Skip to main content
Original para a Internet

O melhor presente: viver sem idade

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 12 de julho de 2019


Durante minha infância, minha mãe planejava para mim, com muito amor, festas de aniversário divertidas, que incluíam jogos, chapeuzinhos de festa, bolo e sorvete, tudo compartilhado com meus amigos. Embora eu tenha boas lembranças dessas festas, na vida adulta compreendi que comemorar os anos que passam não me ajuda a aprender mais sobre minha vida real e imortal, como filha de Deus. O que me inspira é o conselho que Mary Baker Eddy nos dá em seu livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Nunca leves em consideração a idade. As datas cronológicas não fazem parte da vasta eternidade. Os registros de nascimento e de óbito são todos conspirações contra a plenitude do homem e da mulher. Se não fosse o erro de medir e limitar tudo o que é bom e belo, o homem desfrutaria mais de setenta anos de vida e conservaria ainda o vigor, o frescor e o potencial” (p. 246).

Em um aniversário recente, pareceu-me mais importante do que nunca reivindicar minha isenção das limitações que o senso mortal de vida impõe ao homem. Eu estava lutando com vários desafios e, embora não desejasse nenhum presente material, sentia muita vontade de ganhar um presente espiritual. Perguntei-me: por que não aceitar o presente da compreensão espiritual e da cura? Decidi passar o dia mentalmente sentada aos pés do Cristo, ouvindo a inspiração divina.

Uma das primeiras ideias que me veio à mente foi: que alívio é saber que a Vida ― um sinônimo de Deus ― não está circunscrita a um calendário mortal! Em vez de pensar em nós mesmos como se estivéssemos assinalando a passagem dos anos, dentro de uma cota limitada, podemos abrir mão do senso de pessoalidade finita e alcançar a compreensão mais elevada do homem como expressão eterna de Deus.

À medida que nos empenhamos diariamente para aprender sobre a realidade espiritual, estudando e praticando a Ciência Cristã, essa compreensão desabrocha em uma visão mais ampla da nossa coexistência com a Vida eterna. Ciência e Saúde diz: “Homens e mulheres de idade mais madura e de maior experiência devem, pelo amadurecimento, adquirir saúde e imortalidade, em vez de resvalar para as trevas ou para a tristeza” (p. 248).

Como a amada expressão espiritual de Deus, o homem, criado à Sua imagem e semelhança, nunca pode ser reduzido a um organismo físico que entra em um período de funcionalidade decrescente e recursos limitados. Ao contrário desse falso conceito mortal de existência, o existir real do homem está incluído na abundância inesgotável do bem que vem de Deus, o Amor divino. Esse bem, que a mente humana compreende como alimento e outras necessidades, é na verdade de natureza espiritual e não tem limites; é o desdobramento eterno do homem como a mais elevada ideia da criação. Assim, o destino mais elevado do homem nunca pode entrar em declínio mas, ao contrário, inclui uma compreensão e demonstração mais plena de sua completude como imagem e semelhança de Deus.

“Deus expressa no homem a ideia infinita que perpetuamente se revela, se expande e se eleva cada vez mais, procedendo de uma base sem limites”, diz-nos Ciência e Saúde (p. 258). Portanto, contrariamente ao conceito predominante sobre a idade avançada, podemos ter a expectativa de nos tornar mais, e não menos, produtivos a cada dia. Ao invés de ser medida pelo número de tarefas executadas, a verdadeira produtividade está em tirar o máximo proveito de cada momento, ou seja, manter pensamentos úteis e espiritualmente corretos, ao longo do dia. Essa consciência espiritualizada floresce naturalmente em uma expressão mais completa dos atributos divinos, glorificando a Deus e abençoando os outros.

Investir mais tempo no estudo espiritual e na oração ajuda-me a ser mais disciplinada espiritualmente e a vigiar o pensamento a cada momento. Como resultado, consigo expressar qualidades espirituais com mais profundidade do que eu imaginava possível ― qualidades como criatividade, talento artístico, equilíbrio, confiança e amor. Além disso, também tenho mais curas. Ainda tenho uma longa lista de tarefas, mas está claro que algumas delas não são tão essenciais quanto eu costumava pensar, e podem esperar.

Uma declaração sobre produtividade, em Ciência e Saúde, destaca o que somos capazes de fazer: “... homens de negócios e homens de grande cultura constatam que a Ciência Cristã lhes aumenta a resistência e os poderes mentais, lhes amplia a percepção do caráter, lhes dá argúcia e compreensão mais abrangente e a habilidade de exceder suas capacidades normais. A mente humana, imbuída dessa compreensão espiritual, torna-se mais elástica, é capaz de maior resistência, desprende-se um tanto de si mesma e requer menos repouso. Um conhecimento da Ciência do existir desenvolve as faculdades e possibilidades latentes do homem. Estende a atmosfera do pensamento, dando aos mortais acesso a níveis mais amplos e mais elevados. Esse conhecimento eleva o pensador a seu ambiente natural de discernimento e perspicácia” (p. 128).

Que alívio é saber que a Vida — um sinônimo de Deus — não está circunscrita a um calendário mortal.

Entretanto, a crença comum em tipos de personalidades tende a bloquear a concretização dessa liberdade prometida. Essa crença argumenta que, levando-se em conta que temos certos traços de caráter já há vários anos, nós sempre seremos assim. Mas a disposição humilde de abrir mão da crença em um ego pessoal separado de Deus pode superar essa aparente oposição. Quando oro para compreender que a individualidade espiritual dada por Deus, não a personalidade humana, é o que me define, consigo superar em certa medida as limitações associadas ao tipo de personalidade, inclusive aquelas que são consideradas tendências hereditárias ― e esse é um projeto no qual continuo a me empenhar!

Rejeitar um senso limitado de pessoalidade separada de Deus nos ajuda a reconhecer nosso valor inato, que não diminui com os anos que passam, ​​nem com as mudanças nos papéis que desempenhamos na vida. Lembrando que Deus não nos vê como mortais inseridos em ocupações humanas, nós temos para Ele o mesmo valor seja como desempregados ou aposentados, seja no auge de nossa carreira ou na idade de ter filhos. Toda atividade boa e útil é a expressão de qualidades espirituais imortais vindas de uma única fonte, Deus, independentemente de quem as está expressando, seja qual for o contexto. Trocar os pontos de vista populares quanto às realizações humanas, em favor dessa perspectiva espiritual, torna nosso imutável valor mais tangível para nós. Também encontramos uma alegria tranquila, borbulhando dentro de nós, validando essa compreensão.

A expectativa do bem contínuo, que a Ciência Cristã traz à nossa percepção, a respeito das nossas capacidades e do nosso valor, também engloba nosso bem-estar físico. Como garante Ciência e Saúde: “O Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana” (p. 494). Podemos confiar em que Deus nos guia sempre no caminho certo para cuidarmos de nós mesmos. 

À medida que eu examinava mais nitidamente essas ideias, naquele dia em que decidira me sentar silenciosamente aos pés do Cristo, encontrei uma inspiração adicional na Lição Bíblica daquela semana, no Livrete Trimestral da Ciência Cristã. Um versículo em 1 João me pareceu especialmente relevante para o conceito de dom espiritual: “...sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo” (5:20).

Como é maravilhoso compreender que, quando nos sentamos simbolicamente aos pés do Cristo, desejando sinceramente deixar que a Palavra de Deus permeie nossa consciência, podemos permanecer confiantes em que o Cristo está nos transmitindo não apenas a Palavra em si, mas também a plena compreensão. Todos os dias podemos aceitar o dom de viver na consciência da Verdade que abrange tudo e que exclui tudo o que for dessemelhante dela. Portanto, qualquer que seja a forma de mal que alegue fazer parte da nossa experiência, esse suposto mal não é algo que nós mesmos tenhamos a incumbência de remover da nossa experiência com nosso esforço mental; ele é varrido pela própria Verdade.

Ao ponderar com gratidão essas ideias, vi mais claramente que a Verdade universal não age aleatoriamente, ajudando alguns mas ignorando a mim, ou permitindo que o mal prejudique minha saúde ou felicidade. A sensação de estar sobrecarregada de problemas se dissolveu e eu senti um alívio físico e mental. Desde aquele dia, tenho me esforçado para manter essa atitude espiritualmente receptiva, lembrando muitas vezes estas palavras do poema de Mary Baker Eddy, “Apascenta as Minhas Ovelhas”: “Tua voz escutarei / Para não errar” (Hinário da Ciência Cristã, 304, trad. © CSBD).

Em vez de aceitar passivamente pensamentos desarmoniosos e limitadores sobre nós mesmos, podemos rejeitar com firmeza e persistência esses intrusos mentais e ouvir atentamente as mensagens do Cristo, que sempre fluem de Deus. Essa atividade espiritual é mais fácil em certos dias do que em outros, mas todo esforço fortalece nossa capacidade de demonstrar produtividade, liberdade, realização e consciência do próprio valor. Compreendemos mais claramente que não somos pessoalidades humanas finitas que habitam corpos materiais por um determinado número de anos, mas sim que nosso existir é espiritual, com uma individualidade que reflete para sempre a plenitude do nosso Criador. Essa compreensão é um dom que cada um de nós pode aceitar, todos os dias.

More web articles

A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
Conheça melhor O Arauto e sua missão.