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Original para a Internet

Cansado de mentiras?

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 2 de julho de 2019


Atualmente, parece que há muitas mentiras circulando por toda parte, as chamadas “fake news”. São mentiras flagrantes, sim, mas são também fraudes sutis e declarações falsas. Essas falsidades vêm na forma de propagandas manipuladoras, ódios políticos, manchetes com notícias exageradas, postagens de mídia social com grande carga emocional e muito mais. Claro, há também muitas declarações sinceras e verdadeiras sendo feitas diariamente, mas, muitas vezes, não consigo deixar de ficar imaginando se algo que ouço ou leio é verdadeiro ou não. O pensamento que me vem à mente é: “Será que estou sendo manipulada?”

Devo confessar: Talvez eu seja um pouco viciada em notícias. Saber o que está acontecendo no governo, no meio ambiente, na educação, nos assuntos globais etc., é importante para mim. Não há nada de errado em estar bem informada. Mas sei que de nada adianta enredar-me no drama que muitas vezes vem com a desinformação. A preocupação com detalhes não ajuda em nada nem a ninguém.

Recentemente, enquanto eu refletia sobre esse dilema, e compreendendo que precisava curar tanto a minha preocupação com os acontecimentos atuais, que absorviam todo o meu tempo, como também a minha persistente ansiedade sobre as mentiras divulgadas pela mídia, ocorreu-me que o maior mentiroso e a maior mentira constituem aquilo que na Ciência Cristã se chama mente mortal. Esse termo é explicado no Glossário do livro-texto da Ciência Cristã, em parte, como: “o contrário do Espírito e, portanto, o contrário de Deus, do bem” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras,de Mary Baker Eddy, pp. 591–592). Essa é a grande mentira, a mentira original, que tem de ser reconhecida como tal, erradicada e destruída. Todas as outras mentiras são apenas variações da concepção equivocada de que exista mais de um Deus, de que exista um oposto à Mente divina, a qual é a fonte de todo o bem. Por extensão, a mente mortal afirma que o homem é mortal e, portanto, sujeito a pensar e a agir em todos os tipos de cenários negativos.

Pude compreender que a base de todas as inverdades, aliás, de todo sofrimento humano, é aquela mentira primordial que diz que há uma outra realidade além do Espírito, Deus, que há uma outra realidade além da criação do Espírito. A verdadeira criação é o homem espiritual, a identidade real de todos nós. Se, para começo de conversa, nos permitimos ser enganados e manipulados pela crença subjacente de que a existência seja material, já não faz tanta diferença o que chamamos de verdadeiro ou falso. 

O primeiro capítulo do Gênesis relata a verdade, identificando o homem como espiritual, criado à imagem e semelhança de seu Criador, o Espírito, ao passo que uma falsa hipótese sobre o homem como material e mutável aparece em um relato alegórico no segundo capítulo do Gênesis. Nesse relato, uma serpente ― palavra definida no Glossário de Ciência e Saúde, em parte, como uma “mentira" (p. 594) ― é retratada como insinuando que exista um poder diferente de Deus, e que a mortalidade seja um fato da vida. A serpente-mentira sugeriu a Eva que era correto, até mesmo vantajoso, desobedecer a Deus e procurar a felicidade em termos materiais. Eva não sabia que tinha de repelir e rejeitar essa afirmação descaradamente falsa. Adão também não sabia.

O Novo Testamento lança uma nova luz sobre esse assunto. Cristo Jesus sabia o que fazer quando confrontado com uma mentira que alegava desafiar a supremacia de Deus. Ele estava tão consciente de sua identidade como Filho de Deus e era tão completamente fiel a essa identidade, que estava sempre atento a falsas premissas, e as silenciava imediatamente. Quando, no início de seu ministério, o diabo ― também definido no Glossário de Ciência e Saúde, em parte, como uma “mentira” (p. 584) ― o tentou, fazendo-o crer que havia um sistema de apoio melhor do que Deus, Jesus foi rápido em refutar essa distorção com fortes passagens das Escrituras, tais como: “...Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” (Mateus 4:10). A compreensão que Jesus tinha da verdade, e sua lealdade ao único Deus, silenciaram a mentira ― e ela o deixou.

No entanto, depois disso, durante seu ministério, Jesus muitas vezes encontrou resistência a Deus, ou seja, à Verdade. Sua mensagem de que Deus era o único Pai, que o Filho de Deus, o Cristo, podia libertar o homem de qualquer doença ou desgraça humana, foi recebida com ódio e desprezo. Jesus enfrentou essa mentira, desafiando-a espiritualmente. Certa vez ele falou com autoridade, nestas palavras: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44). Jesus é o modelo que nos mostra a necessidade absoluta de denunciar e rejeitar imediatamente uma mentira, e nós podemos seguir seu exemplo.

Nossa defesa contra as mentiras e a dor que elas trazem começa com a afirmação do fato espiritual de que Deus, o bem, é Tudo-em-tudo. Levando-se em conta que Deus é a Verdade, as mentiras não têm origem, não têm poder, não têm presença, e não têm futuro. Podemos ter certeza de que “A Verdade não cria nem a mentira, nem a capacidade de mentir, nem o mentiroso” (Ciência e Saúde, p. 357). A verdade, preenchendo todo o espaço, está sempre presente e tem todo o poder de que se necessita para detectar e refutar mentiras de qualquer espécie. Quando é necessária uma investigação sobre as mentiras, podemos fazer uma investigação espiritual.

Pude compreender que a base de todas as inverdades, aliás, de todo sofrimento humano, é aquela mentira primordial que diz que há uma outra realidade além do Espírito, Deus, que há uma outra realidade além da criação do Espírito. 

À medida que eu orava com essas ideias, eu me fortalecia em minha determinação de me defender do fato de as notícias sobre os acontecimentos atuais nos distraírem a atenção, ao propor que o homem de Deus (todo homem, mulher e criança) possa ser desonesto, desprezado ou intimidado. Eu também fiquei alerta para a mentira mais ampla, de que a realidade tenha base na matéria, e de que o homem seja suscetível aos mal-estares de todo tipo: físicos, emocionais, financeiros, sociais, políticos etc. Destruir as mentiras da mente mortal sobre Deus e o homem, aplicando a verdade da Ciência divina, era o que realmente importava. Compreendi que eu tenho a capacidade de detectar as invenções da mente mortal e de me recusar a acreditar nelas ou ser enganada por suas inexatidões. A Verdade divina está sempre presente na consciência, revelando “Emanuel, ‘Deus conosco’ ― a constante presença soberana que livra os filhos dos homens de todos os males ‘de que a carne é herdeira’ ” (Ciência e Saúde, p. 107).

Podemos ajudar a trazer paz e cura para o mundo, reconhecendo que ninguém está sujeito às ordens da mente mortal, a grande mentirosa. Em vez disso, podemos afirmar que o homem reflete o Espírito, a Verdade divina e, portanto, sua verdadeira natureza é composta apenas de qualidades espirituais; ele é a mais elevada ideia da Mente divina, criada, mantida e amada por Deus.

Há alguns meses, um amigo me ligou, angustiado devido ao que ele estava reconhecendo como mentiras e fraudes no governo. “O que é que se pode fazer?”, perguntou ele.

Juntos, nós começamos a orar. Afirmamos que Deus, a Verdade, é Tudo, a única realidade, a causa única e único efeito, a única origem e resultado, o único fato da existência. Rejeitamos a mentira original de que o homem seja material, suscetível a comunicar inverdades, acreditar nelas ou delas ser vítima. Afirmamos que a verdade sobre Deus e o homem não pode ser marginalizada, manipulada, ocultada nem invalidada. Demos graças a Deus pelo fato de que, como filhos de Deus, podíamos reconhecer em nós mesmos e nos outros as qualidades espirituais inerentes ao caráter dos filhos e das filhas de Deus.

Depois que desligamos o telefone, nós dois nos mantivemos firmes em dar-nos conta desses fatos espirituais e nos recusamos a ser levados à dúvida ou ao desespero. Essa oração continuou até que, gradualmente, meu amigo se sentiu elevado acima da escuridão em que havia estado e relatou que ele havia alcançado uma perspectiva mais espiritual e sanadora, e que fora curado da angústia a respeito do que aparecia nos noticiários. Ficou assim comprovado que a Verdade triunfa e que as mentiras do erro têm de render-se às verdades espirituais específicas.

Eu ainda tenho muito interesse nos noticiários, mas agora, quando me vejo tentada a ficar ansiosa e aborrecida com o que percebo que possam ser inverdades, estou mais alerta para refutar a mentira que está subjacente a essas inverdades de que a criação seja material e o homem seja mortal. Em vez disso, lembro a mim mesma que só Deus, a Verdade, é real, e Deus está ativo na consciência humana. O Espírito é a única força em ação, agora e sempre, para revelar o poder de Deus, que traz cura e salvação.

Se você também está cansado de mentiras, você tem a oportunidade e o poder para reconhecer e inverter as mentiras da crença mortal, sabendo a verdade soberana de que só existe uma causa real, que é Deus, o Espírito. Deus é supremo e o homem, o efeito de Deus, está sujeito somente à Verdade divina. “Esta época parece estar preparada para abordar esse assunto, para ponderar em certo grau a supremacia do Espírito e ao menos tocar a orla da veste da Verdade” (Ciência e Saúde,p. 170).

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Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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