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Original para a Internet

O Natal e um mundo renovado

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 20 de dezembro de 2021


O presente espiritual do Natal envolve o mundo com uma esperança inabalável — uma esperança que produz frutos perenes. Essa é a irreprimível bênção que o Natal promete, e que satisfaz as necessidades e põe fim às aflições do mundo, proporcionando conforto divino. Revigora nossa vida com um ideal tão perfeito e tão significativo, que somos arrebatados por seu conteúdo e beleza. É como nossa própria vida a renovar-se por meio do Amor divino, anunciado no nascimento de Jesus.

Cristo Jesus apareceu em um mundo repleto de agressões políticas bárbaras e cruéis, códigos civis vingativos e corrupção religiosa. Contudo, com sua vida plena da expressão do bem e cheia de poder, ele destruiu para sempre a reivindicação do mal, que pretenderia dominar o esforço e o caráter humano. O exemplo preeminente de Cristo Jesus pôs a descoberto as imperfeições ilusórias de uma mente material impiedosa, e nos deu todo o conhecimento espiritual da misericórdia e da bondade de Deus, o Amor, irreprimíveis.

Continuamos ainda hoje a desvendar o que faz parte desse senso mais elevado e mais amoroso da Vida, Deus, o bem, que tornou perceptível para a humanidade o terno conforto do Amor infinito. Não foi algo tão profundo que não pudesse ser compreendido nem tão difícil em que não se pudesse acreditar. Em realidade, de uma forma muito modesta, cada vez que um forte ressentimento cede ao perdão misericordioso, é porque sentimos o toque inconfundível do Cristo. Isso nos dá uma ideia do que pode significar superar tudo aquilo que é odioso e errado, e viver verdadeiramente no reino dos céus.

Similar aos milhões de cores no espectro da luz, que não podem ser percebidos pelo olho humano, assim também há infinitamente mais na criação do Amor do que conseguiríamos perceber sem as lentes da vida de Jesus, da Verdade eterna que ele viveu. Seu nascimento abriu e revelou um mundo novo, um mundo salvo, a começar pelo fato de que a causa nunca é material ou física, como prova seu nascimento.

A natureza indestrutível do Cristo, criada por Deus, é profetizada desde o início da criação, com o mandamento de Deus “Haja luz”, mandamento que revelou a luz espiritual da Verdade (Gênesis 1:3). O Cristo, “a luz [que] resplandece nas trevas…” (João 1:5), nos revela a vida, a realidade, o propósito, a eternidade e o potencial gerados pela Verdade (não pelo homem). O nascimento oriundo de uma virgem salientou essa grande maravilha, a expressão da pureza e do amor de Deus, que conforta os corações humanos atemorizados, dando-lhes a vida que nunca começa e nunca se extingue.

A vida de Jesus superou todos os obstáculos materiais, exemplificando o Cristo, a Verdade, circulando entre nós e mostrando-nos que o céu — a perfeita harmonia — reina em nossos corações. Essa influência divina tem um significado maior do que as palavras dos Evangelhos ou o relato de alguns eventos humanos da antiguidade. É a Palavra que não pode ser separada de Deus, a própria Vida divina, da qual continuam a emanar ondas cada vez maiores da graça, para toda a humanidade, guiando irresistivelmente cada um de nós ao nosso Pai-Mãe Deus.

Na medida em que permitimos que o Cristo dirija nossos pensamentos para Deus, constatamos que tudo assume um novo matiz espiritual. A grande descoberta, vivamente retratada na vida de Jesus, é que não há nada tão presente nem tão real quanto o Amor. A vida de Jesus trouxe à Terra uma experiência de Amor que vai inimaginavelmente além dos conceitos meramente humanos de amor. Sem a vida de Jesus para despertar o mundo, não teríamos conhecido o poder renovador ilimitado e insuperável do perdão, o vigor que tudo transforma, da integridade espiritual ou o sustento infinito do Amor que nos concede a graça.

O Amor regenera todos os incentivos ou ideais. Proporciona energia inesgotável à ação e ao altruísmo. Dá à benignidade da pomba a sabedoria da serpente, e à sabedoria da serpente a benignidade da pomba. Nada pode competir com o anseio puro e primordial pelo amor compassivo de Deus para confortar e abençoar nosso próximo. Esse anseio surge das profundezas de nossa própria gratidão transbordante pelo amor de Deus.

Essas ideias podem parecer profundas e elevadas, mas afetam a vida de cada um de nós de maneira muito direta e prática. Presenciei um toque do amor transformador do Cristo há vários anos, quando eu estava na Inglaterra, lecionando em um internato especializado para meninos com problemas comportamentais. A maioria tinha por volta de dezessete anos; todos haviam sido expulsos de alguma escola; todos estavam em lares adotivos; vários já tinham antecedentes criminais.

Eu estava nesse emprego havia apenas alguns meses, quando precisei levar meu filho de dois anos para o trabalho, porque a babá não pudera ir naquele dia. Ele era bastante tranquilo, então achei que não haveria problema em levá-lo comigo apenas naquele dia.

Desde o momento em que entramos na sala de aula, meus alunos se comportaram com uma doçura e ternura que eu nunca os vira expressar. Fizeram grande alvoroço devido à presença de meu filho. Nem um único palavrão saiu de seus lábios o dia inteiro. Esse era um problema persistente e nada havia funcionado para acabar com o linguajar cheio de maus desejos e expressões vulgares. Mas naquele dia, sem eu precisar dizer uma palavra, eles voluntariamente, e talvez até sem perceber, simplesmente aprumaram-se de maneira total, sem um único deslize.

Pareciam ter sido espontaneamente tocados pela inocência do menino ali no meio deles. Eu sabia que se eles conseguiam mostrar tão naturalmente essa bondade para com o garotinho, podiam fazer o mesmo por si próprios e pelos outros. Naquele dia, vi muitos exemplos comoventes, em que esses meninos foram atenciosos, altruístas, honestos e bons. Isso provou que, apesar das circunstâncias difíceis, nada podia acabar com a verdadeira natureza criada por Deus.

Na proporção em que reconhecemos o Amor divino abraçando a Terra, com os braços abertos dos céus, conseguimos ver ternura e força naquilo que vai muito além do que é produzido pelo esforço ou pela instrução humana. Vemos a estrela do existir espiritual brilhando resplandecente, perfeita e em paz. Não se pode fazer nenhuma comparação entre essa estrela majestosa que aponta o caminho para a Vida e o Amor espirituais, e os escombros de áridas teorias materiais, que conduzem a nada além de confusão e aborrecimento. Quem não vai querer seguir essa estrela, a maneira mais clara e direta para se compreender a Verdade divina, Deus? A estrela ilumina os marcos de valor inestimável que nos conduzem àquilo que a Vida significa, àquilo que a Verdade é e àquilo que o Amor faz.

Quando deixamos que o amor do Cristo preencha nosso coração, somos regenerados. Sentimo-nos renascidos. Nosso antigo senso de identidade com seu histórico de reviravoltas, eventos felizes e infelizes, se desfaz diante da grandiosidade do amor do Cristo, o qual é incondicional e é eternamente nosso.

Como podemos deixar que essa criança sagrada, essa ideia divina do Amor eterno, habite em nosso coração? Ela não pode ser encontrada sem primeiro levarmos à manjedoura os presentes da nossa vivência — o ouro dos motivos isentos de ego, o incenso da mansidão que traz equilíbrio, a mirra da integridade purificada. Com esse rico estímulo, o amor do Cristo acende nossos corações para ser uma chama para os outros — para aquecer sentimentos frios, iluminar esperanças entorpecidas, revigorar a fé cansada — e para iluminar nossa compreensão do ímpeto transformador do Espírito. Então é como nascermos de novo.

O Natal é a luz que emite luz, o Amor divino que ilumina o caminho da humanidade rumo ao reino dos céus, onde o medo, a discórdia, o pesar e a dor perdem o domínio e em seu lugar prevalecem a paz, a alegria, a inocência e as infinitas possibilidades de Deus, o perfeito Amor, que tudo permeia. 

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“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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