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Original para a Internet

Pode nossa oração reduzir a tensão racial?

Da edição de novembro de 2020 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 9 de junho de 2020.


Aqui na África do Sul, assim como em muitos outros países, as pessoas ainda vivenciam o ódio e a segregação que se origina do horrível espectro do racismo e da tensão racial. Minha oração pela cura desse mal é diária. Mesmo assim, já me perguntei: “Como a oração — a minha oração — pode contribuir para a cura desse mal aparentemente intratável, que continua a atormentar a sociedade?”

Ao refletir sobre isso, ocorreu-me que, começar por nós mesmos, curando nossos próprios conceitos errôneos, preconceitos e temores, pode ter efeito sanador na atmosfera do pensamento mundial, à medida que elevamos nosso próprio pensamento. Com o estudo da Ciência Cristã, aprendi que isso significa perguntar a mim mesma se estou verdadeiramente disposta a amar o próximo como Deus ama. Em outras palavras, indagar se estou disposta a renunciar a todo senso pessoal limitado sobre meu próximo, vendo-o como filho ou filha de Deus, digno de ser amado, e sem pecado. Essa visão espiritual de todos nós como filhos de Deus tem sua raiz no primeiro relato da criação, na Bíblia: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom…” (Gênesis 1:31). Sim, somos feitos à semelhança espiritual de Deus, uma semelhança incapaz de adoecer ou pecar, ou de possuir qualquer identidade dessemelhante de Deus, o bem. A consciência que Cristo Jesus tinha dessa individualidade espiritual eliminou, em outras pessoas, os rótulos e as limitações dos sentidos físicos e restaurou-lhes a saúde e a paz.

Quando vejo conflitos surgirem, durante as interações pessoais do dia-a-dia, como me acontece ocasionalmente, reforço as minhas orações para me ater mais resolutamente à verdade do nosso existir espiritual. Reconheço que há um Deus único, que é a Mente — a única verdadeira Mente de todos nós — e que nós refletimos essa Mente. Era essa a Mente que Cristo Jesus expressava, na qual não há preconceito, ódio, ignorância, desunião nem medo — há somente amor. Embora as circunstâncias humanas talvez pintem um quadro diferente, constatei que, quando persisto em amar e conservar na consciência aquilo que é espiritualmente verdadeiro, ocorrem com frequência ajustes e harmonização no cenário humano.

Lembro-me de um incidente, ocorrido há alguns anos, e que considero um forte exemplo de como a oração que parte dessa base espiritual contribui para uma atmosfera mais pacífica. Meu marido e eu havíamos ido à delegacia de polícia, em um domingo após o culto, para denunciar um furto em nossa comunidade. Enquanto esperávamos para sermos atendidos, vários trabalhadores negros entraram, vociferando sobre um jovem branco que os havia prejudicado de alguma maneira. O jovem branco, então, também entrou na delegacia e a discussão ficou ainda mais inflamada. Todos falavam ao mesmo tempo e exigiam atenção, reparação e justiça. Quanto mais um dos lados gritava, mais o outro reagia no mesmo tom, e parecia que os policiais de plantão não conseguiam acabar com aquela briga, que estava se transformando em um completo confronto racial.

Meu instinto imediato foi o de orar silenciosamente e sei que meu marido também estava orando. Distanciei-me mentalmente do que eu estava vendo e esforcei-me para reconhecer que apenas a imagem de Deus — honesta, reta e isenta de ódio, preconceito ou medo — estava representada naquela sala. Naqueles momentos de comunhão silenciosa, foi só isso o que vi. Senti apenas a presença do Cristo, a Verdade — a mensagem divina para todos — restaurando a harmonia, e afirmei que cada um de nós, naquela delegacia, também sentia o mesmo. Eu tinha a certeza de que essa mensagem de cura seria ouvida acima de todo o barulho. O clamor dos pensamentos e opiniões humanas não pode abafar o cicio tranquilo e suave de Deus, a Verdade e o Amor divinos.

Em pouco tempo, o barulho cessou. Todos ficaram quietos. Houve sorrisos e apertos de mão entre aqueles homens que, minutos antes, estavam prestes a se agredir. Um deles virou-se para mim, sorriu, acenou em despedida e foi embora.

O policial encarregado ficou claramente impressionado com o que acontecera. Ele se virou para nós dois e nos pediu qualquer literatura cristã que tivéssemos para dar. Ele deve ter notado os dois livros que tínhamos conosco: a Bíblia e o livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy. Embora não tivéssemos nenhuma literatura conosco para lhe dar, voltamos no dia seguinte com um exemplar de cada livro e os deixamos para ele na recepção.

Que feliz surpresa foi vê-lo na Sala de Leitura da Ciência Cristã, na semana seguinte! Ele se ofereceu para devolver os livros, quando terminasse de lê-los, mas eu disse que podia ficar com eles. Pareceu aliviado — suas filhas haviam pegado o livro Ciência e Saúde e estavam lendo. Dei-lhe mais dois exemplares.

Sempre que acho que não há muito com o que eu possa contribuir, para fazer a diferença no mundo, essa experiência é um poderoso lembrete de que toda oração tem efeito de cura. Ver o universo e tudo nele através das lentes da onipresença e da onipotência de Deus, o Espírito divino, dissolve o calor do ódio e da discórdia, e abençoa toda a humanidade de maneiras que não imaginamos.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
Conheça melhor O Arauto e sua missão.