A tecnologia conhecida como inteligência artificial (IA) tem crescido extraordinariamente e já afeta muitas áreas de nossa vida, apresentando tanto um potencial a ser desenvolvido quanto perigos a serem evitados. Um dicionário define inteligência artificial como “a capacidade de os programas de computador, ou algoritmos, imitarem o comportamento humano inteligente”. A IA trouxe soluções úteis, mas também levantou questões profundas sobre o que é inteligência e o que significa pensar.
A rápida propagação dessa tecnologia nos impele a buscar respostas a essas e outras questões, por meio de uma melhor compreensão e demonstração de nossa verdadeira natureza espiritual como a expressão da Mente divina onipotente, Deus, que é a fonte de toda a inteligência — e que, na verdade, é a própria inteligência. Nossa individualidade espiritual é real e está presente agora, o que nos dá autoridade sobre todas as inovações humanas.
A IA obtém informações de extensos bancos de dados, provenientes de fontes abertas e públicas, e inclui informações que podem ser reais e/ou brilhantes, mas que também podem ser fabricadas e/ou tendenciosas. Formas mais avançadas de IA podem automatizar, inovar, analisar procedimentos e definir resultados. Para que essa ferramenta possa ser desenvolvida com segurança e alcance todo seu potencial para o bem, ela precisa ser governada por algo superior. Requer o contexto e o discernimento que provêm do raciocínio moral, da intuição espiritual e da receptividade à inteligência infinita que é a Mente divina, ou seja, necessita da expressão de nosso inato senso espiritual.
Com o crescente uso da IA, aumenta a preocupação sobre quem ou o que está no controle. Se tratarmos essa questão como se a matéria (as chamadas leis materiais, sua substância e ação) fosse realidade, surgirá o receio de que a IA — que por natureza não possui senso moral, ética nem transparência — possa nos influenciar erroneamente e controlar áreas importantes de nossa vida. Podemos, no entanto, enfrentar a questão reconhecendo que a humanidade está envolta pela divindade. Com isso desenvolvemos um senso de compaixão e de amor pelos outros e somos inspirados a ver uma gama infinita de possibilidades, ao mesmo tempo em que discernimos melhor o que é útil ou é prejudicial, certo ou errado. Também expandimos a compreensão sobre nossa espiritualidade, que reconhece a Deus, o Amor, como a causa única e o único Princípio governante de nossa vida.
A Ciência Cristã expande a percepção dessa verdade, explicando que Deus é o único Criador de cada um de nós, inclusive de nossa verdadeira e mais elevada natureza — uma natureza que reflete a inteligência infinita e a sabedoria inesgotável da Mente divina; que reflete o poder salvador da Verdade, a supremacia do Amor que tudo inclui, e o bem sereno e inabalável da Alma.
Ao expressarmos constantemente essa natureza divina, manifestamos ordem, clareza, honestidade, compaixão, harmonia, autoridade e cura em todas as áreas de nossa vida — o que é necessário para o uso e o desenvolvimento sábio da IA, nos dias de hoje.
Talvez cause estranheza olhar para a Bíblia como fonte primária de exemplos sobre a atuação dessa natureza superior e sua influência transformadora — independentemente das pesquisas e dos padrões tecnológicos, do conhecimento e das expectativas consideradas fundamentais para a solução de problemas atuais e futuros. Por exemplo, essa natureza elevada é ilustrada na história de Daniel, que foi jogado aos leões devido às maquinações de companheiros invejosos. A confiança inabalável que Daniel tinha em Deus como o Amor todo-poderoso, todo-justo e todo-sábio deu-lhe coragem, o protegeu e fez com que sua vida e a de outros cidadãos progredissem. A profunda compreensão de Cristo Jesus sobre a supremacia do Amor divino venceu os temores humanos, alimentou milhares de pessoas e curou indivíduos e multidões, satisfazendo as necessidades humanas de maneira adequada.
Esses e outros exemplos bíblicos mostram a atuação do Princípio divino, o Amor, que nos dá autoridade sobre a perpetuidade, aparentemente inevitável, dos sistemas opressivos que suscitam medo, doenças, desonestidade e carência. Esses exemplos revelam a Deus como o Espírito, o Amor — como a única causa, que traz cura, paz e progresso. Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, escreveu: “A causalidade espiritual é a única questão a considerar, pois mais do que todas as outras, a causalidade espiritual tem relação com o progresso humano” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 170).
Como é que isso ajuda a administrar os benefícios e desafios da Inteligência Artificial? Embora aparentemente ilimitada, a IA não é e nunca poderá ser infinita. Para crescer de modo sustentável e sensato, a IA precisa que nós comprovemos aquilo que realmente é infinito: a inteligência divina que nos faz senhores, e não servos, da inovação.
Temos, portanto, um importante papel e responsabilidade: “Da maneira como o homem pensa, assim ele é. Apenas a mente é que sente, age ou impede a ação. Por ignorância quanto a esse fato, ou para evitar a responsabilidade que ele implica, o esforço para curar é feito do lado errado, e assim o domínio consciente sobre o corpo se perde” (Ciência e Saúde, p. 166). À medida que mudamos nosso pensamento de uma base material para o fundamento espiritual da infinitude de Deus, o bem, podemos obter o controle consciente sobre qualquer área da experiência humana.
O rápido crescimento do uso da IA é um alerta para que vigiemos e sejamos prudentes, com a consciência de que nossa natureza espiritual é necessária e já está presente.
Então, será possível utilizar e reconhecer sem medo o incontestável impulso espiritual que move o pensamento para realizações mais elevadas e eficazes, ao mesmo tempo em que protegemos as inovações que aprimoram as condições e a vida da humanidade.
Kim Crooks Korinek
Redatora Convidada