Sentei-me em um banco ao ar livre, totalmente arrasada pelo que acabara de ouvir.
Um jovem, que fiquei conhecendo inesperadamente, acabava de me informar que seus avós haviam participado das forças rebeldes que, havia mais de cinquenta anos, durante minha infância, tinham matado meu irmão mais novo, destruído meu lar e devastado a vida de nossa família. Todas as lembranças terríveis voltaram à tona: eu vi a criança pequena que eu havia sido, a violência que aquela criança havia testemunhado, e fiquei dominada pela dor, pela raiva e por um ódio que eu não sabia que ainda estava tão vivo dentro de mim. A história humana que eu tentara suprimir durante tantos anos veio à tona ― e agora estava diante de mim, me encarando.
Naquele dia, enquanto conversávamos, o jovem havia apresentado uma expressão de perplexidade e ficou desconcertado quando, de repente, ele começou a dar-se conta de quem eu era. Eu nasci em uma parte da África que havia sido colonizada por europeus. Meu pai, um engenheiro de cor branca, havia sido designado para trabalhar para uma empresa naquela região, em um momento em que as forças rebeldes locais estavam causando agitações, lutando para o país ficar independente do domínio colonial. Fomos pegos bem no meio daquela luta. Quando a agitação pela busca da independência começou, as forças rebeldes invadiram e vandalizaram nossa pequena cidade, estuprando ou massacrando quase todos os que estavam em seu caminho e forçando os moradores brancos restantes, incluindo minha família, a fugir às pressas apenas com a roupa do corpo.
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