Skip to main content Skip to search Skip to header Skip to footer
Original para a Internet

A compreensão espiritual que nos mantém a salvo

Da edição de janeiro de 2021 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 5 de outubro de 2020.


As páginas iniciais da Bíblia, ou seja, os 31 versículos do primeiro capítulo do Gênesis, são consideradas especiais por inúmeras pessoas no mundo todo. Mas, embora muitos as vejam como o registro de uma criação que ocorreu no passado, a Ciência Cristã revela que essas páginas são uma descrição atemporal da criação como ela verdadeiramente é, sempre espiritual e perfeita. 

Por essa razão, penso que nessas páginas está a resposta para todas as fases imagináveis do sofrimento e da desventura humana — está a criação espiritual de Deus, na qual todas as necessidades do homem já estão satisfeitas; na qual saúde, harmonia, suprimento infinito, segurança, ordem e união são fatos estabelecidos; na qual nada está sujeito ao acaso ou a mudanças, nada ficou por fazer e nada precisa ser aprimorado. 

Esse registro da criação revela que o universo espiritual de Deus, que inclui os filhos de Deus feitos à Sua imagem e semelhança, está para sempre completo. Um versículo no final do capítulo capta brilhantemente o cenário: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom…” (Gênesis 1:31).

Ainda assim, é natural fazermos esta pergunta: e quando as coisas não parecem “tão boas”? O que acontece quando nossa vida ou o mundo ao nosso redor parece estar vivendo uma crise? E se nossa saúde, segurança ou estabilidade estão sendo de alguma maneira ameaçadas? 

É nesses momentos difíceis que a compreensão do primeiro capítulo do Gênesis pode nos trazer maior benefício. Isso significa que esse maravilhoso capítulo oferece mais do que meras palavras e um lindo cenário; a verdade que ele revela é demonstrável e pode ser posta em prática. 

Vou dar um exemplo. Há alguns anos, fui convidado para ser padrinho de casamento de um amigo. À medida que o grande dia se aproximava, tudo parecia estar andando de acordo com o planejado, mas com uma grande exceção. O casamento seria em outro país, em uma cidade que estava lutando contra o surto de uma doença contagiosa, um coronavírus considerado por especialistas médicos como potencialmente mortal. Todo o planejamento e a complicada logística do casamento haviam sido totalmente organizados naquela cidade, muito antes do início do surto. Com a data do casamento se aproximando rapidamente, não dava para mudar o local do evento.

Eu certamente não queria deixar meu amigo na mão no seu grande dia, mas eu precisava ser sensato e ter a certeza de que estava cumprindo a lei, seguindo todos os requisitos legais que meu próprio governo tivesse estabelecido. Verifiquei que não havia nenhuma proibição de viagens ou de quarentena para os viajantes, apenas uma forte recomendação para que as pessoas que voltassem para os Estados Unidos, vindos dessa cidade em particular, ficassem em casa por uma semana, se pudessem. Meu chefe atendeu ao meu pedido de uma pequena folga do trabalho, para que eu pudesse cumprir com o meu papel de padrinho.

Diverti-me muito no casamento e voltei para casa, aproveitando ainda uma semana de tranquilidade sem ter de ir ao escritório. Contudo, dois dias antes de voltar ao trabalho, fiquei muito doente, com sintomas fortes de gripe, semelhantes aos do coronavírus. Percebi imediatamente que precisava orar para buscar compreensão em Deus e sentir mais de Seu poder salvador e Sua presença. 

Os sete dias da criação no início do Gênesis me pareceram um bom ponto de partida. A cada dia, um novo e maravilhoso componente da criação de Deus surge, revelando mais sobre a ordem divina natural, que inclui o governo completo e perfeito de Deus. Eu havia constatado, já havia alguns anos, que o segundo dia da criação é especialmente apropriado para tratar de questões de contágio. No segundo dia, somos apresentados ao firmamento. “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Céus…” (Gênesis 1:6–8).

O firmamento divide, separa as coisas que vêm de baixo, das coisas que vêm de cima. Podemos dizer, então, que o firmamento age como uma barreira impenetrável, em que entidades em oposição nunca se misturam. É um lugar em que opostos como espírito e matéria, bem e mal, vida e morte nunca se fundem. 

Como estudante dedicada da Bíblia, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, passou muito tempo estudando e escrevendo sobre o primeiro capítulo do Gênesis. Mais do que simplesmente escrever a respeito, ela demonstrou repetidas vezes que uma compreensão mais profunda da criação espiritual de Deus pode ter um imenso efeito sanador. O notável registro de curas por ela realizadas é prova desse fato, e ela ajudou muitas outras pessoas a ver que elas mesmas também podiam curar por meios espirituais, fortalecidas por uma compreensão correta de Deus e de Sua criação.

No texto principal da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, a Sra. Eddy escreve: “A compreensão espiritual, que faz a separação entre a Verdade e a concepção humana, ou seja, o senso material, é o que constitui o firmamento” (p. 505). E mais abaixo, na mesma página, ela diz: “O senso espiritual é o discernimento do bem espiritual. A compreensão é a linha de demarcação entre o real e o irreal”.

Cada um de nós tem a capacidade de discernir fatos importantes a respeito de nossa própria identidade como criação espiritual de Deus. Temos o senso espiritual dado por Deus, com o qual distinguir entre o real e o irreal. Essa capacidade se torna ainda mais importante quando aprendemos que os fatos reais, espirituais, da criação de Deus, estão em total desacordo com a informação que o mundo material apresenta: a informação dada pelos sentidos físicos.

Cristo Jesus provou sem sombra de dúvidas o que uma correta compreensão a respeito da criação de Deus pode fazer, quando curou todo tipo de doença e sofrimento durante seu ministério, incluindo enfermidades consideradas altamente contagiosas, como a lepra. Além disso, Jesus prometeu aos seus seguidores que eles também poderiam curar por meio da compreensão espiritual. Ele disse: “…conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). 

Em poucos dias eu estava completamente bem. Os sintomas desapareceram e
pude voltar ao trabalho.

O que está implícito na declaração do Mestre é que o conhecimento da verdade sobre a criação de Deus pode trazer total liberdade. Liberdade do quê? Do medo e do pânico, do pecado e da sensualidade, da doença e do sofrimento. Por quê? Porque aos olhos de Deus, essas coisas não são reais. Não as encontraremos em nenhum lugar na criação espiritual de Deus descrita no primeiro capítulo do Gênesis; e sem a autoridade da Mente onipotente para apoiá-las, esses chamados elementos destrutivos não têm realidade nem poder. A compreensão da criação de Deus revela essas verdades e, à medida que permitimos que sejam realidades das quais estamos conscientes, elas nos libertam. 

Acaso não é sempre esse o efeito fundamental da verdade? A verdade corrige qualquer falsa declaração sobre os fatos e nos liberta das amarras impostas pela crença naquilo que é falso. 

Então, como é a realidade da criação espiritual de Deus? O apóstolo Tiago nos apresenta esta inspiração: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tiago 1:17, 18).

A verdade, então, é que a criação de Deus é lá do alto — acima dos conceitos materiais — e é espiritual, boa e perfeita. A verdade é que não existe incerteza, acaso, mudança nem falta de segurança na criação divina. O homem é criado pela Palavra de Deus e não é material nem sensual na sua natureza, mas por ser lá do alto, o homem é realmente espiritual. Como Jesus mesmo disse: “…o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6).

Foi assim que me vi orando com essas ideias, ao ser confrontado com os fortes sintomas de gripe. Fiquei em casa, como havia sido solicitado pelas autoridades após a exposição ao vírus, mas com a certeza de que esse estado de sofrimento não era legítimo. Em nenhum lugar, em toda a criação de Deus apresentada no primeiro capítulo do Gênesis, Deus sanciona, permite, nem sequer concebe qualquer doença. Simplesmente não há nenhum registro disso ali. Ao refletir sobre esses versículos, pude começar a ver que meu verdadeiro existir espiritual não podia estar contaminado nem infectado por um conceito mortal. Se esse conceito não era conhecido por Deus, tampouco podia ser conhecido ou mantido por um filho ou filha de Deus.

Comecei a ver que havia uma muralha impenetrável ali erguida — o firmamento. A compreensão espiritual a respeito de Deus, que estava se desdobrando em minha consciência, não deixou espaço para o testemunho dos sentidos materiais apresentar uma visão material confusa da minha identidade.

Embora minha cura não tenha sido imediata, o progresso foi constante e em poucos dias eu estava completamente bem. Os sintomas desapareceram e pude voltar ao trabalho. 

Eu sabia o tempo todo que o retorno à saúde era inevitável. Por quê? Porque o começo desse raciocínio mostra que na criação de Deus não existe um apartar-se da saúde. Na criação divina só existe o bem imutável e acho que todos reconhecemos que é bom ter saúde. 

É nossa compreensão dos fatos espirituais que traz segurança e proteção em épocas de contágio. É um poderoso isolamento e inoculação contra as situações desagradáveis, porém ilusórias, dos falsos sentidos materiais. Tudo o que é desagradável é desconhecido para Deus e, por fim, não pode ser conhecido nem manifestado por Seus filhos. Tudo o que se opõe ao bem de Deus — qualquer tipo de doença, violência, injustiça — não pode existir, e não existe no reino espiritual da criação de Deus, que inclui a compreensão fortalecida sobre o reino espiritual que surge no desdobrar do segundo dia da criação. 

Esse firmamento da compreensão espiritual é revelado por meio do Cristo — o poder de Deus que Cristo Jesus representava e comprovou na experiência humana. A atividade do Cristo revela a verdade que nos liberta. E traz a compreensão de que a vida em Deus é sempre perfeita, harmoniosa e segura. Como está declarado em 1 João 5:20: “Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

More in this issue / janeiro de 2021

A Missão dO Arauto

“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

Conheça melhor O Arauto e sua missão.