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Original para a Internet

Busquemos renovação

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 10 de agosto de 2026


Quando meu filho era criança, nós costumávamos brincar, durante nossas viagens de carro, procurando identificar, nos carros que passavam pela estrada, a placa de veículo emitida mais recentemente. Como sabíamos a sequência usada na numeração das placas, não era difícil identificar a idade relativa de cada uma. Alguns anos depois, quando comprei um carro, nós dois ficamos maravilhados ao ver que o número da placa de meu carro novo estava entre os mais recentes, mas não por muito tempo. Em poucas semanas, começamos a observar carros com placas ainda mais novas. Com o passar do tempo, não somente minha placa continuou a envelhecer, mas o carro também, exigindo cada vez mais reparos.

Podemos ser tentados a encarar nossa vida de maneira semelhante. Quando somos jovens, o mundo parece novo e vibrante, e nossa vivência é marcada por aventuras constantes e crescimento. Mas, à medida que os anos passam, talvez fiquemos tentados a nos sentir estagnados, cansados ​​e mais inflexíveis em nossa maneira de pensar e agir, em comparação a como éramos antes. Isso pode nos levar à conclusão de que, pelo menos parcialmente, somos seres físicos, mortais e limitados, e que, com o passar do tempo, simplesmente nos desgastamos, como acontece com os carros.

Essa perspectiva pressupõe que estejamos arraigados e vivendo totalmente em um universo material, no qual são reais apenas as coisas que podemos ver, ouvir, tocar etc., e onde tudo acaba perdendo o brilho, desaparecendo ou se desgastando — até mesmo coisas que consideramos atemporais, como montanhas e estrelas. Em tal universo, os seres humanos poderiam, realisticamente, ter a expectativa de existir apenas por um período de tempo limitado, sendo a morte o desfecho inevitável.

Existe, contudo, outra maneira de encarar a vida: uma perspectiva espiritual, na qual nossa experiência é determinada pela consciência divina. Esse universo espiritual está repleto, não de coisas, mas de ilimitadas ideias de Deus. Nós percebemos e valorizamos essas ideias por meio de nosso senso espiritual, não de nossos sentidos físicos. Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, escreve: “O senso espiritual, que contradiz os sentidos materiais, inclui intuição, esperança, fé, compreensão, fruição, realidade” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 298). Visto que esse universo é criado por Deus, tudo nele é perfeito, imutável, harmonioso, eterno. Nada jamais envelhece, se deteriora ou desgasta — nem mesmo nós.

Essas duas maneiras de perceber a existência — a material e a espiritual — são diametralmente opostas e irreconciliáveis. Por isso, só uma delas pode ser verdadeira. O livro-texto da Ciência Cristã nos ajuda a identificar a verdadeira: “A metafísica explica que as coisas são pensamentos e substitui os objetos dos sentidos pelas ideias da Alma.

“Essas ideias são perfeitamente reais e tangíveis para a consciência espiritual e têm esta vantagem sobre os objetos e os pensamentos do senso material — elas são boas e eternas” (Ciência e Saúde, p. 269).

Em outro trecho de Ciência e Saúde, lemos: “Quão verdadeiro é que tudo o que se aprende pelo senso material tem de ser deixado para trás, porque esse chamado conhecimento é invertido na Ciência pelos fatos espirituais do existir. Constata-se que aquilo que o senso material chama intangível é, de fato, substância. O que ao senso material parece substância, se reduz a nada, à medida que o sonho dos sentidos se desvanece e a realidade aparece” (p. 312).

Essa afirmação nos leva a concluir que todo fenômeno verdadeiro e toda experiência verdadeira são e têm de ser espirituais. Isso se aplica a nós. Por sermos filhos de Deus, não somos seres físicos mortais, nascidos em uma existência terrena, destinados a viver por um breve período de tempo e, por fim, sucumbir a doenças, acidentes ou decrepitude. Somos ideias imortais de Deus, as quais existem e existirão para sempre em Sua Mente infinita.

Então, quando a vida começa a parecer material e limitada, monótona e infrutífera, o que podemos fazer para recuperar a percepção de nossa verdadeira condição espiritual?

Um de meus salmos favoritos inclui este versículo: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Salmos 51:10). Um dicionário define o termo renovar como “ficar outra vez como novo: restaurar o frescor, o vigor e a perfeição”. Isso significa que nosso “espírito inabalável”, ou essência divina, sempre esteve em nós e de que só precisamos nos lembrar dele ou reavivá-lo em nosso pensamento. Não precisamos criar uma identidade divina para nós mesmos, nem temos de nos transformar, de uma pessoa material para uma pessoa espiritual. Precisamos apenas abrir nosso pensamento, com nosso senso espiritual, para aquilo que sempre foi verdade: que somos e sempre fomos totalmente espirituais e imortais. E essa renovação mental traz a revitalização de nossa vida — de nossas esperanças, nossos relacionamentos, nosso corpo, nossas capacidades e nosso suprimento.

O pensamento do mundo geralmente resiste a essa perspectiva espiritual, insistindo em que somos mortais e físicos, e, desse modo, procura nos desencorajar quanto à nossa verdadeira identidade espiritual. Essa é a natureza daquilo que a Ciência Cristã denomina erro ou magnetismo animal — negações ou sugestões inverídicas a respeito de quem realmente somos. Para refutar essas mentiras, devemos sempre nos lembrar das verdades provenientes da Verdade divina, Deus. Fazemos isso espiritualizando nosso pensamento — afastando-nos conscientemente das imagens materiais persistentes, porém errôneas, que se apresentam diariamente, e concentrando nossa atenção na plenitude e frescor do Cristo, a ideia de Deus. O Apóstolo Paulo nos aconselha: “…não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).

Embora não existam fórmulas estabelecidas nem meios alternativos para receber a inspiração de Deus, há três passos que frequentemente me ajudam a redefinir meu pensamento. Primeiro: renovo minha percepção a respeito de Deus e minha adoração a Ele. Ele não é apenas grande e poderoso; Ele é supremo. Não existe nada, a não ser Deus e Sua criação — em parte alguma, em momento algum, seja qual for a circunstância. Assim, quando percebo que as preocupações e inquietações do mundo estão obscurecendo meu pensamento, volto deliberadamente minha atenção para Deus, o Espírito divino, reafirmando que Ele é perfeito e é Tudo.

Segundo: reconheço e me alegro por ser filho de Deus. Ele não é apenas a única presença e o único poder do universo. Deus é também nosso Pai-Mãe, o Progenitor divino, de quem emana todo o existir, a harmonia e o bem. Deus não apenas dá a vida; Ele é nossa Vida. A Bíblia coloca essa ideia da seguinte maneira: “…pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos…” (Atos 17:28). Tudo o que temos, tudo o que somos, provém de Deus e está em Deus, e esse fato nos confirma que somos tão espirituais, eternos e perfeitos quanto Ele.

Por fim, eu me entrego à vontade de Deus. Depois de reafirmar a onipotência de Deus e meu vínculo indissolúvel com Ele, render-me à Sua vontade normalmente não é difícil, embora isso precise ser feito com humildade, sinceridade e de maneira completa. Essa submissão mental abre a porta para sentimentos e inspirações de paz, ternura e segurança — o amor e a graça de Deus, que sentimos no fundo de nosso coração, restaurando nosso senso de unidade, integridade e harmonia.

Eu e minha esposa nos casamos tarde e, por isso, nunca pensamos muito em ter filhos. Mas, à medida que continuávamos a progredir espiritualmente, surgiu a impressão de que estávamos estagnados e sendo egoístas, pois nossa vida girava exclusivamente em torno um do outro. Então compramos um cachorro, aceitamos mais cargos na igreja e passamos a fazer trabalho voluntário na comunidade. Mesmo assim, parecia que faltava algo.

Ao orarmos a respeito disso, a ideia específica de ter filhos surgiu em cada um de nós dois, mas foi descartada imediatamente, porque nos considerávamos muito velhos para isso. Então, nos lembramos da história bíblica de Abraão e Sara, que eram “velhos, avançados em idade” quando Deus anunciou que Sara daria à luz um filho a Abraão, dizendo: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (ver Gênesis 18:11, 14).

Isso expandiu nosso pensamento para além das limitações materiais e, em dois meses, minha esposa estava grávida. O nascimento de nosso filho veio acompanhado de um incrível senso de renovação, realização e alegria — que provavelmente nunca teríamos sentido se não tivéssemos sido receptivos ao potencial infinito de Deus, e abertos para perceber esse caminho correto à nossa frente.

Ao lado do título marginal “Identidade renovada” em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy escreve: “Sintamos a energia divina do Espírito, que nos traz a uma vida nova e que não reconhece nenhum poder, mortal ou material, capaz de praticar destruição. Regozijemo-nos por estarmos sujeitos às divinas ‘autoridades que existem’. Essa é a verdadeira Ciência do existir. Qualquer outra teoria sobre a Vida, Deus, é delusória e mitológica” (p. 249).

Como diz o profeta Isaías: “…os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Isaías 40:31). Cada momento traz oportunidades para rejuvenescer e espiritualizar nosso pensamento, revelando novas maneiras para que Deus nos inspire, nos fortaleça e nos leve adiante. 

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