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Original para a Internet

Amor: nossa libertação da inimizade

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 28 de março de 2022


Poucas coisas são tão doces como uma amizade restaurada ou um desentendimento sanado. 

Romper relações e dar lugar a divisões é algo muito comum. A tristeza e a raiva devidas a desentendimentos podem fazer com que nos sobrevenha o desejo de distanciar-nos de uma amizade, de uma organização ou de uma igreja. A divisão pode nos parecer bastante justificada, quando achamos que fomos tratados com injustiça. 

No entanto, o ensinamento cristão não nos deixa ficar nesse beco sem saída de infelicidade e isolamento, não importa o quão justificado pareça. Cristo Jesus nos exortou a amar a Deus, que é o próprio Amor divino, de modo tão profundo e puro, de modo a naturalmente expressarmos amor a todos ao nosso redor. A divisão não tem lugar em nosso coração, porque não tem lugar em Deus. 

Talvez achemos que nossa capacidade de amar seja limitada e que pode acabar devido ao estresse. Na realidade espiritual, não somos personalidades que têm de se abastecer de amor antes de poder compartilhá-lo. Deus tem por nós inesgotável afeto, por sermos a semelhança espiritual do próprio Amor. Somos a reflexão de Deus, dignos de receber amor e prontos para amar, plenamente capazes de expressar o Amor que tudo abrange, Deus. 

Essa realidade espiritual é verdadeira agora mesmo. Podemos reconhecer esse fato, e sentir o caloroso abraço do Amor, quando amamos até mesmo aquelas pessoas rotuladas como nossos inimigos e oramos “pelos que (nos) perseguem”, como Jesus ensinou. Ele também explicou por que esse amor é natural para nós: para que nos tornemos filhos do nosso “...Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mateus 5:44, 45). 

O Pai amoroso que Jesus conhecia tão bem não poderia ser nada que não fosse imparcialmente justo para com os maus e os bons. Mas essa justiça é diferente de tecermos julgamentos a respeito de quem está certo e quem está errado quando há um desentendimento. A justiça de Deus é a perfeição divina que nega que o mal tenha presença ou poder. 

Seguir esses ensinamentos de Jesus não justifica o mau comportamento nem isenta a outra pessoa da necessidade de mudar. Mas transforma aquilo que está efetivamente sob nossa responsabilidade — nosso próprio pensamento. Mudar nossa percepção dos outros, e passar a enxergá-los de acordo com o que Deus sabe sobre eles, cura a angústia mental e também todo desejo de punir alguém com o intuito de aliviar nosso sofrimento. 

A Ciência Cristã explica melhor esse assunto, dizendo que são as percepções mortais que criam “inimigos”. Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, deu a esses pensamentos o nome mente mortal. A mente mortal não tem como tomar conhecimento do “homem e mulher” que Deus criou (ver Marcos 10:6). Por isso, fica travada em conflitos, relações antagônicas e mal-entendidos — e tudo isso no remete a divisões e isolamento. Como a mente mortal não é a Mente real, Deus, e não é nossa verdadeira individualidade espiritual, podemos rejeitar as emoções agitadas que ela oferece.

A Sra. Eddy escreveu: “Será que podes ver um inimigo, a não ser que primeiro o concebas e depois contemples o objeto de tua própria concepção? Pode a altura, ou a profundidade, ou qualquer outra criatura separar-te do Amor que é o bem onipresente — que abençoa infinitamente a um e a todos?” (Escritos Diversos 18831896, p. 8).

Não é o amor pessoal que traz harmonia às tensas relações do mundo; é o amor isento de ego, vindo direto de Deus. Ser abnegado em amar é o oposto de revolver-se em sentimentos de dor ou decepção. Um afeto puro não guarda rancor. A honestidade em nós mesmos reduz a tendência a ser precipitados em criticar alguém. Esses estados de graça do amor espiritual tornam o orgulho humano, a decepção e o ódio menos potentes e menos reais para nós. 

Uma voz interior, dizendo: “Não quero superar esse desentendimento e minha mágoa”, é, em realidade, oposição à reforma moral exigida pelo Cristo. O amor lúcido e isento de ego, o qual percebemos na vida de Jesus, amor que nós mesmos temos a capacidade, dada por Deus, de pôr em prática, ultrapassa esse pensamento de resistência — o anticristo, ou seja, o que, na Ciência Cristã, é chamado de magnetismo animal.

A destruição do magnetismo animal está em reconhecermos que ele não é real, porque sua existência não tem base no Princípio divino, Deus. Pode haver razões genuínas para a decepção ante o mau comportamento e desentendimentos em grande ou pequena escala, mas, mesmo assim, esses fatores não constituem a realidade espiritualmente científica de uma situação. O tratamento metafísico constante — incluindo orar por nossos inimigos e por nós mesmos — corrige as injustiças que sofremos, mudando nossa perspectiva humana em relação a amigos, familiares e colegas de trabalho, rumo à compreensão divina da verdadeira identidade de todos como expressão infinita do Amor. O efeito pode ser extraordinário. 

Certa vez, culpei alguém da minha igreja por decisões que eu desaprovava. Afastei-me dessa pessoa por muitos anos. Mas, durante esse tempo, meu amor por Deus e pela igreja — e pelos membros — estava aumentando. 

Finalmente, eu disse a mim mesma: “Posso amar o suficiente para trabalhar com pessoas com as quais não concordo”. À medida que me tornei mais ativa nos trabalhos da igreja, não pude evitar contato com essa pessoa. Em determinada semana, tive de lhe escrever alguns e-mails, mesmo quando já não havia amizade entre nós, e os redigi com o máximo de amor que pude. Inesperadamente, a resposta a um dos meus e-mails foi a verdade espiritual de que eu necessitava para dissipar minha angústia sobre alguns problemas de trabalho. Essa pessoa sabia o que eu precisava e foi o que generosamente me deu. Escrevi de volta em agradecimento e amizade sincera, e essa amizade continua.

Muitas vezes julgamos a nós mesmos como totalmente certos e aos outros como totalmente errados. Isso é o exato oposto do que é cientificamente verdadeiro e demonstrável na Ciência Cristã. Deus, o bem, está certo. As injustiças são corrigidas à medida que nosso próprio pensamento se alinha com o Amor, o Princípio divino. O bem que praticamos constantemente é o que une a humanidade à harmonia do Amor. 

Não podemos ser impedidos de ceder ao grande poder e calidez do Amor. Deus está sempre conosco e nos concede integridade, honestidade e compaixão. Todos fazemos parte de um amor isento de ego, o qual permite que o Amor infinito, que é Deus, reconcilie nossos relacionamentos e nos liberte das divisões.

Susan Stark
Gerente de Redação

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“...anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos], p. 353

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