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Original para a Internet

O fluxo contínuo do bem em nossa vida

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 29 de junho de 2026


Praticamente todos já se depararam com situações difíceis, em que o fluxo do bem parece seriamente interrompido ou até mesmo totalmente bloqueado. Uma pergunta importante que podemos nos fazer nessas ocasiões é: “O que é que eu acredito, com relação a quem ou o que controla o fluxo do bem em minha vida, isto é, as oportunidades, a felicidade, a saúde, o afeto, a paz e assim por diante?”

Pode parecer que o obstáculo que impede o bem de fluir tenha sido colocado por um empregador, um vizinho, um parente, um político ou um governo. Talvez você se sinta tentado a acreditar que é a vítima indefesa de personalidades humanas irracionais ou beligerantes. Nesses casos, é necessário adquirir uma perspectiva espiritual mais elevada, para romper o mesmerismo da frustração e do medo. Dessa forma, é possível soltar as garras do que quer que nos impeça de usufruir o curso natural do bem espiritual que flui para cada um de nós, e que vem continuamente da Mente única e infinita, Deus.

Com base na perspectiva espiritual que a Ciência Cristã proporciona, o culpado nunca é uma pessoa, mas sempre a crença equivocada de que o bem seja finito e material por natureza. Essa crença errada parece ter autoridade e poder, mas, na verdade, ela só tem o poder que nós lhe atribuímos.

A Bíblia diz: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17). Em outras palavras, Deus, o Espírito, é a única fonte do bem que, por essa razão, é inteiramente espiritual e totalmente confiável.

No entanto, com demasiada facilidade somos levados a acreditar que o bem, em todas as suas formas, tenha uma origem humana e material e, por isso, esteja sujeito a falhas decorrentes da ação ou omissão de outros, ou que nós sejamos pessoalmente responsáveis por sua continuidade — ou mesmo sua existência.

O conceito de que o bem seja material, limitado e intermitente — disponível em alguns momentos, mas não sempre, para alguns, mas não para outros — pode ser comparado a uma casa construída não sobre a rocha, mas sobre a areia, sem alicerces, a qual desmorona em momentos de dificuldade (ver Lucas 6:48, 49). Seria ingênuo e inútil basear nossas esperanças nesse conceito material do bem.

Quando, em nossas orações, nos elevamos para alcançar uma compreensão espiritual do bem, então discernimos seu Princípio divino, o Amor, e obtemos aquela convicção, construída sobre esse alicerce sólido, de que o bem é contínuo e universal. E, como todos somos espiritualmente capacitados pelo Cristo, a ideia divina que fala continuamente à nossa consciência, nós somos capazes de demonstrar, cada vez mais, o fato espiritual de que o bem está atuando e não pode ser interrompido.

Em alguns momentos de minha vida profissional, tive chefes com personalidades extremamente dominadoras. Eles exerciam seu pressuposto poder e autoridade de modo pessoalmente ofensivo aos outros, e não contribuíam para um ambiente de trabalho produtivo. Presenciei situações em que colegas foram humilhados e demitidos injustamente. Às vezes, eu me sentia oprimido pela pressão de atender ao que pareciam ser expectativas irracionais e impossíveis. Cheguei ao ponto de me sentir muito mal fisicamente, e isso me levou a pedir demissão, porque senti que era a única maneira de me recuperar.

Eu queria contribuir para a cura dessas situações, tanto para mim quanto para outros. Eu precisava, mentalmente, questionar e rejeitar a presunção de que um poder pessoal inflexível e prejudicial pudesse estar no controle, e substituí-la pela certeza do controle misericordioso, amoroso e perpétuo de Deus. Quem eu acreditava que estivesse controlando a torneira do bem? Quem ou quê, em minha crença, controlava o fluxo do bem?

A tentação era a de acreditar que eu estava sendo vítima de uma mente maldosa, totalmente separada e dessemelhante de Deus. Minha oração incluiu o reconhecimento de que, pelo fato de ser Deus a Mente infinita e o Amor ilimitado, o Amor é a única Mente possível a governar o universo, inclusive cada um de nós. Rejeitei o raciocínio errôneo de que a Mente e o Amor estavam separados, e que uma mentalidade maldosa estava no controle da situação. Ao compreender com mais clareza a unidade inseparável entre a Mente e o Amor, o receio de estar sujeito a uma mentalidade controladora e nociva deu lugar a um senso de serenidade, confiante em que a torneira estava na “mão” de Deus. 

A solução finalmente surgiu quando reconheci que o Amor divino é a única Mente do homem, e governa toda individualidade, sendo que nenhuma outra pretensa autoridade poderia interferir nesse fato espiritual. Os comportamentos abusivos diminuíram e, em alguns casos, pararam. Com relação ao fato de eu não me sentir bem fisicamente, meu pedido de demissão não foi aceito, e fui curado por meio do tratamento pela Ciência Cristã, tendo voltado ao trabalho em três semanas. O melhor de tudo é que adquiri uma convicção renovada de minha liberdade em relação à tirania. Nas duas décadas de trabalho que se seguiram, eu me senti livre de tais experiências e pude ajudar outros a prevenir ou solucionar problemas semelhantes.

As notícias sobre os acontecimentos no mundo todo podem ser bastante persuasivas em alegar que o fluxo do bem para milhões de pessoas está sendo estrangulado. Ficamos tentados a acreditar que agressores estejam deliberadamente deixando um grande número de pessoas desamparadas e sem esperança. Mas sentir-se paralisado por essas avaliações apenas reforça as aparentes garras da crença em um poder maligno.

Pensadores espirituais podem fazer uma grande diferença, ao rejeitarem a aparência mesmérica da supremacia das mentalidades malignas e da insuficiência do bem. Com base nos poderosos exemplos de Jesus e de seus apóstolos, o livro-texto da Ciência Cristã afirma: “O mal não é supremo; o bem não está desamparado; …” (Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 207).

O Cristo, a voz da Verdade e do Amor onipotentes, fala à consciência de cada um de nós. Ele produz e anima a confiança espiritual na supremacia e no controle absoluto do Amor divino sobre todas as coisas. O bem nunca está ausente nem desamparado. O Princípio divino sempre presente, o Amor, é a única Mente, o único legislador, e todos nós somos capazes de compreender suficientemente esses fatos espirituais para nos libertar das garras da crença em um poder maligno que alega controlar o livre fluxo do bem.

A repetição descontrolada do mal, o torpor mental, a falta de visão, a autodepreciação — todas as fases da mente mortal, essa mentalidade errônea que alega governar os mortais — mostram que nós estamos concordando com a crença de que haja uma mão ilegítima controlando a torneira, e que isso geraria estagnação.

A Sra. Eddy atribui toda oposição e ação contra o bem, na existência humana, à atuação dessa suposta mente. Ela exorta: “Monta guarda à porta do pensamento. Admitindo somente aquelas conclusões cujos resultados desejas ver concretizados no corpo, tu te governas harmoniosamente” (Ciência e Saúde, p. 392). A meu ver, ela nos está aconselhando a estar conscientes da verdade sobre a torneira, e permanecer alertas para detectar qualquer crença de que possa existir um poder oposto a Deus, impedindo que alguém receba o pleno fluxo do bem divino.

Empenhemo-nos para que nosso pensamento se eleve até alcançar o nível de confiança de que nos fala a Sra. Eddy: “O poder da Ciência Cristã e do Amor divino é onipotente. É realmente capaz de romper as amarras e destruir a doença, o pecado e a morte” (Ciência e Saúde, p. 412). Isso abrirá nossa experiência de vida para os canais por onde flui perenemente o bem divino, não apenas para nós, individualmente, mas também para toda a humanidade.

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