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Original para a Internet

Nós somos divinos?

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 17 de agosto de 2026


Um número crescente de pessoas está começando a reconhecer que o homem é mais do que aquilo que as ciências materiais retratam, ou seja, que nossa verdadeira natureza é, em realidade, espiritual e boa, reflexo do divino, e transcende o que os sentidos físicos informam a nosso respeito. A compreensão desse fato suscita questionamentos profundos: o que significa ser espiritual? Qual é a fonte do bem? O que vem a ser o divino?

Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, constatou que, à medida que seu entendimento evoluía a respeito do espiritual, do bem e do divino, também evoluía sua capacidade de curar pessoas em casos de problemas físicos, mentais, morais e outros desafios, e de realizar isso com certeza científica. Mas tal evolução significava deixar atrás muito do que ela havia aprendido na religião tradicional, nas ciências materiais e através dos cinco sentidos físicos. Na verdade, o que se fazia necessário era desenvolver o senso espiritual, a compreensão de quem realmente somos.

As respostas às suas perguntas começaram a se revelar após ela ter sido curada de lesões que poderiam ser fatais, curada unicamente por meio da oração e de ela ponderar sobre os ensinamentos e as obras de cura de Cristo Jesus, conforme relatados na Bíblia. Para compreender como sua cura havia ocorrido, ela dedicou os três anos seguintes ao estudo profundo das Escrituras. Um foco específico desse estudo foram as duas narrativas opostas da criação: no livro do Gênesis, capítulo 1, o relato espiritual; e nos capítulos 2 e 3, o relato material. Esses relatos se contradizem, por isso ficou claro que apenas um dos dois poderia ser verdadeiro.

No primeiro capítulo do Gênesis, lemos que existe apenas um Criador — Deus, o Espírito — que cria espiritualmente todo o universo e tudo o que há nele, e que tudo o que Deus faz é muito bom. Lemos também que Deus cria o homem — homem e mulher — à imagem e semelhança divina, e o abençoa, fazendo com que ele manifeste Seu poder.

Por outro lado, nos capítulos 2 e 3 do livro do Gênesis, encontramos a alegoria de um deus semelhante ao homem e uma criação malsucedida. Adão e Eva são formados materialmente e têm a capacidade de pensar e agir de maneira independente de seu criador. Por conseguinte, quando a serpente (os sentidos físicos, o senso pessoal) os leva a acreditar que eles mesmos poderiam ser deuses e se beneficiar da crença em outro poder chamado o mal, eles acabam sendo amaldiçoados e condenados a sofrer por toda a vida. Esse é o exato oposto do homem criado pelo Espírito, e é totalmente contrário à mensagem da Bíblia como um todo, a qual ensina que Deus, o Espírito, é o único Criador e que somente Ele tem o poder.

Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, afirma: “O primeiro relato atribui todo o poder e governo a Deus e reveste o homem com a perfeição e o poder provenientes de Deus. O segundo relato descreve o homem como se fosse mutável, mortal — como se ele se tivesse separado da Deidade e estivesse girando em órbita própria” (p. 522). Pelo fato de Deus ser o bem infinito, em realidade cada um de nós reflete apenas o bem. Além disso, em Eclesiastes 3:14 lemos que tudo o que Deus faz dura eternamente, e nada se lhe pode acrescentar nem tirar. Por isso, nenhum mal, como doença, ódio ou desonestidade pode ser acrescentado à criação de Deus, e nenhuma qualidade espiritual, como saúde, força, sabedoria e compaixão pode ser retirada dessa criação. E isso é verdade a respeito de cada um de nós, eternamente.

Contudo, os sentidos materiais sempre nos tentam a acreditar que o segundo relato da criação seja verdadeiro, que nós poderíamos ser criadores e a fonte do bem, ou até mesmo ser deuses poderosos, por mérito próprio. Esse pensamento pode nos iludir, e até parece plausível, quando somos bem-sucedidos e, materialmente, as coisas estão indo bem em nossa vida — quando temos um bom emprego, uma bela casa, relacionamentos gratificantes — até que tudo começa a desmoronar, o que, na experiência humana, parece sempre acabar acontecendo. Na verdadeira criação, a espiritual, o bem é infinito e eterno. Não pode se perder nem diminuir.

E isso nos traz ao segundo ponto. O que é o bem e de onde ele provém? Cristo Jesus explica isso com toda a clareza. A Bíblia nos diz que ele era o Filho de Deus, o Messias, o Salvador, enviado por Deus para elevar a humanidade acima do pecado e do sofrimento; diz que ele era isento de pecado, puro, compassivo e humilde; que curou todo tipo de doença, ressuscitou mortos, acalmou tempestades, alimentou milhares com apenas alguns pães e peixes e venceu até mesmo a própria morte.

No entanto, apesar de todas essas boas qualidades e realizações, Jesus disse: “…Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Marcos 10:18). Ele também disse: “Eu nada posso fazer de mim mesmo; … O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita…” (João 5:30; 6:63).

Jesus sempre fez a distinção entre ele e seu Pai, Deus — a verdadeira fonte do bem. Jesus refletia esse bem sem medida, mas ele não era a fonte desse bem. E como o bem provém de Deus, tem de abençoar a todos; tem de ser confiável, sempre presente, e atender a todas as necessidades humanas — diferentemente do “bem” que se origina na matéria ou em mentes humanas, o qual pode ser distorcido, perdido ou boicotado. Deus, o bem, é o único poder. Por isso, não pode haver nada que se oponha ao bem de Deus.

Mas Jesus não era divino? E o que significa ser divino?

A definição fundamental de divino se refere exclusivamente ao único Deus e a Seu poder e atributos inigualáveis. Jesus não era divino, nesse sentido, porque ele não era Deus. O Deus infinito jamais poderia estar “dentro” de um homem finito, mas a natureza de Deus se manifestou de maneira inigualável por meio de Cristo Jesus, porque ele era o “filho unigênito” do Pai. O seu nascimento foi virginal, por meio do Espírito Santo, não de procriação humana.

Jesus manifestou a natureza divina graças à sua obediência inabalável à lei de Deus, que o capacitava a refletir o poder divino, redimindo as pessoas do pecado e do sofrimento por despertá-las para sua verdadeira natureza espiritual. Ciência e Saúde explica: “O Cristo era o Espírito ao qual Jesus se referiu nas suas próprias declarações: ‘Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida’; ‘Eu e o Pai somos um’. Esse Cristo, o caráter divino do homem Jesus, era sua natureza divina, a santidade que o animava” (p. 26).

Podemos ser levados a acreditar que, quando Cristo Jesus disse: “Eu e o Pai somos um”, queria dizer que ele era Deus. Mas, no Evangelho de João, ele diz: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (17:20, 21). Ele não se referia a uma unidade física, mas a uma unidade espiritual.

Se o fato de ser um com Deus significasse que Jesus era Deus, isso faria com que todos nós fôssemos deuses. No entanto, ele ensinou e viveu o Primeiro e o Segundo Mandamentos — que não devemos ter outros deuses além do Espírito único e infinito, e que não devemos adorar nada nem ninguém além desse Espírito.

A Sra. Eddy explica: “Se dissermos que o sol representa a Deus, então todos os seus raios coletivamente representam o Cristo, e cada raio individual representa homens e mulheres. Deus, o Pai, é maior do que o Cristo, mas o Cristo é ‘um com o Pai’ e, assim, o mistério é explicado cientificamente. Só pode haver um único Cristo” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 344).

Jesus demonstrou que somos um com Deus porque o Espírito é nossa origem, nosso único Pai verdadeiro. Os sentidos materiais têm noção apenas da matéria e da identidade humana e física, por isso Jesus ensinou que cada um de nós precisa “nascer de novo”, não da carne, mas do Espírito, Deus, ou seja, é necessário que nos despojemos do senso errôneo de que exista uma mente independente, um corpo material e uma personalidade humana. E que reconheçamos a nós mesmos como o reflexo do Espírito divino.

Precisamos compreender que todos adoram (honram, servem ou temem) alguma coisa. Mas, por que o que adoramos é importante? Porque, se o objeto de nossa adoração for humano ou material, físico ou sensório, será sempre dualista — incluindo tanto o bem quanto o mal, a saúde e a doença, a vida e a morte. Será sempre variável, nocivo e não confiável.

Mas, quando reconhecemos e adoramos um único Deus, o Espírito, que é a fonte de todo o bem, de toda a vida, de toda a saúde e de toda a felicidade, e reconhecemos que o Cristo é a verdadeira ideia de Deus, que proclama o bem e a mensagem divina de nossa união com Deus, então constatamos que a paz, a saúde, a alegria, o domínio e a segurança estão sempre presentes, não diminuem, são imutáveis, indestrutíveis, eternamente bons e abrangem a humanidade toda.

A teologia errônea sugere que, por ser Deus o próprio Amor, Ele se assemelha mais a um bom amigo que nos ama — e que também sofre conosco. Mas isso reduziria Deus a um ser humano ou mesmo a um mortal. É impossível que Deus sofra, porque Ele é o bem onipotente. Logo, é impossível que Sua semelhança — o homem espiritual — sofra. Considerando que amigos podem mudar e trair, considerar a Deus da mesma forma que vemos um amigo humano — alguém que nos ama, mas tem uma capacidade limitada para ajudar — faz com que nossa fé em Deus seja vulnerável à dúvida e à confusão. Precisamos resistir à tentação de comparar Deus a algo humano ou de usá-Lo como uma espécie de “atendente cósmico”, a quem recorremos para atender às nossas necessidades ou apenas quando precisamos de ajuda. A compreensão de que Deus é o Amor divino infinito, que é invariável e nunca deixa de nos livrar do sofrimento, quando observamos Seus mandamentos, traz paz e confiança.

A razão pela qual podemos confiar em que Deus nos livrará das situações mais opressivas e assustadoras é justamente o fato de que Ele não é humano nem material, mas divino — o único, absoluto e supremo poder do universo. Deus é o Amor infinito, que satisfaz a todas as necessidades de um modo que nenhum poder humano ou material jamais poderia. Jesus nos ensinou a orar: “…santificado seja o teu nome…” (Mateus 6:9). Ao referir-se a Deus, a palavra santificar em grego significa considerá-Lo santo e digno de reverência e admiração.

Em minha própria experiência, aprendi desde pequena que Deus, o Espírito, é nosso Pai-Mãe Deus, sempre presente, cuidando de nós e nos protegendo. Contudo, quando comecei a ter êxito do ponto de vista humano, percebi que estava sendo levada a raciocinar de um modo muito materialista, ao mesmo tempo em que pensava: “Sou espiritual, sou boa, estou em segurança” etc. A suposição de que eu poderia confiar em minha própria sabedoria e talento, e tomar minhas próprias decisões, independentemente da lei de Deus, levou-me a algumas decisões não muito boas (para dizer o mínimo!) e a um sofrimento muito desagradável. Foi então que aprendi que Deus é o grande e único “Eu sou”.

Quando passei a me empenhar para “nascer de novo” — para abandonar o senso material, pessoal e humano de quem eu sou — comecei a perceber que a inspiração divina vem somente de Deus e nunca deixa de nos guiar corretamente. Tem sido uma lição contínua, com novas tentações surgindo sob novas formas, que poderiam me enganar e me desviar do meu objetivo, levando-me a acreditar que talvez existam muitas mentes, muitos poderes, muitos deuses. Mas, quanto mais profundas se tornam minha admiração e reverência a Deus, e quanto mais humilde é minha obediência à lei de Deus, mais rapidamente vejo se manifestar em minha experiência a realidade de que existe apenas a Mente divina, apenas a lei divina que governa todos nós a cada momento, em completa harmonia. Como a Sra. Eddy afirma em Não e Sim, “A lei de Deus está em três palavras: ‘Eu sou Tudo’…” (p. 30).

São tantas as curas e bênçãos que resultaram de eu cultivar a humildade e o reconhecimento de que não somos a causa, mas sim, o efeito — o efeito perfeito de uma causa perfeita! Não somos a Mente divina, mas sim, somos a manifestação contínua daquilo que a Mente divina conhece — a beleza, a inteligência, a saúde, a criatividade, a liberdade, o domínio, a inocência — sendo valiosas ideias espirituais de Deus. Por sermos a divina imagem e semelhança de Deus, cada um de nós reflete naturalmente o divino. 

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