Muitas pessoas já fizeram essa pergunta. Talvez os psiquiatras digam que depende do funcionamento físico e condição do cérebro. Os psicólogos talvez respondam que os relacionamentos podem ser restaurados, mas somente se ambas as partes estiverem dispostas a mudar. Os médicos em geral talvez respondam a essa pergunta com base em estatísticas, experiências e prognósticos. Mas, como um Cientista Cristão responde a essa pergunta?
Cristo Jesus, cuja vida e ensinamentos estabeleceram o Cristianismo, respondeu a essa pergunta por meio de suas obras. As curas de cegos, doentes e pecadores mostram que a cura apenas por meios espirituais é possível. Somente uma vez ele precisou tratar espiritualmente o mesmo paciente duas vezes (ver Marcos 8:25), e existe apenas um lugar — Nazaré, a cidade de Jesus — no qual ele “…não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mateus 13:58). Este último relato mostra a importância de nosso pensamento para a cura.
Temos de pensar se estamos dispostos a ser curados. Antes de Jesus curar um homem junto ao tanque Betesda, fez-lhe uma pergunta importante: “…Queres ser curado?” (João 5:6). Nossa primeira resposta, ao buscar a cura, costuma ser: “Sim, quero ser curado! Quero me sentir bem! Quero ser ativo, ágil e saudável”. Contudo, também precisamos nos perguntar: “Estou disposto a melhorar minha maneira de pensar, meus anseios e minhas ações? Estou disposto a abandonar as crenças errôneas, mesmo que isso signifique mudar meu caráter?”
Mary Baker Eddy escreveu em seu livro-texto, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Pelo fim do século dezenove demonstrei as regras divinas da Ciência Cristã. Elas foram submetidas à mais ampla prova prática e, em toda parte, quando honestamente aplicada em circunstâncias em que a demonstração era humanamente possível, essa Ciência mostrou que a Verdade não perdera nada de sua eficácia divina e curativa, embora houvessem decorrido séculos desde que Jesus pusera em prática essas regras nas colinas da Judeia e nos vales da Galileia” (p. 147).
É necessário um coração sincero e aberto para colocarmos em prática as regras divinas de maneira honesta — um coração determinado a ser mais cristão no dia a dia, a pensar mais espiritualmente e a expressar as qualidades divinas, como amor à verdade, desprendimento do ego, mansidão, bondade, perdão, e assim por diante. Esse coração inclui a disposição de deixar padrões de pensamentos que nos impediriam de manifestar nossa verdadeira identidade como filhos de Deus. Um coração assim, esforçando-se para conhecer sua união com Deus, permite que o Cristo, a verdadeira ideia de Deus, revele o que precisa ser corrigido para que a cura ocorra. Embora seja necessário estudar o significado espiritual da Palavra inspirada da Bíblia, é a receptividade ao espírito do Cristo dentro de cada um de nós que torna a cura possível.
O coração sincero busca a realidade espiritual com determinação, humildade e dedicação. Encontramos grande conforto nesta afirmação do livro-texto da Ciência Cristã: “A devoção do pensamento a uma realização honesta torna possível essa realização. As exceções só confirmam essa regra, provando que o fracasso é ocasionado por uma fé demasiadamente fraca” (Ciência e Saúde, p. 199). Isso nos assegura que à medida que nos dedicarmos sinceramente a conhecer a Deus e encontrar a cura, teremos êxito em nossos esforços.
Os efeitos concretos da devoção do pensamento provam que a Ciência Cristã é prática e demonstrável. Podemos nos perguntar: “Será que me dediquei de todo o coração —em todos os meus pensamentos, minha vida e meu existir — a buscar uma compreensão melhor a respeito de Deus? Ou estou apenas justificando minhas ações, sem o desejo de mudar, e estou me apegando às evidências físicas à minha frente, pensando que seja possível tolerar um conceito errôneo?” Essas são perguntas honestas. E respostas honestas nos colocam no caminho da cura.
O que torna possível a cura pela oração? Pondo de lado todo planejamento próprio, ideias próprias, confiança no ego e vontade própria, o confiar unicamente em Deus para nos guiar em momentos turbulentos torna a cura possível. As circunstâncias difíceis não requerem que consultemos teorias materiais a respeito da cura. Isso porque a cura significa plena e inequivocamente ceder a Deus e ao Seu poder, e abandonar velhos hábitos de pensamento — vencer o medo, o ódio, o desejo de vingança, e coisas assim. Quando estamos abertos ao poder do Cristo, a Verdade, aceitamos prontamente as ideias divinas que levam à cura.
O pensamento espiritualizado não é teórico, mas sim realiza a demonstração prática das leis da Verdade divina, aqui e agora. Ao ver espiritualmente, percebemos o que verdadeiramente está ao nosso redor, mas que parece escondido aos sentidos físicos. Então aceitamos a formidável presença e o amor de Deus, mesmo em meio às tempestades mentais e físicas. E isso resulta em cura.
Certa vez uma amiga me telefonou, pedindo tratamento pela Ciência Cristã. Ela estava com muita dor no quadril e nas pernas, e não conseguia caminhar. Ao orarmos para reconhecer que Deus é a origem dos movimentos, não um corpo físico, ela se deparou com esta afirmação: “A Verdade é um alterante para o organismo inteiro, e tem o poder de torná-lo sadio em todos os aspectos” (Ciência e Saúde, p. 371). Ela continuou a orar, reconhecendo sua perfeição dada por Deus, por ser filha dEle, e logo não precisou mais usar a bengala que pegara emprestada. Em poucos dias, ela estava subindo e descendo as escadas livre e rapidamente, fazendo longas caminhadas e andando de bicicleta. Estava completamente curada.
A Verdade divina atua na consciência humana, destruindo de maneira natural tudo aquilo que é dessemelhante da Verdade. Essa ação mental ocorre assim que o espírito da Verdade é aceito. Isso é possível porque a Verdade naturalmente vence o erro. Essa é a atuação da Verdade.
Estar receptivo à Verdade significa que estamos propensos a aceitar as leis de Deus. Mas isso não se limita à aceitação; requer também disposição. Exige que renunciemos aos desejos pessoais e adotemos o único desejo de Deus: que O conheçamos e cumpramos a Sua boa vontade. Isso requer que estejamos receptivos à Verdade e que rejeitemos o medo, a raiva e o ódio. Requer que abandonemos teorias e crenças materiais e compreendamos a realidade sempre presente de Deus e do existir espiritual do homem — a verdade científica de que tudo o que realmente existe é Deus e Sua criação.
Não existe Deus e o homem e a doença, ou Deus e o homem e o pecado. Tudo o que existe é Deus e Sua criação; a Mente divina e sua ideia; a Verdade e sua expressão. Alcançar essa compreensão espiritual dissolve o pecado, a doença e a morte. A Sra. Eddy explica: “Toma consciência, por um só momento, de que a Vida e a inteligência são puramente espirituais — que não estão na matéria nem são constituídas de matéria — e o corpo já não se queixará de coisa alguma. Se estiveres sofrendo de uma crença na enfermidade, repentinamente constatarás que estás bem” (Ciência e Saúde, p. 14).
Como chegamos a esse “um só momento” em que reconhecemos que a Vida e a inteligência são puramente espirituais? Abrindo o pensamento para a plenitude de Deus e Sua perfeita criação, e a nada mais. É isso o que significa “tomar consciência” de que tudo o que existe é a Vida e a inteligência, as quais não estão na matéria nem dela se originam. Tudo é o Espírito, Deus e a expressão infinita do Espírito. Tudo é o Amor divino e a imagem do Amor. Tudo é a Vida e a manifestação da Vida. Essas verdades cientificamente cristãs que encontramos na Bíblia — fundamentadas nos ensinamentos de Cristo Jesus — revelam o que existe aqui e agora: a união e perfeição de Deus e homem.
Contudo, a resistência do pensamento material, a mente mortal, parece ocultar de nós a verdade que é espiritual e científica. Alega ter a capacidade de contrariar o Amor divino, Deus, e Sua expressão, que são onipresentes e abrangem tudo. Essa mentalidade da mente mortal, se não for destruída, pareceria ofuscar o poder absoluto de Deus. No entanto, a verdade é que esse pensamento não receptivo é dissolvido pela luz do Cristo, a Verdade. É eliminado pela onipresença da Verdade infinita.
Pode parecer que nós não conseguimos nos libertar e que a Verdade não consegue destruir esse “outro” estado de pensamento, essa falta de receptividade. Mas isso é uma mentira, a alegação de que exista um pecado imperdoável. A Sra. Eddy escreve: “O perdão por parte da misericórdia divina é a destruição do erro” (Ciência e Saúde, p. 329). Nenhuma crença errônea é imperdoável, impossível de ser revertida e destruída, porque toda crença errônea se dissolve, quando é desmascarada como proveniente de um senso errôneo a respeito de Deus e do homem.
No momento em que, em espírito de oração, nos convertemos de um senso de vida material pouco receptivo (que inclui medo, doença, ódio etc.) para a compreensão de que a Vida é espiritual (e inclui verdade, saúde, amor etc.) é o momento em que a cura ocorre. O que à primeira vista pode parecer humanamente impossível acaba se revelando possível, à medida que o pensamento chega ao fato científico de que não existe nenhum mal na criação de Deus.
Quando questionamos se a cura é possível, não estamos perguntando se os sentidos materiais concordam ou se os profissionais da área médica bem-intencionados estão de acordo. Em vez disso, estamos perguntando: “Estou pisando em terreno espiritual firme, em que não existe ‘o outro pensamento’, e aceitando que somente Deus e Sua criação é tudo?” Se assim for, é nesse momento que demonstramos que para Deus tudo é possível. Para a Verdade toda cura é possível.
