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Original para a Internet

Ação de Graças — não apenas um feriado

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 22 de novembro de 2021


 No ano passado, quando meu filho, já adulto, estava pondo a mesa para uma refeição com menos convidados do que o habitual no dia de Ação de Graças, ele viu a escultura em madeira, colocada em um lugar de destaque no centro da mesa, mostrando alguns peregrinos* sentados. Essa escultura havia pertencido à minha mãe, e tem sempre feito parte da nossa mesa na comemoração desse feriado. Referindo-se à escultura dos peregrinos, meu filho fez algumas perguntas para o resto da família, sobre a verdadeira história do Dia de Ação de Graças. A tradição nos Estados Unidos celebra uma feliz refeição entre os índios americanos e os peregrinos, que comeram juntos o alimento que haviam armazenado desde a primeira colheita, uma reunião entre bons vizinhos, para dar graças.

Como frequentemente acontece quando nossos filhos nos visitam nesse dia, que é feriado nacional nos Estados Unidos, segue-se um intenso debate, às vezes acalorado, sobre o que é verdadeiro e o que significa a liberdade, quando se fala nessa etapa da história dos Estados Unidos. Mas isso me fez pensar na origem da expressão Ação de Graças, e também no fato de que sempre houve, ao longo de todas as épocas, povos de todas as nações que fazem reuniões para dar graças.

A análise das origens das celebrações de Ação de Graças nos leva de volta a várias centenas de anos, até mesmo antes do período de Cristo Jesus na terra. Naturalmente essas celebrações nada têm a ver com os peregrinos nos Estados Unidos, mas eram tradições narradas em muitos textos da antiguidade  especialmente na Bíblia — dando graças ao Deus Todo-Poderoso, o Pai-Mãe divino que é o Criador e o sustentador da vida.

Na Bíblia lemos sobre agricultores, assim como moradores de cidades, louvando e agradecendo a Deus por colheitas abundantes, por proteção, clima favorável, saúde e prosperidade, o que está correlacionado com a inspiração da tradição nos Estados Unidos. Mas na narrativa bíblica o rei Davi ensinou uma abordagem diferente sobre dar graças, que vai além de simplesmente dar “graças” a Deus por ter nos “dado” aquilo de que necessitamos. Como Salmista, ele repetidamente nos convida a dar graças por tudo o que Deus é e faz por nós a cada dia; graças pelo amor incondicional de Deus e por Suas boas obras em prol da humanidade.

Não precisamos esperar que as bênçãos ou a cura aconteçam para então darmos graças, mas podemos expressar gratidão por meio da confiança e da esperança de que Deus sempre será Deus, o Criador todo-amoroso, que satisfaz a todas as necessidades humanas. No livro de Salmos lemos: “Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre. Digam-no os remidos do Senhor, … Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!” (107:1, 2, 8).

Esse é um reconhecimento de que Deus, que é o bem universal, cuida de todas as nossas necessidades, mesmo antes de pedirmos a Ele ou de sabermos quais são essas necessidades; podemos, com convicção, agradecer a Deus pelas bênçãos que inevitavelmente receberemos como Seus filhos queridos.

Fazendo eco ao senso espiritual de Ação de Graças da Bíblia, Mary Baker Eddy escreveu em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras sobre a importância de se reconhecer vigorosamente a bondade de Deus: “Somos realmente gratos pelo bem já recebido? Então faremos uso das bênçãos que temos e assim estaremos preparados para receber mais. A gratidão é muito mais do que a expressão verbal de agradecimento. Os atos expressam mais gratidão do que as palavras” (p. 3).

Na Bíblia, com o passar das gerações, a compreensão que temos de Deus torna-se cada vez mais clara, até que os ensinamentos e as obras de Cristo Jesus conduzem ao reconhecimento de que Deus é o próprio Amor (ver 1 João 4:8) sempre cuidando de Seus filhos, como um pastor cuida fielmente de seu rebanho. Jesus ensinou aos discípulos a importância de reconhecer continuamente o terno cuidado de Deus, mesmo antes de receber o que pedimos em oração. Diante do túmulo de Lázaro, por exemplo, onde muitos estavam reunidos em lamentações, Jesus ofereceu louvor a Deus, antes de Lázaro ser ressuscitado, junto com esta explicação aos que estavam presentes: “Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste” (João 11:41, 42).

Há anos, no Dia de Ação de Graças, a querida cadela da nossa família, da raça Labrador Retriever, se perdeu, depois de perseguir um veado no bosque que ficava próximo da casa de minha avó. Algumas horas haviam se passado e ela ainda estava desaparecida, apesar de termos envolvido os vizinhos e a polícia local para ajudar na busca. Meus filhos estavam muito temerosos. Nesse dia estava nevando muito, as temperaturas estavam abaixo de zero, e nossa cadela não conhecia bem aquela área.

Sentei-me com meus filhos, e conversamos sobre o fato de que mesmo sem pedirmos ou orarmos, Deus estava sempre cuidando de cada uma das maravilhosas criaturas que Ele criou, incluindo o nosso animal de estimação. Falei sobre uma das parábolas de Cristo Jesus, que exemplifica a profundidade do amor de Deus por toda a Sua criação. Jesus disse aos seus seguidores: “Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” (Lucas 15:4–6). Eu disse também que estava grata por Deus já ter a nossa cadela sob Seus cuidados e que Ele já a estava guiando e levando-a para casa, naquele momento.

Depois disso, entrei rapidamente no carro para dar mais uma volta no quarteirão, à procura da nossa cadela. Dentro de minutos, eu a vi descendo a rua em direção à casa de minha avó. Nesse dia, nós todos expressamos um pouco mais de gratidão quando estávamos à mesa durante a refeição de Ação de Graças, gratos pelo cuidado de Deus para com cada um de nós. Louvar a Deus é certamente algo que fazemos, quando vivenciamos Sua bondade, ou uma cura, mas é também o que podemos fazer sempre, simplesmente porque Deus é Deus, o bem. Deus é o perfeito Amor, o Espírito sempre presente, portanto está sempre presente para ajudar a todos nós. A compreensão de um significado mais amplo e atemporal da expressão Ação de Graças nos ajuda a compreender que estamos continuando uma tradição que foi estabelecida há milênios e que é praticada todos os dias por pessoas em toda parte, as quais se regozijam com a beleza, a generosidade, as bênçãos e os magníficos dons diários que Deus concede a todos nós.

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“...anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos], p. 353

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