia de Jesus nessa declaração se afastava naquela época, tanto quanto se afasta hoje em dia, das perspectivas filosóficas e religiosas comuns.   

O reino dos céus não é algo para alcançarmos no futuro. E não está distante de nós. Aqui e agora, o reino de Deus pode ser conhecido, percebido, comprovado e vivido. Em vez de a morte ser a passagem para um mundo de felicidade celestial, Jesus declarou de maneira clara esta boa-nova para todos os seus seguidores: “venha o teu reino” (Mateus 6:10). E Mary Baker Eddy apresenta a interpretação espiritual dessa frase: “O Teu reino já veio; Tu estás sempre presente” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 16). Ela não disse “está vindo”, mas “já veio”! Em vez de deixar o paraíso pela mortalidade, e viver perpetuamente em meio a vulnerabilidades e frustrações, nós vivemos de fato, agora mesmo, espiritualmente, em perfeição, na infinitude de Deus, na infinitude do Amor divino.

O que acontece quando a consciência humana percebe o sussurro do Amor?

Se você parar para pensar nisso, vai perceber que, visto que Deus está em todo lugar, em realidade não existe nenhum outro lugar para aonde possamos ir. Assim, de pensamento em pensamento, passo a passo, de oração em oração e de cura em cura, podemos reconhecer e comprovar a natureza espiritual presente e ilimitada da verdadeira existência. Podemos ver resultados tangíveis em nossa vida, ao acolhermos os fatos espirituais na consciência e expressá-los em nossas orações e em nosso viver. Esse é o trabalho leal dos seguidores de Jesus, os estudantes da Ciência do Cristo que ele ensinou.

Sempre temos a oportunidade, em nossas orações, com a disposição própria de uma criança, de elevar nosso olhar para além de algum hipnotizante “mundo que só consista em um jogo de xadrez” definido apenas por limites restritivos. E logo, para nossa surpresa, constatamos que, efetivamente, muito mais nos foi dado; em realidade, infinitamente mais! A partir dos limites e do contexto da mera mortalidade, as palavras não são suficientes para descrever tudo isso.

Se apenas escrevermos a palavra tempestade nesta página não conseguiremos sequer chegar perto do cheiro de chuva, do bonito ribombar dos trovões e das gotinhas de água respingando na terra empoeirada. Da mesma maneira, as palavras impressas “Tudo é Deus, e Deus é Amor” não correspondem à imensidão absoluta e à maravilha do Amor infinito que é a Deidade. Todavia, por meio da oração coerente, podemos efetivamente descobrir e perceber de modo tangível a presença e a verdadeira natureza do Amor divino.   

“Esse reino de Deus ‘está dentro de vós’ — está ao alcance da consciência do homem agora, e a ideia espiritual o revela”, explica o livro Ciência e Saúde (p. 576).

O que acontece quando a consciência humana percebe o sussurro do Amor, a revelar que a ideia espiritual, o reino de Deus, está presente e intacto? Decisão, reforma, transformação do pensamento e cura permanente.

Por exemplo, quando os discípulos de Jesus o questionaram a respeito de um homem cego de nascença, ficou claro que eles ainda percebiam a existência somente a partir de uma perspectiva limitada da vida material. A partir desse ponto de vista limitado, como em um jogo de xadrez, eles naturalmente acreditavam que alguém havia feito um movimento errado, um movimento que fizera o homem sofrer, o que os levou a perguntar: “...Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” Mas Jesus respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9:2, 3). 

Percebemos, pela resposta de Jesus, que ele não se impressionava diante da evidência de vulnerabilidades e limitações materiais. A consciência de Jesus estava plena da maravilha do cenário mais luminoso e mais amplo, a enormidade das obras de Deus, agradáveis e presentes. Sem dúvida, Jesus contemplava esse infinito reino de Deus e, por meio da verdade espiritual, o cego foi curado e passou a enxergar. Conforme diz Mary Baker Eddy: “O universo visível e o homem material são falsificações mal feitas do universo invisível e do homem espiritual. As coisas eternas (as verdades) são pensamentos de Deus, da maneira em que existem no reino espiritual do real” (Ciência e Saúde, p. 337).

Ao ponderar sobre a minha vida dessa forma, percebi que minha perspectiva, minha percepção em relação ao meu mundo, estava se expandindo. Sim, exatamente aqui, no vasto reino espiritual do real, existe uma infinidade de realidades eternas, as quais são reflexos dos pensamentos de Deus, belos e excelentes.

É muito animador saber que cada um de nós pode se levantar e abandonar a perspectiva estreita de uma existência material limitada, e caminhar rumo à vasta, bela e abençoada luz da verdade espiritual e da realidade divina.    

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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