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Original para a Internet

Por que uma manjedoura?

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 20 de dezembro de 2021


Para os cristãos em todo o mundo, um dos símbolos mais queridos do Natal é o presépio — uma representação de Maria, José e o menino Jesus, sendo assistidos por pastores e pelos reis magos que haviam seguido a estrela a fim de testemunhar o maravilhoso evento. No centro de muitas dessas cenas está uma manjedoura, contendo o precioso bebê. A manjedoura confere simplicidade à cena, mas também exemplifica algo mais, ou seja, a mansidão e a humildade que sempre acompanham a vinda do Cristo, o amanhecer da inspiração divina na consciência humana.

Quaisquer que fossem as expectativas de Maria para o nascimento de seu filho — que seria chamado Rei dos reis — é difícil imaginar que sua preferência tivesse sido dar à luz em um estábulo e, em seguida, colocar o bebê em uma manjedoura destinada à alimentação do gado. No entanto, como não havia quartos disponíveis na hospedaria, Maria não teve muita escolha.

Será que essa situação foi um revés? Um último recurso? Exteriormente, pode parecer que sim. Mas, do ponto de vista espiritual, há algo instrutivo com relação à maneira como esses eventos ocorreram. O ponto necessário nesse momento crucial no desenvolvimento espiritual da humanidade era que o nascimento do Salvador fosse livre de todos os vestígios da vontade e dos delineamentos humanos. Um propósito divino estava se revelando.

Algo dessa lição havia sido revelado séculos antes, nestas palavras inspiradas: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5, 6). Mesmo que pareça haver uma maneira lógica de realizar qualquer trabalho que estejamos fazendo, o modo melhor, mais prático e mais eficaz é sempre ouvir e seguir a orientação de Deus.

No caso de Maria, à medida que a hora do nascimento de seu bebê se aproximava, não houve tempo para planejamento. Não havia nenhuma forma de ajuda disponível, do tipo da que associamos a um parto. A situação não era de modo algum o que poderíamos considerar normal. Mesmo assim, nada houve que impedisse o Cristo, a natureza divina do homem Jesus, de aparecer em toda a sua grandeza. Uma estrela já havia anunciado tal evento. Esse momento pertencia a Deus!

Mas Maria não foi a única que precisou deixar de lado o planejamento humano a respeito da vinda do Salvador. O povo hebreu estava esperando pelo Messias prometido, mas quando o Messias veio, não foi na forma que eles haviam imaginado — talvez como um guerreiro poderoso, ou como uma aparição caindo do céu, acompanhada por um grande terremoto. Não foi assim. O advento do Cristo veio no silêncio da noite, anunciado por um coro de anjos aos pastores vigilantes, os quais o encontraram no local protegido e retirado em que se encontrava a manjedoura. Não era o que as pessoas esperavam, mas era o que precisavam. E apresenta uma lição a respeito de como as ideias de Deus são frequentemente reveladas — sem alarde, no santuário silencioso da consciência, de uma forma que transcende o planejamento humano.

Quem alguma vez já não se esforçou para encontrar todas as soluções possíveis para uma necessidade específica, e terminou constatando que a situação não melhorou, ou até piorou, já não havendo praticamente outras opções? Às vezes, é exatamente esse o momento que nos força a duvidar da fé nos esforços materiais e a preparar o coração para o silencioso aparecimento do Cristo.

Talvez nos sintamos sobrecarregados por um grande fardo de responsabilidade decorrente de um trabalho, de uma tarefa ou de uma missão. Esse peso provém do fato de pensarmos que somos nós os responsáveis pelo trabalho, isto é, somos responsáveis por gerar, a partir de uma identidade humana limitada, a inteligência, a criatividade ou outras qualidades necessárias para realizar essa obra. O apóstolo Paulo revelou um antídoto para esse estado mental, exortando-nos a que, em nossos esforços, não busquemos a solução em nós mesmos, mas em Deus: “…porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13).

O bem que procede de Deus é infinito, refletido em toda a criação, ou seja, já está incluído em cada um de nós como filhos espirituais de Deus. A fim de vivenciarmos esse bem de maneira tangível, temos de estar preparados para recebê-lo. É necessário ter humildade, isto é, a disposição de ceder nosso planejamento pessoal à orientação de Deus. À medida que abandonamos a vontade do ego, a insegurança, o orgulho e nossos planos pessoais de como as coisas deveriam funcionar, e colocamos nossa fé completamente na orientação e na administração de Deus, vemos Sua obra se desdobrar em nossa vida. Passamos a compreender que é Deus quem está nos guiando e sustentando, expressando em nós todas as qualidades espirituais necessárias para fazer o que é certo e bom.

Então, como é que sabemos se nosso trabalho é dirigido por Deus, ou se é a vontade humana que está governando? Podemos começar cada tarefa pedindo humildemente a orientação de Deus e, em seguida, ouvi-la e segui-la. Podemos ter a certeza de que, mesmo esse simples ato de renúncia do ego, abrirá a porta para a inspiração divina que guiará nosso trabalho e inspirará nossas ações.

Foi isso o que uma amiga minha constatou, quando uma oportunidade de emprego falhou no último minuto. Seus esforços para encontrar outro emprego foram infrutíferos e ela começou a perder a esperança. Mas, por meio da oração, começou a compreender que, conforme ela mesma diz, não era ela a autora de sua história, mas sim a expressão da história oriunda em Deus. Ao abandonar a vontade do ego, a paz de espírito substituiu o desespero e a tensão, e logo uma ideia surgiu, uma ideia tão original e convincente, que ela sabia que fora inspirada por Deus. O resultado foi uma completa mudança de direção, o que culminou em um empreendimento mais estimulante e gratificante. (Ver artigo de Brian Webster, intitulado “Run to the river Jordan!” [“Corra para o Rio Jordão!”], publicado no The Christian Science Journal de novembro de 2019.)

Talvez o trabalho à nossa frente pareça muito grande. Mas compreender que nosso propósito é glorificar a Deus nos capacita, de maneira modesta, a preparar o caminho para que uma nova ideia, inspirada pelo Cristo, apareça e nos abençoe. Nosso trabalho assumirá um significado mais elevado e os resultados refletirão esse impulso divino. Então compreenderemos melhor a mensagem da manjedoura: o palco onde ocorre essa cena não é nosso; esse palco e essa cena pertencem a Deus.

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— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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