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Original para a Internet

Confiança durante tempos incertos

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 18 de maio de 2020


Alguém disse que a única coisa da qual se pode ter certeza é de que não se pode ter certeza de nada. As incertezas da existência humana parecem confirmar tais palavras. Mas, será que o caos e a instabilidade são realmente os princípios por trás do existir, ou há outro Princípio, mais confiável, no qual podemos basear nossa vida? 

Desde a minha infância gosto de um hino do Hinário da Ciência Cristã, o qual conduz meu pensar em direção ao Princípio divino que é Deus. O hino começa assim:

Quem no Amor habita,
Não sente mais temor;
Confiança irrestrita
Merece o Senhor.
Se ruge a tormenta,
Buscando me prostrar,
Com Deus que me sustenta
Não posso fraquejar.
(Anna L. Waring, No 148). 

Inicialmente essa mensagem parece servir meramente para nos confortar, mas, olhando com mais atenção, essas palavras são afirmativas e poderosas. Que conceito impressionante: “Confiança irrestrita merece o Senhor… não posso fraquejar.” Quem é o “Senhor” que merece confiança irrestrita? O hino esclarece desde o início: o “Amor” é um dos nomes para Deus, e os que nEle habitam e nEle confiam irrestritamente já não sentem temor, e não podem fraquejar.

Por meio de meu estudo da Ciência Cristã aprendi que Deus não é uma pessoa sentada em um trono nas nuvens, escolhendo a quem irá atender, e o que decidirá consertar em nosso mundo. Deus é o Princípio do universo, a Mente divina que conhece e ama tudo e faz com que a criação ganhe expressão. Deus é o imutável Princípio divino, que é sempre o mesmo, estável, perfeito e constante. 

Mary Baker Eddy escreve, no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A compreensão como a de Cristo a respeito do existir científico e da cura divina inclui o Princípio perfeito e a ideia perfeita — Deus perfeito e homem perfeito como base do pensamento e da demonstração” (p. 259). Compreendo a partir desse texto que o todo da existência é o infinito Princípio uno e único, a Mente, e Sua manifestação infinita, ou seja, o homem e o universo. Deus é o Tudo-em-tudo. É realmente a única certeza, o “Senhor”, imutável, que merece confiança irrestrita. 

Mas, e se rugem à nossa volta as tormentas da vida? Não podemos ser simplórios a esse respeito. Nem agir como se nada houvesse a ser feito, enquanto a humanidade clama em busca de cura. No entanto, o fato de os problemas globais e pessoais parecerem enormes não é motivo para não confiarmos, com plena certeza, no Princípio divino; ao contrário, é quando se torna mais necessária uma confiança ainda maior nesse Princípio.  

Estou aprendendo que essas situações não correspondem à verdade nem à realidade, mas são distorções, interpretações errôneas, ou até mesmo a negação total da Verdade una e única, ou seja, Deus. A terra, por exemplo, aparenta ser plana, de qualquer ponto em que a observemos, mas é redonda; quando observada do espaço cósmico pode ser vista na sua forma esférica. Do mesmo modo, a vida parece ser limitada e finita, a partir de nosso ponto de vista pessoal. Mas nossa vida sempre foi ilimitada e eterna, e sempre é vista dessa forma a partir da perspectiva da Mente divina, Deus, nossa verdadeira Vida. Assim, por trás de tudo o que percebemos por meio de nossos sentidos físicos, existe uma proveitosa ideia espiritual que pode ser vista a partir da perspectiva de Deus, a Mente.  

A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que foram confrontadas por perspectivas que julgavam incertas, segundo lhes parecia sob seus próprios pontos de vista. Esses indivíduos, por meio da oração, ou seja, prestando atenção à orientação dada por Deus para ver a perspectiva infinita, inúmeras vezes vivenciavam curas transformadoras. A realidade divina era mais amplamente revelada, e desse modo eram atendidas urgentes necessidades de saúde, alimentação, abrigo e livramento diante de inimigos.

É necessária uma qualidade de pensamento — a humildade, que permite a ocorrência de tal discernimento, como o demonstrou plenamente Cristo Jesus. Jesus estava disposto a deixar Deus ser o Ego uno e único. E sua vida inteira demonstrou o controle amorosamente exercido por Deus. A seus seguidores ele ensinou a oração que diz: “Faça-se a tua vontade” (Mateus 6:10), e ele disse também: “Eu nada posso fazer de mim mesmo; … não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou” (João 5:30). É necessário termos a disposição de abrir mão de nosso modo de perceber as coisas e deixar Deus interpretar seu próprio universo. Conforme está escrito em Ciência e Saúde: “O Princípio divino do universo tem de interpretar o universo. Deus é o Princípio divino de tudo o que O representa e de tudo o que realmente existe. A Ciência Cristã, como foi demonstrada por Jesus, é a única que revela o Princípio divino e natural da Ciência” (p. 272). 

O infinito Princípio uno e único da existência está aqui agora, e podemos verdadeiramente mudar nosso limitado modo de ver, colocando em prática o modo espiritual e perfeito ensinado por Jesus, e alcançar, com toda a certeza, a cura. A forma como Jesus vivia sua natureza divina em sua experiência humana resultou em sua ressurreição e ascensão. Seu exemplo sem precedentes serviu para nos mostrar como também nós podemos ver tudo a partir do ponto de vista do Princípio divino, a Mente, e trabalhar em busca de salvar-nos a nós mesmos da limitação material. Ele nos mostrou como habitar na totalidade do Amor divino, com completa e concreta certeza, para assim vivermos conforme nossa identidade espiritual à medida que passamos por nossa experiência humana e a transcendemos.     

Aprendemos com Jesus as vantagens de deixar Deus interpretar Seu universo. Cada vez que cedemos ao ponto de vista de Deus, nos sentimos mais livres em vários aspectos, como nossa saúde, nossas finanças, e nossas preocupações sobre o mundo, encontrando alívio também quanto aos nossos receios relacionados às pessoas que nos são queridas e a toda a humanidade. Somos liberados das incertezas sobre nossa vida. Isso aumenta a nossa confiança em Deus e traz para a nossa experiência presente a certeza de que Deus é a Vida imortal e indestrutível.

Em minha vida tive muitos exemplos de curas alcançadas por meio da oração, o que me levou a ceder à perspectiva divina. Um exemplo específico aconteceu há alguns anos, quando eu estava sentindo dores no tórax. Orei durante vários dias, buscando reconhecer que Deus é a Vida imortal de todos, e que, como reflexo da Vida, eu sou tão eterna e imortal quanto Deus. A dor diminuiu. Mas uma tarde, se intensificou. Nesse momento, eu senti uma grande transformação mental — uma libertação de pensar em “minha” vida e meus esforços de orar buscando me manter viva — e passei a pensar em Deus como sendo a Vida. Fiquei repleta da certeza de que somente Deus causa a vida e cuida da vida, porque a Vida é Deus. Resumindo, tudo o que é necessário para a Vida, Deus, é Deus. A dor parou instantaneamente e não retornou mais.

Podemos ter a certeza de que tudo o que apreendemos com nossos sentidos materiais não é fato imutável. Talvez tenhamos de aprender a ceder à realidade espiritual do universo de Deus, para podermos, assim, ver a normalidade e a harmonia com mais clareza; com a ajuda de Deus, sempre podemos conseguir isso. Nossa vida e nosso sustento são completamente resolvidos no Princípio, o Amor divino, no qual nossa perfeição é inabalável. Compreendendo esse fato, podemos prosseguir, enfrentando os desafios da vida humana com a graça da cura e com humildade.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

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Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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