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Original para a Internet

O verdadeiramente normal

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 4 de outubro de 2021


“Eu só quero que as coisas voltem ao normal!” 

Ultimamente, tenho ouvido muito essa frase, em relação ao retorno às liberdades de que desfrutávamos antes da pandemia, ou à recuperação da saúde, ou à volta a um passado em que algum relacionamento era mais feliz, ou em que a pessoa se sentia com mais energia e capaz de fazer frente às dificuldades. Seja qual for a razão, essa frase expressa o desejo por algo melhor do que julgamos possuir no momento. 

O que significa normal? É simplesmente aquilo a que estamos acostumados? Ou o modo como gostamos que as coisas sejam? Ou normal é algum tipo de padrão quanto ao que consideramos necessário para estarmos bem?

Aqui está um conselho surpreendente dado por Cristo Jesus em seu Sermão do Monte e relatado na Bíblia, sobre como manter uma normalidade satisfatória. Ele disse: “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” (Mateus 6:28–30).

O que é realmente normal, diz Jesus, é o cuidado amoroso de Deus. E para nos ajudar a encontrar e perceber esse cuidado, ele nos deu este conselho: “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso…” (Mateus 6:22). Em outras palavras, temos de confiar e manter apenas o senso espiritual — a consciência de que a Mente divina, Deus e todo o Seu bem estão sempre presentes. 

Jesus compreendia, clara e naturalmente algo que nos foge, quando tentamos encontrar o bem nas condições materiais. Ao mesmo tempo em que muitos ao seu redor viam pessoas aleijadas, cegas e doentes, ele percebia a presença de Deus e o poder do Amor divino. Como resultado dessa perspectiva inspirada pelo Cristo, os doentes eram curados e se revelava para todos o fato de que o bem de Deus está sempre conosco.

Como foi explicado depois por Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, no livro-texto Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Na Ciência divina, o homem é sustentado por Deus, o Princípio divino do existir. … Sabendo disso, Jesus certa vez disse: ‘Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber’ — ele disse isso, não assumindo a prerrogativa de seu Criador, mas reconhecendo que Deus, Pai e Mãe de todos, é capaz de alimentar e vestir o homem, assim como alimenta e veste os lírios” (p. 530).

Eu estava de volta ao normal e, como muitas vezes acontece na sequência de uma revelação espiritual, tudo parecia abençoado.

A realidade de que o cuidado de Deus está aqui agora mesmo é uma revelação que nos liberta do temor de que nossas necessidades humanas possam ficar sem serem atendidas. Todos temos acesso a essa revelação, que pode se manifestar em nossa vida de muitas maneiras diferentes. Pode ser como um “cicio tranquilo e suave”, uma compreensão que contrasta a persistente narrativa mental sobre um problema (ver 1 Reis 19:12). Pode vir mediante algo que lemos ou ouvimos, quando nos empenhamos em buscar uma compreensão mais espiritual sobre o que está ocorrendo. Ou pode nos colher de surpresa e nos abençoar em algum momento em que não esperávamos encontrar a graça de Deus. Em qualquer caso, com a revelação aprendemos que o bem divino nunca falta.

Eu era praticista da Ciência Cristã havia pouco tempo e tinha uma filha pequena, quando um dia acordei com todos os sintomas do que parecia ser uma gripe. Sentei-me na cama e tentei ler para me inspirar, mas isso não parecia estar ajudando. Naquele momento, minha filha de três anos entrou no quarto, subiu na cama, e perguntou por que eu não havia me levantado. Expliquei que não estava me sentindo bem. Ela foi embora e voltou depois com um bloco de papel e um lápis e sentou-se ao meu lado, cobrindo atentamente a página com rabiscos, linha após linha.

Perguntei-lhe o que estava fazendo. “Estou escrevendo um tratamento para você se sentir melhor”, disse ela. Ela muitas vezes me vira escrever verdades espirituais específicas para as pessoas que pediam tratamento pela Ciência Cristã. Especialmente no início da minha prática, eu havia constatado que colocar em palavras o que Deus sabe sobre cada situação específica, e anotar precedentes bíblicos para esses fatos espirituais, ajudava a concentrar meu pensamento no que realmente estava acontecendo. 

Perguntei: “O que está escrito no seu tratamento?”

Ela pegou a página e “leu” para mim uma série de declarações metafísicas. “Você está bem porque Deus fez você, e tudo o que Deus faz é bom e está bem. Você pode fazer o que for preciso e ter alegria e felicidade porque foi para isso que Deus fez você. Você não pode estar doente porque você é filha de Deus!” Então ela olhou para mim para ver minha reação.

Tive de admitir para mim mesma que eu concordava plenamente com tudo o que ela havia acabado de dizer, e só iria contra meus próprios interesses argumentar em favor das sensações desagradáveis de cansaço e febre, e também seria contrário ao meu amor por Deus e Sua criação. 

Disse-lhe que logo iria me levantar e, quando ela saiu do quarto, dei-me conta de que eu realmente me sentia perfeitamente capaz de sair da cama e me preparar para um dia cheio — o dia de Deus em que eu iria existir como expressão dEle.

No livro Ciência e Saúde lemos: “A Ciência inverte o falso testemunho dos sentidos físicos, e por essa inversão os mortais chegam aos fatos fundamentais a respeito do existir. Surge então inevitavelmente a pergunta: Estará doente um homem, se os sentidos materiais indicarem que ele está em plena saúde? Não, pois a matéria não pode impor condições ao homem! E estará ele bem, se os sentidos disserem que está doente? Sim, ele está bem na Ciência, na qual a saúde é normal, e a doença é anormal” (p. 120).

A saúde é normal. É normal estar bem, sentir alegria, poder expressar o bem espiritual, independentemente das condições materiais. 

A palavra ciência é definida no dicionário Webster como “a compreensão ou entendimento, pela mente, da verdade ou dos fatos”. A Ciência divina revela que a verdadeira origem do nosso existir e da nossa identidade é o Espírito, Deus, que é totalmente bom. Quando minha filha contou qual tinha sido seu tratamento, ela me colocou frente a uma escolha lógica. Eu poderia me apegar à imagem de mim mesma como doente e separada da pujança da Vida, da alegria da Alma, da liberdade e segurança que o Amor concede — ou seja, separada das qualidades de Deus, que nunca podem estar ausentes. Ou, eu poderia aceitar que o tratamento era a Verdade (outro sinônimo de Deus) me mostrando que a saúde e o bem eram o real e normal.

Não só as palavras da minha filha representaram a mais elevada compreensão daquilo que era verdadeiro, mas também provinham de uma plataforma de amor e de fé confiante que tornaram essas verdades irresistíveis para mim, como se fossem transparências para o mundo do Espírito, o mundo do qual eu sempre fizera parte. Sua sinceridade infantil e afeto filial despertaram minha natural esperança, humildade e fé. 

Essas qualidades mentais me permitiram fazer a transição, da autopiedade e indagações sobre como eu poderia ter ficado doente e quanto tempo os sintomas durariam, para um senso mais harmonioso e divinamente iluminado sobre quem eu era e o que estava acontecendo. Essas qualidades expulsaram as perspectivas negativas do que era possível, e eliminaram ao mesmo tempo as condições físicas doentias aparentemente inevitáveis.

Eu estava de volta ao normal e, como muitas vezes acontece na sequência de uma revelação espiritual, tudo parecia abençoado. Foi um dia repleto de lindas demonstrações do bem divino, com a sensação de ser uma criancinha em um mundo pleno da graça divina. Lembrei-me da descrição dada por Mary Baker Eddy a respeito da compreensão espiritual e da realidade: “A Ciência inverte de tal maneira a evidência que está diante dos sentidos humanos corpóreos, que em nosso coração se torna verdadeira esta declaração das Escrituras: ‘Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos’, a fim de que Deus e Sua ideia sejam para nós o que a natureza divina realmente é e inevitavelmente tem de ser — aquilo que tudo inclui” (Ciência e Saúde, p. 116). 

É isso o que é verdadeiramente normal, para todos nós.

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A Missão dO Arauto

“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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