O conceito de infinitude é tão importante na Ciência Cristã quanto na matemática. Um matemático precisa compreender o conceito de infinitude para resolver problemas de cálculo, a matemática que rege o movimento. A infinitude é fundamental na Ciência Cristã para se compreender a natureza de Deus, e é ponto de apoio em nossa capacidade de curar.
A Fundadora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy, escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Os mortais têm de gravitar para Deus, seus afetos e objetivos têm de se tornar mais espirituais — eles têm de se aproximar das interpretações mais amplas do existir, e obter algum senso correto do infinito — para que o pecado e a mortalidade possam ser descartados” (p. 265).
Para alcançar o “senso correto do infinito” precisamos olhar para além das limitações e dos conceitos finitos. Mesmo na matemática, precisamos de novas maneiras de pensar para começarmos a compreender a infinitude e obter os resultados práticos decorrentes dessa compreensão.
Quando eu trabalhava como matemático, fiquei um pouco surpreso ao ver como a Ciência Cristã me ajudava a compreender o conceito matemático de infinitude e como as ideias da matemática me ajudavam a entender que o conceito correto de infinitude é importante na cura.
Para entender a infinitude, os matemáticos começam com uma definição que é surpreendentemente semelhante a alguns versículos dos Salmos, os quais descrevem a abrangência ilimitada do pensamento de Deus: “Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles! Se os contasse, excedem os grãos de areia…” (139:17, 18). Nesses versículos, a expressão que realmente descreve o infinito é “excedem”. Na matemática, o infinito é representado pelo símbolo ∞, que é maior do que qualquer número. Mais importante do que a quantidade de ∞ é sua qualidade de ser sempre maior do que qualquer número. O tamanho por si só não basta. O número 1.000.000.000 é um número grande, mas não é infinito. Se você tivesse 1.000.000.000 de objetos e começasse a retirá-los um por um, acabaria retirando todos e não sobraria nenhum. No entanto, se você tivesse uma coleção infinita de objetos ela nunca se esgotaria. Para ser infinita, uma quantidade não pode ser apenas grande. Ela tem de ser sempre maior.
Na matemática, o exemplo mais simples de uma sequência infinita é a contagem de números: 1, 2, 3, 4 e assim por diante. A sequência é infinita porque é ilimitada. Para compreender o alcance dessa definição de infinito, tomemos a contagem dos números e examinemos dois de seus subconjuntos: os números pares (2, 4, 6 e assim por diante) e os números ímpares (1, 3, 5 etc.). Embora nenhum desses subconjuntos contenha tudo o que está incluído no todo, ainda assim, ambos são infinitos. Ao pensar que encontrou o mais alto número par, basta somar dois a esse número para obter outro número par ainda maior. O mesmo ocorre com a sequência de números ímpares. Não há limite para se encontrar sempre um número maior.
É um fato importante e talvez surpreendente que, para o matemático, os subconjuntos dos números são tão infinitos quanto o conjunto completo. O conjunto completo dos números é infinito. O mesmo ocorre com o subconjunto dos números pares e com o subconjunto dos números ímpares. Não existe “a metade do infinito”. Um matemático pode até provar que existe uma maneira de dividir o conjunto de números originais em um número infinito de subconjuntos e que cada um desses subconjuntos é infinito.
Quando deixamos o mundo da matemática e nos voltamos para a Ciência do existir, encontramos uma ideia semelhante. Deus é o Princípio infinito, criador de tudo. As qualidades divinas, às quais se referem Seus sinônimos, que incluem não apenas o Princípio, mas também a Vida, a Verdade, a Alma e o Espírito, também são infinitas. Nunca se esgotam os aspectos do Amor ou da Mente, outros nomes para Deus, para nós descobrirmos.
Deus cria o homem à Sua imagem e semelhança; portanto, o homem expressa a infinitude de Deus. Essa infinitude não se converte em finitude, no que diz respeito à Sua criação. Deus não distribui uma pequena porção de bondade finita a cada um. Todos recebemos a promessa do pleno bem infinito — cada um de nós expressa todas as qualidades de Deus.
Quando eu era estudante de matemática, aprendi algo importante sobre o senso prático de compreender a infinitude. Eu estava em uma situação na qual parecia que Deus havia me concedido apenas uma parcela finita do bem, e ainda era a parcela errada. O programa acadêmico que frequentava exigia que eu fizesse um curso sobre a matemática aplicada à pesquisa médica, e eu não estava indo nada bem nessa matéria. Como Cientista Cristão desde a infância, eu não apenas desconhecia os conceitos médicos do curso, mas também me ressentia por ser obrigado a estudar longas descrições sobre o assunto. Já nas semanas finais do curso, eu havia sido reprovado em todas as provas e em todos os trabalhos que apresentara. Para ser aprovado, eu precisaria ter um bom desempenho nas duas últimas atividades a serem avaliadas: um trabalho escrito e uma prova final que incluiria assuntos não estudados em aula.
Certa noite, voltei-me a Deus como o Ser infinito. Assim como os matemáticos precisam abandonar sua percepção finita dos números e adotar a aritmética do infinito, procurei compreender as leis de um Deus infinito. Compreendi que, por ser Deus infinito, Ele é maior do que qualquer problema que eu tivesse de enfrentar. Também compreendi que Deus me concedeu a infinitude — deu-me esse senso de ser sempre maior, pois eu reflito a Deus como expressão divina (assim como cada um de nós também O reflete). Por isso, eu incluía o poder que é maior do que meus problemas. Logo, minha natureza não era uma “meia-infinitude”, pois não existe tal coisa. Tampouco estava eu em desvantagem diante dos problemas que enfrentava. A infinitude era infinita e era maior do que qualquer problema que estivesse me desafiando.
À medida que me acalmava, lembrei-me de um trecho de Ciência e Saúde: “Deus expressa no homem a ideia infinita que perpetuamente se revela, se expande e se eleva cada vez mais, procedendo de uma base sem limites” (p. 258).
Após orar, consegui terminar o trabalho escrito, sem precisar me aprofundar no contexto médico. O projeto teve como base uma questão que eu havia visto no setor industrial. O professor comentou que meu trabalho estava excepcionalmente claro e que explicava a matemática de maneira brilhante.
Minha recente compreensão da natureza infinita de Deus também rapidamente resolveu o segundo desafio que enfrentei: a prova final se baseava em um assunto que não havia sido abordado em classe. Começando a analisar esse novo conteúdo, constatei que já havia visto esses conceitos anteriormente, nos primeiros anos de faculdade. Também constatei que eles explicavam a matéria que havíamos estudado em aula, sem o contexto médico. Com poucas horas de estudo, senti-me preparado para a prova final. Fui aprovado com a nota mais alta da turma e, para minha surpresa, fui convidado a ser assistente do professor na próxima turma do curso. Além disso, concluí o curso com um grande senso de amor e respeito pelo professor e por meus colegas que haviam acompanhado as dificuldades que eu enfrentara durante o semestre.
Um “senso apropriado do infinito” é mais do que uma simples aceitação de que Deus tenha uma pequena porção do bem para cada um de nós. O “senso apropriado do infinito” nos conduz a um novo patamar de compreensão, no qual vigoram regras totalmente diferentes. A infinitude de Deus significa que Deus, o bem, tem todo o poder, portanto, é o único poder. Não existe outro poder capaz de superar a Deus, frustrar Seus desígnios ou sequer criar-Lhe obstáculos, mesmo que temporariamente. Visto que somos criação de Deus, somos a prova desse poder. A onipotência de Deus manifesta-se em nossas ações e indica que Deus é sua fonte.
Problemas como doença, escassez ou uma situação semelhante à que eu vivenciei na faculdade, são sinais de que estamos tentando aplicar crenças finitas a um Criador infinito e a uma criação infinita. Vemos o bem que se origina na infinitude de Deus, quando deixamos de lado essas percepções finitas, mesmo que seja um pouco, e adquirimos uma compreensão espiritual e correta do infinito.
