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Original para a Internet

A luz que já está presente

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 19 de janeiro de 2026


Parece haver a noção generalizada de que as pessoas sejam recipientes vazios, à espera de satisfação ou validação vinda de fora. Muitas vezes, essa percepção conduz à ideia de que é necessário preencher vácuos com esforço humano.

Em meu estudo da Ciência Cristã, dedico muito tempo à leitura da Bíblia e procuro seguir o exemplo de Jesus. Tenho constatado que o que mais nos fortalece, ao enfrentar a vida, é reconhecer que todos já somos completos e temos a missão de trazer à tona o bem que Deus concede a nós e a todos.

Na Bíblia, encontramos inúmeros trechos que afirmam o bem e a inteireza inerentes a cada um, como filhos e filhas de Deus. Por exemplo, em Gênesis 1:31, lemos: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”. Essa verdade fundamental afirma que, tendo sido criados por Deus, nós não somos imperfeitos nem nos falta coisa alguma. Não necessitamos de ajuste, nem precisamos obter de fora algo que já não seja nosso. Nossa inteireza espiritual, por sermos criação de Deus, o Espírito, pode ser reconhecida e trazida à tona. 

Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy esclarece: “O homem não é matéria; não é constituído de cérebro, sangue, ossos nem de outros elementos materiais. As Escrituras nos informam que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus” (p. 475). Para mim, essa mudança de perspectiva é mais do que teórica. Mudou minha vida e definiu minha carreira.

Quando era jogador profissional de beisebol, eu estava cercado por uma cultura que constantemente avaliava o valor de alguém por métricas, tais como médias de rebatidas, bases roubadas e contratos chamativos. No entanto, mesmo nesse ambiente competitivo, eu via claramente que os melhores treinadores e colegas de equipe eram os que conseguiam ver além do desempenho no esporte, conectando-se com as próprias qualidades espirituais inatas, reconhecendo e valorizando também os talentos dos companheiros de equipe e dos adversários. Para progredir e chegar ao topo, esses atletas não precisavam sofrer e suar. 

Mais tarde, ao me tornar técnico e líder de equipes, aprofundei o conceito espiritual de que a grandeza e a excelência não são coisas que nós concedemos às pessoas, pois já fazem parte de cada um. O papel de um mentor e líder é ajudar os liderados a descobrir e desenvolver as qualidades espirituais concedidas por Deus.

Jesus sempre dava provas de que não via as pessoas como debilitadas ou carentes, mas já completas. No Evangelho de João (ver 5:2–9), temos o exemplo marcante de um homem doente que, havia trinta e oito anos, jazia junto a um tanque de água considerada com poderes de cura. “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado? Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Então, lhe disse Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar.”

Jesus não viu um homem sem esperança, quebrantado por décadas de enfermidade. Viu um filho de Deus, completo, capaz e abençoado. Essa perspectiva espiritual, clara, inabalável e isenta de teoria, lógica e diagnósticos materiais, confirmou a identidade do homem como reflexo de Deus, e restaurou sua saúde.

Esse exemplo nos desafia a deixar de ver os outros, e a nós mesmos, como “trabalho em curso”, em processo de melhoria. Em vez disso, somos conclamados a ver o que Deus sabe ser a verdade a nosso respeito. Ciência e Saúde afirma: “O homem é a expressão daquilo que Deus é” (p. 470). Para mim, isso significa que a fonte de meu valor não é o que eu produzo, mas o fato espiritual de que reflito a Deus.

Como treinador de esportes na categoria juvenil, tenho constatado a diferença que faz deixar de focalizar deficiências ou inconsistências, e reconhecer a identidade espiritual de uma criança ou de um adolescente, resiliente, capaz e motivada por um propósito. Isso não significa ignorar áreas que precisam ser melhoradas, mas, sim, ajudar jovens atletas a se libertarem de limitações autoimpostas. Tenho aplicado essa mesma perspectiva espiritual em meu trabalho com equipes técnicas, administradores e líderes. Nos esportes, a tendência é procurar o que está errado e tentar “consertar” as pessoas, por exemplo: um técnico que precisa de mais disciplina, um atleta que necessita de mais foco, ou uma equipe em que falta motivação. Mas, que tal simplesmente reconhecer (e às vezes é preciso persistência!) a luz interior de cada um, suas qualidades espirituais, o reflexo de Deus, que já estão presentes?

No Sermão do Monte, Jesus nos alerta: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:14–16). Nossa missão não é instalar a luz nos outros, mas ajudar a remover aquilo que a encobre.

Quer estejamos apoiando filhos, alunos, atletas ou colegas, podemos nos perguntar: “Estou vendo essa pessoa como um problema a ser solucionado, ou como uma luz a ser revelada?”

Há momentos, apesar de meus anos de experiência, em que duvido de minhas próprias capacidades, ou me pergunto se o que faço tem um efeito significativo. Nesses momentos, relembro que eu também não sou um recipiente vazio. Não sou definido por êxitos do passado ​​ou desafios do presente. Você e eu somos a imagem e semelhança de Deus, completos, preparados e capazes.

Essa compreensão tem me ajudado a aceitar novas oportunidades de exercer a liderança, as quais eu teria recusado no passado, levado por um senso errôneo de limitação. Nos esportes, na educação, na liderança e na vida, existe um poder transformador no reconhecimento de que nós, e os que estão à nossa volta, não somos carentes, mas completos; não somos recipientes a serem preenchidos, mas expressões de Deus a serem reveladas.

Quanto mais seguimos esse exemplo de como Jesus via os outros: vizinhos, familiares, crianças, colegas etc., mais nos desfazemos do medo, do ressentimento, da dúvida e do ego, e vemos apenas o reflexo do bem e da perfeição de Deus.

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