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Original para a Internet

Do ódio obsessivo ao amor sanador

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 26 de setembro de 2022


Há ocasiões em que nos defrontamos com erros cometidos pelos outros, erros contra os quais reagimos fortemente. Podemos até odiar alguém por seus atos.

Será que odiar alguém é a resposta correta? Não. A admoestação de Cristo Jesus “...amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; fazei o bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; ...” (Mateus 5:44, conforme a Bíblia em inglês, versão King James) não deixa dúvidas de como o ódio deve ser enfrentado. A autoridade espiritual inerente a essas palavras é o Cristo, a mensagem do amor infinito de Deus por todos nós, e que atende à necessidade humana. E com ela Jesus curava todo tipo de sofrimento moral e físico.

Quando incorremos em alguma manifestação de ódio, seja amor ao ego, discriminação ou vingança, essa atitude é prejudicial tanto para nossa saúde quanto para o progresso da sociedade. O sentimento de agressividade nos deixa cegos ao amor. Mas a natureza de Deus, que é o Amor e o bem eterno, consiste na verdadeira natureza espiritual de cada um de nós. Por sermos a criação de Deus, somos a própria expressão do Amor divino. E certamente podemos viver esse amor e permitir que eleve nossa experiência, sempre que necessário. Por meio do amor de Deus podemos impedir que o ódio crie raízes em nosso pensamento.

Há alguns anos, logo que comecei a estudar a Ciência Cristã — que se baseia nas verdades inspiradas da Bíblia e nos ensinamentos de Jesus — aprendi profundamente o que ela ensina sobre o poder de Deus, que é o Amor divino. Certa manhã, um vizinho bateu agitado à minha porta perguntando se eu poderia levá-lo com urgência a um lugar. Perguntei-lhe se tinha amigos ou familiares que pudessem ajudá-lo. Como disse que não tinha outras opções, concordei em ajudá-lo, embora ele não desse mais explicações.

 Depois de várias horas, em que paramos e esperamos em diversos locais, ele estava ficando desesperado, e eu, exasperado. Estávamos no limite de nossa calma e nossa conversa ficou muito tensa. Em uma discussão acalorada, ele finalmente confessou que estava envolvido no tráfico de jovens de outros países para trabalhar em clubes de prostituição, sem que soubessem ou tivessem dado consentimento. A raiva que senti dele e do trabalho ilegal e cruel em que estava envolvido foi tão grande, que o expulsei do carro e o deixei no meio da rua. Na época eu era policial e imediatamente notifiquei onde essa atividade estava ocorrendo, e informei onde meu vizinho morava. 

Depois disso, eu só conseguia pensar em meu vizinho com raiva e ressentimento. Os pensamentos eram obsessivos e eu não conseguia me livrar deles. Fiquei doente e nas semanas seguintes não consegui trabalhar nem comer, e descansava muito pouco. Como eu precisava de um atestado médico que comprovasse que não podia trabalhar, fui ao médico. Depois de me examinar, ele recomendou que me internasse imediatamente em um hospital, porque já fazia muito tempo que eu estava com febre alta. Seu diagnóstico foi de peritonite e uma espécie de esgotamento resultante de alimentação precária.

Graças à Ciência Cristã, eu já tivera muitas provas do poder sanador de Deus. Decidi, então, pedir apoio em oração a uma praticista da Ciência Cristã, para me ajudar a reconhecer minha verdadeira identidade espiritual à semelhança de Deus, o Espírito divino — puro, completo e livre, sem nenhum componente de ódio ou de materialidade. Ela me confortou, assegurando que Deus é o Amor e que a presença do Amor estava comigo. Ela também me assegurou que Deus me ama e cuida de mim. 

Passei os três dias seguintes nutrindo meus pensamentos com ideias reconfortantes da Bíblia e do livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, escrito por Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã. Nos momentos mais difíceis, eu telefonava para a praticista, que continuava a me apoiar, lembrando o fato espiritual de que Deus é o Amor, que está sempre presente em minha vida e estava cuidando de mim naquele momento. Apesar desse encorajamento, senti que estava morrendo.

Certa noite, eu estava tão angustiado, que do fundo do coração recorri a Deus e disse: “Pai, mostra-me o amor que sentes por mim”. Imediatamente me senti impelido a abrir a Bíblia em 1 Coríntios 13, escrito pelo apóstolo Paulo, seguidor dos ensinamentos de Jesus. Suas palavras me mostraram claramente que, pelo fato de Deus ser o Amor, Ele não manifesta má vontade, nunca fica irritado, não mantém registro de falhas. O amor é paciente e está sempre outorgando o bem. O amor não se compraz com os erros ou com as lutas das pessoas; apenas se regozija com o que é verdadeiro. Também tive um vislumbre de que o Amor nunca deixa de revelar a si mesmo. 

Meus olhos se encheram de lágrimas devido à presunção de uma retidão pessoal que eu havia abrigado a respeito desse homem. Esses sentimentos não haviam deixado nenhum espaço para o amor. A Sra. Eddy escreveu em Ciência e Saúde: “Aquele que toca a orla da veste do Cristo e domina suas crenças mortais, a animalidade e o ódio, rejubila-se com a prova da cura — o senso doce e seguro de que Deus é o Amor” (p. 569). Entreguei-me completamente ao amor de Deus, o único poder que governava aquele homem e a mim , e nesse amor não há amargura que possa exercer algum domínio. Adormeci sentindo profunda paz e só acordei na manhã seguinte. Eu era uma nova pessoa. Fiquei muito grato a Deus por mostrar Seu amor por mim por meio dessa cura. Quando voltei ao médico, este ficou surpreso com minha rápida recuperação. Ele me deu um atestado que me habilitava a voltar ao trabalho. Quão poderoso é o amor de Deus!

Não vi meu vizinho no mês seguinte, mas as autoridades me informaram que sua participação naquela terrível atividade criminosa fora mínima. Também soube, pela polícia encarregada de investigar o tráfico de pessoas, que eles haviam feito buscas com base nas informações que eu lhes dera e haviam conseguido desmantelar vários grupos de tráfico sexual, especialmente na capital do país.

Quando voltei a ver meu vizinho, ele estava com a esposa e os filhos e disse que lamentava muito por seus atos. Explicou que, por não conseguir pagar sua hipoteca, se vira forçado a se envolver em atividades criminosas. Disse que estava trabalhando como encanador em um edifício de apartamentos, e que sua esposa e filhos haviam voltado para casa, depois de ele prometer levar uma vida honesta. Pelo que pude constatar no ano seguinte, ele parecia estar seguindo esse caminho.

Essa experiência me ajudou a ver que, mesmo aqueles que são movidos por motivos errados que oprimem ou prejudicam outras pessoas, podem sentir o amor de Deus e ser redimidos. A influência do Cristo sempre presente pode libertá-los das influências do ódio e do mal. Ao me identificar com o Amor divino como a única fonte de meu existir, pude claramente ver que meu vizinho também não podia estar separado do Amor. A má conduta não vem de Deus e, portanto, não podia fazer parte da identidade desse homem. Pouco tempo depois nos tornamos amigos.

Cerca de um ano mais tarde, sua esposa me pediu para levar meu amigo ao hospital. Desta vez, fiquei muito feliz em ajudar. A esposa disse que ele havia recebido um diagnóstico de um problema no coração e parecia estar com sintomas de um ataque cardíaco. Durante o trajeto ele pediu que eu o ajudasse, porque estava sentindo dores. Orei a Deus para que eu reconhecesse que a identidade espiritual desse homem era a expressão completa de ideias corretas, e que ele estava cingido e amparado pelo Amor divino. Tive a absoluta convicção de que essa era a estrutura de seu existir, e logo ele adormeceu. Quando chegamos ao hospital, os médicos o examinaram e não encontraram nenhum vestígio do diagnóstico que constava para ele. Estava completamente bem e o levei para casa, para sua família, que estava muito feliz.

O propósito do Amor é revelar o fato de que Deus é o bem infinito, e de que o mal não tem poder. Essa revelação contínua na consciência humana corrige todas as manifestações de ódio com a realidade da harmonia — a única realidade que de fato faz parte de nossa experiência. E ninguém está excluído dessa bênção.

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A Missão dO Arauto da Ciência Cristã 

“...anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos], p. 353

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