Skip to main content Skip to search Skip to header Skip to footer
Original para a Internet

O poder do dia de hoje

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 4 de janeiro de 2021


Todos nós já cometemos erros. Mesmo que tenhamos aprendido com os erros e mudado os nossos métodos, é possível que sintamos o peso do nosso passado. Parece que não há nada a ser feito sobre o que aconteceu e, portanto, as circunstâncias do passado continuam a afetar nossa experiência atual. 

Não conseguimos voltar fisicamente no tempo, para mudar um comportamento lamentável ou uma circunstância, como acontece em filmes de ficção científica. O pensamento de que não se pode mudar o passado é geralmente aceito como sabedoria popular. Mas o apóstolo Paulo diz: “...a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus...” (1 Coríntios 3:19).

Será que isso significa que podemos ficar livres dos erros do passado e retificar experiências desagradáveis? Certamente que sim.

Mary Baker Eddy, que fundou esta revista, diz que olhar o nosso passado de forma nova é uma necessidade presente. Ela escreve em sua autobiografia, Retrospecção e Introspecção: “É preciso revisar a história humana, e o registro material precisa ser totalmente apagado” (p. 22).

Os ensinamentos da Ciência Cristã explicam que aquilo que aconteceu na segunda-feira passada, no ano passado ou há dez anos, não tem nenhum poder sobre o presente. O que importa, o que tem impacto sobre nossa saúde e nossa paz hoje, é o que aceitamos no nosso pensamento hoje. Na Bíblia, Jesus claramente afirmou: “...não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? … buscai, … em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados…” (Mateus 6:31, 33, 34).

Isso não significa propor uma atitude mental do tipo: “só se vive uma vez” ou carpe diem (aproveite o dia). Essa postura mental da moda tem no seu âmago o senso de resignação, do tipo “a vida é curta”, “o passado, passado está”, que é o oposto daquilo que Jesus disse. Em vez disso, podemos lançar um olhar novo sobre o nosso passado, partindo de um ponto de vista espiritual e, dessa forma, podemos vivenciar uma regeneração hoje.

Quando enfrentamos um futuro que parece tão incerto, podemos utilizar esta abordagem espiritual: não importa o dia de ontem e o dia de amanhã; a única medida do bem é o dia de hoje, o agora. Isso não significa ignorar os erros e sofrimentos passados, mas sim, é entender que o passado não tem de afetar negativamente nosso tempo presente. Podemos curar o passado e encontrar paz duradoura, agora mesmo.

Ciência e Saúde cm a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, o livro-texto da Ciência Cristã, explica que nossa experiência, nossos altos e baixos, nossas alegrias e sofrimentos, estão entrelaçados com o nosso atual estado de consciência.

O livro explica, e incontáveis vidas transformadas são provas sólidas disso, que quando passamos menos tempo preocupados com a escuridão, e cada vez mais tempo permitindo que a luz de Deus permeie nossa consciência, quando somos levados, pela oração, a substituir os erros do passado pelas verdades espirituais sempre presentes, então vivenciamos a melhoria da condição humana e, por fim, testemunhamos a cura e a paz permanente. Ciência e Saúde diz: “Mantém o pensamento firme no que é duradouro, no que é bom e no que é verdadeiro e os terás na tua experiência, na proporção em que ocuparem teus pensamentos” (p. 261).

Imaginemos que alguém lhe conte que passou por uma séria dificuldade há vinte anos, e ainda se sente tolhido pelo que ocorreu. Como um bom começo para orar sobre algo assim, considero útil persistir no fato de que esse não é realmente um problema do passado. Sim, o acontecimento mencionado foi em data que passou, mas esse não é o ponto importante. O que importa é aquilo que eu aceito no meu pensamento hoje, ao orar sobre o caso. Minha perspectiva atual sobre o passado é mais importante do que o passado em si.

O que importa é o que consideramos verdadeiro hoje. Por isso, quando lidamos com algum ponto escuro do passado, podemos reconhecer que é impossível, em qualquer época, agora ou no passado, estarmos separados de Deus, o bem e a abundância infinitos. Temos de reconhecer que jamais deixamos, e nunca deixaremos de expressar toda a inteireza, a pureza ou o vigor de Deus. Nossa verdadeira identidade é moldada segundo as qualidades divinas e nosso existir é inalterável, para sempre completo e bom. A harmonia é a lei do nosso existir, e não há nenhum mecanismo para abolir ou diminuir essa lei. Somos perfeitos como é perfeito nosso Pai, Deus, tal como disse Jesus (ver Mateus 5:48).

Talvez sejamos, às vezes, assaltados por uma onda de vívidas lembranças, sugerindo que, naquela época, o mal era muito real. No entanto, podemos rejeitar essas sugestões por compreender que Deus, o bem infinito, é o único poder e a única presença sempre, tanto agora como naquela época. Cada lembrança do mal é a falsificação de uma específica harmonia.

A santidade estava ali mesmo onde o mal parecia estar presente. O Amor divino estava governando onde o ódio parecia ser supremo. O Princípio divino estava em ação ali onde a desonestidade e a falsidade pareciam governar. A abundância estava presente onde a carência parecia dominar. Reverter as alegações negativas do passado, afirmando as verdades espirituais, é apagar totalmente nossa história material. Isso não significa ingenuamente ignorar o mal, mas tem tudo a ver com a destruição do mal, por compreendermos que o mal é uma descarada mentira sobre o bem e a harmonia permanentes. 

Jesus explicou claramente que o mal é uma falsidade, uma mentira (ver João 8:44). O mal alega com jactância que tem o poder de nos limitar, mas na verdade não tem nem poder nem origem. Quando mentalmente reconhecemos que o mal não é nem poder nem presença, e que Deus, o bem, é a única presença, sempre e em todas as circunstâncias, começamos a vivenciar a paz e a cura.

A cura jamais é uma façanha humana; é sempre o resultado da verdade espiritual, da luz espiritual, que floresce no nosso pensamento, revertendo as mentiras e revelando nossa inteireza. Por isso, no alvorecer de um novo ano em nós, é mister fazer mais do que apenas esperar por um futuro melhor.

O apóstolo Paulo escreveu: “Eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2). Celebremos cada momento como o sempre-presente e divino agora. Podemos viver cada dia como o único dia que existe, com o exclusivo propósito de expressar a luz de Deus. 

Não definido pelo tempo ou pela agenda, cada momento nosso, vivido em dedicação a esse despertar espiritual, nos trará mais satisfação do que qualquer outra boa resolução de ano novo.

More web articles

A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
Conheça melhor O Arauto e sua missão.