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Original para a Internet

Não existe impasse na presença de Deus

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 15 de novembro de 2021


O trânsito estava pesado em Granada, na Espanha, na rua de mão única que nos levava a um bairro histórico do outro lado da cidade. De repente, no fim da rua, a única opção era virar para a direita. A partir desse ponto, não apareceu nenhuma saída, para nenhum lado. Quando nos aproximamos da parte medieval, todo o trânsito se alinhou em uma fila única, e a rua foi ficando cada vez mais estreita. Todos diminuíram a marcha. A rua se estreitava mais ainda. Estávamos em um carro emprestado, novinho em folha, que nos fora cedido com muita generosidade por um amigo. Era muito maior do que os automóveis europeus. De súbito, não pudemos seguir adiante. Ao olhar pelas janelas, vimos que as portas dos dois lados estavam roçando ligeiramente as paredes de pedra das casas seculares.

Não podíamos sair do veículo. Ir para diante parecia impossível. Não queríamos arranhar um carro novo, que nem sequer era nosso. Também não era possível dar marcha à ré, pois atrás de nós o engarrafamento ia ficando pior, e os motoristas, irritados e de mau humor, buzinavam agressivamente e nos gritavam desaforos. Tudo indicava que havíamos chegado a um impasse, e estávamos em apuros.

Onde estávamos? perguntei a mim mesma. Na presença de Deus, foi meu raciocínio. Onde havíamos estado, cinco minutos antes? Também na presença de Deus. E no dia anterior, no ano anterior ou em qualquer outro momento? Sempre na presença de Deus. Nunca havíamos estado fora da presença de Deus, eu tinha certeza. Então não estávamos, e nunca havíamos estado, em apuros. Saber, com certeza, que não havia precedentes para esse apuro era a solução. Sempre existe uma solução.

Passaram-se vários minutos. Atrás de nós, havia uma fila de duzentos metros com gente que buzinava e gritava. Então um jovem, vindo por trás, tirou os sapatos, subiu pela capota do carro, colocou-se à nossa frente e se ofereceu para ajudar. Dando ordens muito exatas a nosso amigo que estava ao volante, ele nos guiou através do estreito espaço. Bem devagarinho, o carro passou, sem nenhum arranhão, como se as paredes das casas houvessem recuado.

Enquanto tudo isso acontecia, eu me dei conta de outra coisa, algo poderoso. Era a realidade de Deus, que nos proporcionou plena calma e confiança em Sua infalível proteção. Deus sempre sabe onde estamos. A história verdadeira de cada um de nós não é uma narrativa de episódios humanos. É uma realidade espiritual que Deus conhece porque Ele é o Princípio de todo fato espiritual — em outras palavras, de tudo o que realmente acontece. Em Deus nunca existiu impasse nem perigo. Portanto jamais, em nossa história de filhos de Deus, havíamos estado em um apuro, em um impasse. Sempre existe um caminho para sairmos das dificuldades, e vemos esse caminho quando estamos conscientes de que Deus conhece cada um de Seus filhos. O que Deus conhece é verdadeiro. O que Ele conhece é bom. Tudo o que não é bom, Deus não conhece e não autoriza. Na Bíblia, lemos estas palavras do apóstolo Paulo: “Conhecidas por Deus são todas as Suas obras, desde o começo do mundo” (Atos 15:18, conforme a Bíblia em inglês, versão King James).

Deus sabe tudo porque Ele é onisciente.

Essa maneira de raciocinar, que nos proporciona grande tranquilidade, é um aspecto importante da oração científica, e nos tirou daquele impasse. Podemos orar, raciocinar dessa forma, em outras situações também. É um modo de orar que nos ajuda a ver que tudo aquilo que Deus não reconhece, não está realmente acontecendo. Tudo o que é oposto à natureza de Deus é erro, é parte do sonho que diz que a vida é a matéria, em vez de ser o Espírito. Mary Baker Eddy, que descobriu a Ciência Cristã, chama esse erro de “narrativa de sonhos”, em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A história do erro é uma narrativa de sonhos. O sonho não tem nenhuma realidade, nenhuma inteligência, nenhuma mente; portanto, o sonhador e o sonho são uma só e a mesma coisa, porque nem um nem outro é verdadeiro ou real” (p. 530). Mas aquilo que é verdadeiro e real, Deus sempre conheceu, desde o começo, desde toda a eternidade, onde realmente cada um de Seus filhos está e onde sempre esteve.

Nosso Mestre, Cristo Jesus, estava consciente dessa existência eterna e mostrou à humanidade que essa é a única existência real — espiritual e permanente. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Jesus ensinou que Deus é nosso Pai, o Pai de cada um de nós, não apenas Pai dele. Não há separação, não há espaço entre Deus e Seus filhos, entre Deus e cada um de nós. Essa maneira espiritualizada de perceber a existência nos dá a possibilidade de compreender que não estamos nem indo nem vindo da presença de Deus, mas sim estamos constantemente envolvidos por essa presença.

Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy explica: “O Cristo é a ideia verdadeira que proclama o bem, a mensagem divina de Deus aos homens, a qual fala à consciência humana” (p. 332). A consciência humana ouve e compreende essa mensagem, que penetra através do sonho de vida na matéria e enxerga a realidade espiritual, a verdadeira individualidade de todo homem e de toda mulher. Quando essa realidade é reconhecida, o quadro de perigo se desvanece. Então o sonho cessa de atormentar o pensamento humano, e aparece a maneira de sair de todo e qualquer apuro.

Essa oração cristã científica vai até a raiz de qualquer situação inquietante. Quando se trata de doença, essa oração nega o histórico do problema físico, prova que é falso, e nega qualquer precedente que pareça explicar as causas da doença, seu passado, ou sua origem. Essa oração estabelece a consciência de saúde e de bem-estar. Por conseguinte, a dor e os outros sintomas recuam. Para a oração científica, nada é incurável.

Se o apuro é resultante de ódio, a oração científica vai à raiz da raiva e do ressentimento, nega-lhes veracidade, e rejeita completamente a realidade de sua história ou de qualquer precedente que os justifique. Essa oração declara que o amor de Deus estava presente o tempo todo. Faz com que os sentimentos de antagonismo recuem e deixa que a lei de Deus, lei de justiça e misericórdia, atue sobre a situação. Por conseguinte, nenhum erro é indesculpável, nenhuma ofensa é imperdoável.

Quando a dificuldade é carência ou fome, a oração iluminada vai à suposta origem da escassez e da pobreza, dando provas de que aquilo que parecia causá-las, bem como o precedente que parece torná-las normais, não fazem parte da realidade espiritual. A oração reconhece os recursos infinitos do Espírito, Deus. Por conseguinte, a pobreza e a penúria não são insuperáveis.

Tal oração cristã, científica e iluminada, nos possibilita encontrar refúgio naquele lugar sossegado do pensamento, onde o Cristo fala e aquieta as incertezas e ameaças das circunstâncias humanas. Qualquer que seja o apuro, o Cristo já estabeleceu o precedente para que a realidade do verdadeiro existir apareça, fazendo recuar toda angústia, doença, ódio e todo tipo de fome ou miséria. Não existe nenhum lugar que não esteja sob o domínio da onipresença de Deus. Essa é nossa perpétua proteção, como aconteceu naquela estreita rua medieval, em Granada. Na inevitável onipresença de Deus, não existe impasse.

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“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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