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Original para a Internet

A gratidão é uma amiga fiel

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 25 de novembro de 2021


 O outono, no hemisfério norte, quando se dá a colheita das safras, é tradicionalmente uma época de ação de graças em muitas culturas. Por exemplo, a festa do Sucot, também conhecida como a Festa dos Tabernáculos, que comemora os anos em que os hebreus passaram no deserto, a caminho da Terra Prometida, celebra a maneira como Deus os protegeu durante as situações difíceis pelas quais passaram. Pessoas religiosas ou não, tanto no Canadá como nos Estados Unidos, também celebram o Dia de Ação de Graças, anualmente. A gratidão é sempre uma qualidade valiosa, e as expressões diárias de agradecimento propiciam um senso da graça do Espírito, Deus, senso esse que acalma e fortalece.

Este ano, seria compreensível se muitos de nós, em todo o mundo, fizéssemos algumas perguntas difíceis. Seria mesmo possível sermos gratos, depois das dificuldades que temos enfrentado, mundialmente? E se o medo e as incertezas, ou até mesmo a apatia, nos convencerem de que não temos muitos motivos para sentirmos gratidão?

Como estudante da Ciência Cristã, constatei que sempre que recorro à Bíblia recebo infalivelmente respostas aos meus pedidos de conforto. O livro de Isaías nos tranquiliza assim: “Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (43:2). Essa promessa de livramento por parte de Deus abre o nosso pensamento à possibilidade, e à presença, de um grande bem. Fomenta nossa gratidão pela capacidade salvadora e sanadora do Amor divino, sendo que a esperança acompanha esse agradecimento.

Cristo Jesus compreendia profundamente o cuidado que seu Pai-Mãe Deus tinha por todos, e isso lhe permitiu mais de uma vez expressar gratidão antes que os resultados completos da sua oração se tornassem evidentes. Tomemos como exemplo a multiplicação dos pães e peixes e a ressurreição de Lázaro (ver Mateus 14:13–21 e João 11:1–46).

Em busca de gratidão, nós podemos aprender uma lição do Mestre cristão. Não nos limitamos a ser gratos apenas por coisas, pessoas ou acontecimentos em nossa vida (embora isso seja um bom começo); devemos ir mais fundo. Sentir gratidão pelo fato de Deus ser Tudo, ser o bem imutável e estar promovendo o bem em nossa vida, isso, por si só, já ajuda na cura. É o reconhecimento, embora ainda com pequenos vislumbres, do poder contínuo de Deus, presente exatamente aqui neste momento, e da consequente impotência e natureza ilusória do mal. Transparece, então, nossa verdadeira identidade espiritual como a reflexão, o reflexo ou imagem de Deus, como a Bíblia diz a nosso respeito.

Há alguns anos, quando enfrentei desafios tanto de trabalho como físicos, inclusive momentos de pânico extremo, eu não estava nem um pouco grata! Sentia-me cada vez mais desesperada e separada de Deus.

Durante alguns meses, eu estivera orando com a ajuda de um praticista da Ciência Cristã. Em certos momentos, quando me sentia particularmente sobrecarregada, parecia que a vida nunca mais voltaria a ser “normal” para mim. No entanto, as orações profundas daquele querido praticista e o fato de que eu recorria constantemente a Deus, levaram-me gradualmente a uma postura de sincera gratidão pelo amor inabalável de Deus por mim.

Mesmo nos piores momentos, pude sentir uma profunda gratidão pelo fato de Deus, a Verdade, estar bem junto a mim e me amar. Frequentemente, recusei-me a ruminar ou analisar o problema, afirmando: “Meu pensamento já está repleto daquilo que a Verdade está me dizendo”.

Cada vez mais eu pude sentir que, em todos os momentos, Deus já estava comigo e que eu já era uma com Ele. Em cada momento, Deus estava suprindo exatamente aquilo que eu precisava saber; eu estava em segurança.

Além disso, poder dar graças a Deus só por Ele ser Deus foi muito libertador. Eu não precisava “segurar” a Deus no meu pensamento — muito pelo contrário! Dar graças antecipadas pela inevitável demonstração de cura iluminava minha perspectiva.

Munida com essa compreensão espiritual, consegui ver além do que parecia ser um ciclo contínuo de medo e de sintomas físicos. E assim pude dizer, como o Apóstolo Paulo: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:57).

A certa altura, senti que seria correto prosseguir rumo a novas possibilidades, em termos de carreira, e consegui preparar meus colegas para que assumissem meu trabalho, antes que eu, de maneira amigável, pedisse demissão da empresa. Foi-se dando a cura completa de cada desafio e voltei a sentir plena tranquilidade e paz, que permanecem comigo.

Percebi que, quando decidimos procurar ativamente exemplos de graça e de bondade, no decorrer do nosso dia, não podemos deixar de sentir uma apreciação e um amor cada vez mais profundos pelos ternos cuidados de nosso Pai-Mãe. À medida que reconhecemos até as menores provas do cuidado de Deus ao nosso redor, compreendemos melhor o que Mary Baker Eddy revela a respeito do Amor divino. Em sua obra principal, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, ela diz: “A profundidade, a largura, a altura, a força, a majestade e a glória do Amor infinito enchem todo o espaço. Isso é suficiente!” (p. 520). Essa expansiva percepção do poderoso cuidado do Amor nos eleva naturalmente a uma profunda gratidão.

A gratidão não é um sentimento passivo e nebuloso. A fim de conhecer a paz e a alegria que acompanham a graça da gratidão, precisamos expressá-la ativamente. O Antigo Testamento cita o requisito de expressar alegria na celebração dos cuidados de Deus, na Festa dos Tabernáculos (ver Deuteronômio 16:13–15), e o autor de 1 Crônicas registra os deveres dos sacerdotes, no ministério do templo: “Deviam estar presentes todas as manhãs para renderem graças ao Senhor e o louvarem; e da mesma sorte, à tarde” (23:30). Para mim, esse é um lembrete importante: agradecer a Deus em oração, de modo ativo e regularmente, ou seja, todos os dias, ou mesmo de hora em hora!

Uma definição da palavra gratidão inclui “prontidão para mostrar apreço e para retribuir a bondade” (Oxford Languages no Google), e a Sra. Eddy diz assim em seus escritos: “Para amar e ser amado, é preciso fazer o bem aos outros. A condição inevitável para serdes abençoados, é abençoar os outros; para isso, é preciso, sob a direção de Deus, conhecer-vos a vós mesmos de tal maneira, que fareis a vontade dEle, mesmo que vossas pérolas sejam pisoteadas” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 127). Por isso, não devemos expressar gratidão unicamente em momentos de oração silenciosa, mas precisamos evidenciá-la na vida diária — por meio de atos, em vez de ficar simplesmente nas palavras de agradecimento.

Nós todos encontraremos diferentes formas de mostrar nossa gratidão, seja através do trabalho na igreja, com trabalho voluntário em alguma instituição de caridade, cuidando dos animais de estimação de um amigo, ou orando por alguém que precisa. Nossa gratidão é recompensada com a paz e a alegria dadas por Deus.

E se não sentirmos essa gratidão? Não seria apenas medo ou alguma crença ignorante, argumentando que Deus é incapaz de satisfazer nossas necessidades? Expressar gratidão a Deus mesmo diante de tais sugestões, em realidade nos ajuda a sair do desespero. Quando encontramos ingratidão por parte da família, dos amigos ou de colegas, podemos considerar a gratidão como uma qualidade espiritual que está disponível a todos, liberal e imediatamente. A gratidão é uma capacidade espiritual, uma habilidade dada por Deus, sempre presente em nossa consciência, porque reflete o apreço amoroso que Deus tem por Seus filhos.

Gosto de lembrar que a palavra grega charis, muitas vezes traduzida como graça, utilizada no Novo Testamento, está intimamente associada à palavra eucharistos, eucaristia, significando ação de graças. Paulo estava profundamente consciente dessa graça da gratidão. Suas epístolas reconhecem o dom da graça de Deus como suficiente para satisfazer todas as necessidades, enriquecendo-nos para que nada nos falte. Ele escreve isto para os colossenses, com relação ao Cristo: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (2:6, 7).

Ser grato, então, não é uma questão de escolha! É nossa resposta natural à bondade infalível de Deus. É o reflexo do apreço e profunda alegria que Deus tem por todos e cada um de nós. Essa gratidão aumenta em nós e restaura a inspiração e a esperança, nos momentos em que mais necessitamos. Ela encoraja a expectativa do bem e reconhece o cumprimento das promessas de Deus. A gratidão é, portanto, uma amiga fiel.

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“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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